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...Macaé, ano I, Nº 28 - 4 a 11 de agosto de 2006
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Cartas do Rebate

G Santana
kfk226@yahoo.com


O exemplo de Macaé - colaboração do leitor

Caro Milbs:
matéria dessa envergadura vc já deve ter tomado
conhecimento. Envio só para ter certeza de que a
opinião abalizada de um articulista da maior
credimbilidade vai chegar a todos os macaenses que
lêem esse importante órgão de comunicação.
Abç
Gilberto Santana

folha de s.paulo
  24/07/2006


  Como dar aula de incompetência

  Gilberto Dimenstein

  O caso de Macaé, no Rio, onde a falta de
investimento em qualificação
  levou à geração de pobreza na riqueza

  Imagine-se, num passe de mágica, multiplicássemos
por dez a renda per
  capita do brasileiro.

Resultado: teríamos a cidade de Macaé (RJ), onde a
renda por habitante
chega a extraordinários R$ 96 mil.

  Deveríamos supor que, nessa cidade tão
privilegiada
graças à exploração de
  petróleo, as pessoas desfrutam de boas chances de
prosperar. Errado. Como
  a mão-de-obra local tem baixa qualificação, os
melhores empregos gerados
  são ocupados por profissionais de outras cidades.

  Esse exemplo de pobreza na riqueza faz dali um
caso
a ser estudado pelos
  candidatos, nessas eleições, sobre os efeitos do
baixo investimento em
  capital humano.

  Com o dinheiro arrecadado com o petróleo, o
orçamento do município é de R$
  750 milhões, para uma população de 156 mil
habitantes. Para comparar: o
  orçamento da cidade de São Paulo, a mais rica em
valores absolutos do
  país, é de R$ 14 bilhões para 11 milhões de
habitantes.

  As escolas públicas de Macaé exibem um desempenho
mediano -e mediano no
  Brasil significa qualidade ruim-, o que explica,
em
larga medida, por que
  sua população não consegue se apropriar da
riqueza
produzida bem à frente
  de seu nariz.

  Não é culpa localizada desse ou daquele prefeito,
mas de uma "obra
  conjunta" que reflete as conseqüências
devastadoras
da falta de visão
  sobre a importância de investir na qualificação
dos
indivíduos. O
  resultado é o desperdício na abundância e a
geração
de pobreza na riqueza.

  Na semana passada citei nesta coluna o caso de
Sertãozinho, cujas escolas
  públicas estão no topo do Estado de São Paulo,
segundo a lista de Macaé.

  Se Macaé tivesse, porém, uma elite política e
empresarial que conhecesse
  relação entre capital humano e distribuição de
renda, saberia que a
  riqueza está mais dentro da cabeça dos indivíduos
que debaixo da terra.
  Como conseqüência, se investiria mais nas
escolas,
nos cursos técnicos
  profissionalizantes, nos programas para a
formação
de tecnólogos.

  Não existe aqui nenhuma novidade. Se prestarmos
atenção em cidades
  brasileiras que estão virando pólos de riqueza,
explorando sua vocação,
  veremos que os arranjos produtivos se uniram a
arranjos de conhecimento.
  São lugares em que o desemprego não está na lista
dos maiores problemas.
  Nesses arranjos produtivos, empresas de jovens
empreendedores são
  incubadas, com a associação da prefeitura com as
universidades,
  articuladas com entidades do tipo Sebrae. Vemos
esse tipo de ação em Santa
  Rita de Sapucaí (MG), na área de telecomunicação;
em Birigüi (SP),
  calçados infantis; Campina Grande (PB),
informática.
  Nessa aula de incompetência de Macaé há pelo
menos
duas dicas
  especialmente valiosas em período eleitoral: 1)
quanto mais as cidades se
  organizarem como comunidades de aprendizagem,
mais
chance haverá de se
  produzir riqueza e distribuí-la melhor; 2) quanto
mais essa organização
  partir do nível local -a começar da prefeitura- ,
maior eficiência se conseguirá.

  Se entendemos Macaé, entendemos por que o Brasil,
tão rico, consegue gerar
  tanta pobreza.

Gilberto Dimenstein

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