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G Santana
kfk226@yahoo.com
O exemplo de Macaé - colaboração do leitor
Caro Milbs:
matéria dessa envergadura vc já deve ter tomado
conhecimento. Envio só para ter certeza de que a
opinião abalizada de um articulista da maior
credimbilidade vai chegar a todos os macaenses que
lêem esse importante órgão de comunicação.
Abç
Gilberto Santana
folha de s.paulo
24/07/2006
Como dar aula de incompetência
Gilberto Dimenstein
O caso de Macaé, no Rio, onde a falta de
investimento em qualificação
levou à geração de pobreza na riqueza
Imagine-se, num passe de mágica, multiplicássemos
por dez a renda per
capita do brasileiro.
Resultado: teríamos a cidade de Macaé (RJ), onde a
renda por habitante
chega a extraordinários R$ 96 mil.
Deveríamos supor que, nessa cidade tão
privilegiada
graças à exploração de
petróleo, as pessoas desfrutam de boas chances de
prosperar. Errado. Como
a mão-de-obra local tem baixa qualificação, os
melhores empregos gerados
são ocupados por profissionais de outras cidades.
Esse exemplo de pobreza na riqueza faz dali um
caso
a ser estudado pelos
candidatos, nessas eleições, sobre os efeitos do
baixo investimento em
capital humano.
Com o dinheiro arrecadado com o petróleo, o
orçamento do município é de R$
750 milhões, para uma população de 156 mil
habitantes. Para comparar: o
orçamento da cidade de São Paulo, a mais rica em
valores absolutos do
país, é de R$ 14 bilhões para 11 milhões de
habitantes.
As escolas públicas de Macaé exibem um desempenho
mediano -e mediano no
Brasil significa qualidade ruim-, o que explica,
em
larga medida, por que
sua população não consegue se apropriar da
riqueza
produzida bem à frente
de seu nariz.
Não é culpa localizada desse ou daquele prefeito,
mas de uma "obra
conjunta" que reflete as conseqüências
devastadoras
da falta de visão
sobre a importância de investir na qualificação
dos
indivíduos. O
resultado é o desperdício na abundância e a
geração
de pobreza na riqueza.
Na semana passada citei nesta coluna o caso de
Sertãozinho, cujas escolas
públicas estão no topo do Estado de São Paulo,
segundo a lista de Macaé.
Se Macaé tivesse, porém, uma elite política e
empresarial que conhecesse
relação entre capital humano e distribuição de
renda, saberia que a
riqueza está mais dentro da cabeça dos indivíduos
que debaixo da terra.
Como conseqüência, se investiria mais nas
escolas,
nos cursos técnicos
profissionalizantes, nos programas para a
formação
de tecnólogos.
Não existe aqui nenhuma novidade. Se prestarmos
atenção em cidades
brasileiras que estão virando pólos de riqueza,
explorando sua vocação,
veremos que os arranjos produtivos se uniram a
arranjos de conhecimento.
São lugares em que o desemprego não está na lista
dos maiores problemas.
Nesses arranjos produtivos, empresas de jovens
empreendedores são
incubadas, com a associação da prefeitura com as
universidades,
articuladas com entidades do tipo Sebrae. Vemos
esse tipo de ação em Santa
Rita de Sapucaí (MG), na área de telecomunicação;
em Birigüi (SP),
calçados infantis; Campina Grande (PB),
informática.
Nessa aula de incompetência de Macaé há pelo
menos
duas dicas
especialmente valiosas em período eleitoral: 1)
quanto mais as cidades se
organizarem como comunidades de aprendizagem,
mais
chance haverá de se
produzir riqueza e distribuí-la melhor; 2) quanto
mais essa organização
partir do nível local -a começar da prefeitura- ,
maior eficiência se conseguirá.
Se entendemos Macaé, entendemos por que o Brasil,
tão rico, consegue gerar
tanta pobreza.
Gilberto Dimenstein |
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