Fundado em 16 de abril de 1932

...Macaé, ano I, Nº 28 - 4 a 11 de agosto de 2006
Não perca o Caderno R. Cultura, Educação e Entretenimento. Exclusivo para O Rebate on Line
Colunistas
Adriano Benayon
Almir da Silva Lima
Ana Cristina Gama
Andrei Bastos
Angela Maria
Antonio R. Nóbrega
Carolina Oliveira
Ceci Juruá
Ciro Campelo
Cristina Vieira
Daniel Felipe Matos
David Hugo Peczenik
Denise Barreto
Denise Calixto
Edson Monteiro
Farduim
Fabiana Madruga
Giulianna Medeiros
José Milbs
Langstain Almeida
Letízia Borges
Luanda Cozetti
Lúcio Aguiar
Manoel Barbosa Filho
Mariana Gama Soares
Marly Santiago
Milton Nunes Filho
Moctezuma Pinto
Monique Cruz
Patrick Francisco
Rodrigo Costa
Roque Weschenfelder
Rosana Campos
Rui Nogueira
Vanessa Gonçalves
Vera Lúcia Gama
 
Candidaturas II

Pelos direitos da pessoa com deficiência

Eu faço política desde os 16 anos, quando participava do grêmio estudantil no Colégio Pedro II e deitava nos trilhos do bonde para protestar contra o aumento das passagens. O movimento estudantil, que em 1968 ganhou expressão em todo o mundo, aqui passou a protestar contra a ditadura e eu fui para as ruas jogar bolas de gude pra derrubar os cavalos da repressão. No ano seguinte, a coisa ficou feia e muitos estudantes foram para a clandestinidade combater a ditadura com a luta armada. Eu achei que seria melhor travar uma luta política, mesmo clandestina, até defendi que nos filiássemos ao MDB, mas acabei não entrando pra nenhum partido, mesmo depois da abertura democrática.

Apesar disso, durante toda a minha vida, pessoal ou profissionalmente, participei de inúmeras campanhas eleitorais, sempre de candidatos e partidos identificados com as causas sociais.

Em 2002 fui convidado a colaborar na campanha de Georgette Vidor, que se elegeu deputada estadual. Na nossa primeira conversa, eu lhe disse que estava ali me comprometendo com um projeto político para as pessoas com deficiência (embora eu não fosse uma delas àquela época) e que entendia que o objetivo não era apenas sua eleição. Finalmente, em 2003, com 52 anos, me filiei ao PPS - Partido Popular Socialista. Ironicamente, também em 2003, me tornei um deficiente físico com a amputação da minha perna esquerda por causa de um câncer.

Aí mesmo foi que me comprometi, inteiramente, com o Movimento das Pessoas com Deficiência, procurando dar representatividade ao segmento no meu partido, escrevendo artigos em defesa dos seus interesses e colaborando como voluntário no IBDD - Instituto Brasileiro de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

Agora me apresento como candidato a deputado federal porque acho o segmento precisa fortalecer sua representatividade política. Com minha trajetória de vida e minha curta, mas intensa vivência como deficiente físico, considero que estou apto a lutar pelos direitos da pessoa com deficiência.

Entendo que para a efetiva inclusão social dessas pessoas é necessário, antes de tudo, garantir seu direito constitucional de ir e vir no sistema de transporte coletivo. Como deputado federal, minha tarefa principal será trabalhar para viabilizar social e economicamente isso, propondo e aprimorando leis e fiscalizando seu cumprimento pelo Poder Executivo e por todas as instâncias da sociedade.

Ao mesmo tempo, dedicarei atenção especial à eliminação dos entraves ao adequado atendimento dessas pessoas no sistema de saúde pública e privada, definindo claramente suas atribuições e responsabilidades e propondo o devido amparo legal.

Da mesma forma, não descuidarei de trabalhar para fazer com que o Legislativo estimule a inclusão das pessoas com deficiência no sistema educacional e no mercado de trabalho, assim como sua acessibilidade nas ruas e edifícios, escolas e locais de trabalho e lazer.

Finalizando, apresentarei um projeto de lei para viabilizar em definitivo estas e todas as medidas para o exercício da plena cidadania pelas pessoas com deficiência, proporcionando-lhes os recursos necessários por meio de renúncia fiscal, com ligação direta entre a fonte e a medida contemplada.

Porquinho dois

Como muitos brasileiros, sou um cidadão revoltado com a corrupção e a
impunidade que campeiam no país e, por esta razão, entre outras, me
candidatei a deputado federal, sem grana obviamente. Tenho recebido
generosas ofertas de doações em dinheiro, que me deixaram verdadeiramente
sensibilizado, mas infelizmente, para financiar minha campanha, vou acabar
tendo que usar caixa dois, no caso "caixinha".

Sim, prezados responsáveis pelas regras para as contas de campanha das
eleições 2006. Como sou um cara de classe média, sem nunca ter tido acesso
aos caudalosos rios de dinheiro que cortam (e sangram) o território
nacional e muito menos aos capitães dos gigantescos navios que neles
singram, só posso contar com as contribuições de parentes, amigos e até da
minha empregada doméstica que, sem eu saber, foi ao banco depositar dez
reais na minha conta de campanha e voltou frustrada por não ter conseguido
fazer a sofisticada operação financeira.

"Depósito identificado", "TED" e mais a impossibilidade de se fazer
depósito em dinheiro, só sendo possível em cheque, tudo isso deixou a
pobre da Clarice desorientada, e desconsolada. Como fazer um depósito de
dez reais em cheque, se nem este complexo documento a ser preenchido pelo
usuário ela tem?

Pois é, Justiça Eleitoral seja feita, mas assim como a Clarice, outros
amigos, estes "abonadas" pessoas da classe média como eu, foram ao banco
com cinqüenta, cem, duzentos reais, e também se frustraram. Até para eles,
detentores de diplomas universitários, a operação pareceu despropositada e
burocrática.

Será que essa burocracia toda coíbe a corrupção, o caixa dois, o mensalão?
Eu acho que não. Afinal, basta lembrar que é nos meandros da imensa
máquina burocrática estatal que surgem sanguessugas, saúvas e outros
insetos repulsivos, e também ver a quantidade de candidatos, geralmente à
reeleição, que declararam ter muito dinheiro vivo guardado no colchão, pra
gente perceber que desse jeito não muda nada não. E até eu vou fazer parte
dessa turma, nem que seja com tostão.

Senhor juiz, fale agora! Esta não é a eleição do tostão contra o milhão?
Como é que a gente faz pra receber um tostão? Bota no porquinho eleitoral?

Eu não sou criança, mas ainda tenho esperança. Esperança de que já tenha
R$ 750,00 no meu porquinho, pois com essa quantia posso imprimir 90.000
santinhos.

Tsunami do bem

ANDREI BASTOS*

Meus pais, ambos com vinte anos de idade e membros do Partido Comunista Brasileiro lá no Ceará, em 1951 me deram o nome de Andrei em homenagem, vejam só, ao mais stalinista dos stalinistas, o procurador federal da União Soviética Andrei Vichinsky. Depois que descobriram as atrocidades cometidas pelo homenageado, passaram a dizer, justificadamente envergonhados, que a inspiração do nome veio de um personagem de Dostoievski. Mas aí "já era" e, como uma vez eu disse brincando para a namorada americana de um amigo, "I was born communist".

Pois apesar de ter nascido em berço esplêndido de ideologia socialista, de ter participado da luta clandestina contra a ditadura na adolescência, como secundarista do Movimento Estudantil, e de ter colaborado sempre no processo político brasileiro, nos bastidores, nunca me filiei a nenhum partido. Eu achava que o PT, invenção do Golbery para esvaziar Brizola, não merecia confiança. Só em 2003, aos 52 anos, decidi entrar para a política partidária, preenchi uma ficha do Partido Popular Socialista, como só poderia ser, e estou aqui.

A razão deste gesto, que muitos amigos classificaram de tresloucado, é que de fora, lá da distante sociedade civil organizada (ou não), como muitos outros brasileiros eu assistia à degradação das nossas instituições e, particularmente, da política e dos políticos. Portanto, escolhi a política partidária porque este é o caminho natural para a construção do bem comum e, hoje em dia, ela mesma é uma prioridade na necessidade de mudarmos este quadro moralmente desolador em que vivemos - sem valores, sem dignidade.

A juíza Denise Frossard, que se autodefine como pato novo nessa política, vem dessas lonjuras como eu, mais pato novo ainda. Na verdade, todas as pessoas que neste momento da vida nacional ingressam ou reingressam na atividade política, o fazem expressando a irrefreável vontade de mudar daquela distante sociedade civil, que se aproxima rapidamente como uma tsunami do bem, e varrerá da vida pública todos os que são indignos de estarem nela.

O PPS, com Roberto Freire, e com Denise Frossard no Rio de Janeiro, diante do desgoverno que aí está, tem demonstrado discernimento para entender e refletir esta vontade da cidadania, podendo exercer a liderança dessa tsunami do bem. Com sua coragem para mudar, sei que compartilharei a luta pelo bem comum e a vitória que dela virá com minhas companheiras e meus companheiros de partido, especialmente com nossa futura governadora.


Denise Frossard e Andrei Bastos no Porcão Rio's

*Site: www.andrei.bastos.nom.br

Configuração mínima: 800x600. Recomendamos o Mozilla Firefox. Clique aqui para baixar a versão 1.5
Criação e manutenção Artimanha