Fundado em 16 de abril de 1932

...Macaé, ano I, Nº 18 - 26 de maio a 2 de junho de 2006
História do Theatro

O Nascimento do Teatro e Demais Artes

O clima, de relativa paz interna, proporcionou um prodigioso florescimento das artes japonesas, ensejando o chamado período Genroku, de 1688 a 1704. O renascer criativo, que lançou as bases do teatro bakufu (cuja primeira performance, ao redor do ano de 1600, deve-se à atriz-bailarina Okuni de Izumo), à proliferação do bunraku, o popularíssimo teatro de bonecos que logo seduziu as populações urbanas, e, por fim, o aparecimento de três homens-de-letras de insuperável talento: os poetas Matsuo Basho (1644-1694), famoso pelos seus haikai, curtos versos cômicos; Ihara Saikaku (1642-1693), que praticamente inaugurou a ukiyozoshi, a prosa popular que fez dele um famoso autor de best-sellers; e Chikamatsu Monzaemon 1653-1725), autor de mais de 100 peças para o teatro de bonecos e de mais de 30, para o teatro kabuki, nas quais explorou o tema do suicídio, consagrado como o primeiro escritor profissional da história do Japão moderno.

O último samurai

Os japoneses afirmam que Saigo Takamori, morto aos 50 anos, em 1877, foi o derradeiro samurai, o último grande mestre-de-armas que, com a espada na mão, lutou até o fim para preservar os fundamentos da sua casta. O código do guerreiro que ele encarnava mais do que qualquer outro, estava por desaparecer na avalanche da modernidade provocada pelas reformas ocidentalizantes radicais adotadas na Restauração Meiji (1867-1912).

Época de ruptura na qual a pólvora fez desaparecer definitivamente a importância da espada. Aos olhos do povo, porém, que lhe admirava a bravura, ele sacrificou-se como um herói na defesa da kokutai, a originalíssima cultura nacional, por isso, até hoje reverenciam a estátua dele no Parque Central de Tóquio. E tudo isso começara com uma inesperada visita.

O perigo branco

A chegada dos barcos negros do comodoro Perry
(Baía de Tóquio, 1853)

A primeira impressão que os japoneses tiveram dos quatro grandes barcos negros do comodoro M.C. Perry foi atordoante. A imagem do "US-Mississippi", o navio capitania seguido por três outras armações de ferro movidas à vapor, foi terrível para eles.

Expelindo fumaça, singrando pela baía de Tóquio, sem que nada as pudesse deter, pareceu-lhes a chegada dos infernais dragões dos mares. Logo que ancorara no dia 8 de julho de 1853, o comodoro enviou um ultimato ao Xogum. Ou o governo assinava um tratado com os Estados Unidos ou outras providências seriam tomadas.

Para dar-lhes um prazo, a ele e ao Rôjô, o grande conselho dos sábios anciãos que de fato conduzia os negócios do país, Perry retirou-se das águas do Japão. Seis meses depois, em fevereiro de 1854, ele estava de volta, assinando o Tratado de Kanagawa, em 8 de março daquele ano mesmo.

Os norte-americanos obtiveram o direito de ancoragem em dois portos do sul e a promessa de não mais deterem marinheiros americanos que, por infeliz acaso, naufragassem nas proximidades das costas do Japão.

O país então entrou em polvorosa. Durante mais de três séculos a política do Xogum visara o total isolamento do arquipélago para evitar qualquer contanto com os estrangeiros. Agora, com o simples desfile das belonaves de ferro de Perry com seus canhões eriçados, toda a secular sensação de segurança se fora num só instante. O tão temido hakka, o "perigo branco", definitivamente afirmara o pé nos portos japoneses.

(*) Com a integração da Califórnia aos Estados Unidos, ocorrida em 1848, abriu-se, para os norte-americanos, a rota do Pacífico em direção à Ásia. Barcos ianques começaram a atingir os portos da China, sendo, então, estratégico para eles manterem um ponto de apoio no litoral do Japão.

O colapso do Xogunato

Não demorou a que o xogum (o 15º e que viria a ser o derradeiro deles) fosse constrangido por outros estrangeiros a assinar dois tratados a mais: um com o Império britânico e o outro, com a Rússia czarista. A nação se sentiu indignada com os "tratados desiguais" que fora forçada a assinar sob a mira dos canhões.

Com o prestígio do governo no chão por ter capitulado frente às forças ocidentais, ainda que formidáveis, um grupo de reformadores composto por jovens descendentes de samurais e de alguns daimyos que representavam a aristocracia feudal, resolveram agir. Adotando o lema sonnô jôi, "reponham o imperador e expulsem os bárbaros", que obteve enorme eco pelo país inteiro, eles trataram de derrubar o xogum desmoralizado.

Desde tempos imemoriais, o Japão tinha um imperador cujo poder foi em larga parte puramente simbólico. O Mandato Divino dele, na verdade, servia mais para dar um sentido de unidade religiosa às ilhas do arquipélago. Ele era o Chefe Sagrado, enquanto que o xogum fazia às vezes do Chefe Secular.

Os barões reformistas acreditavam que chegara a hora de pôr um fim naquela dualidade, restituindo ao imperador o poder outra extraviado. Capitaneados por Sakamoto Ryoma, Katsu Kaishu, Saigo Takamori, Yoshida Shoin, Takechi Hanpeita, Takasugi Shinsaku, Katsuria Kogoro e Shinsengui, que representavam os interesses das províncias de Satsuma, Choshu e Tosa, após uma curta guerra civil, a Guerra de Boshin, eles levaram Tokugawa Yoshinobu à renúncia, em 9 de novembro de 1867.

Agiram como se o jovem imperador Mutsohito tivesse recuperado o poder de fato, reunindo, no Mikado, do simbólico ao concreto. Para tornar isso mais explícito, os oligarcas transferiram a corte imperial de Kyoto para Edo (rebatizada como Tóquio).

Eis a razão do período que inauguraram ter sido batizado de Restauração Meiji ("o iluminado", nome que deram ao imperador). Seguindo-se então uma série impressionante de reformas políticas e sociais referendadas pelo Gokajyo no Goseimon, o Juramento dos Cinco Artigos de abril de 1868, redigido pelo jurista imperial Kido Takayoshi, que propunha como objetivos gerais da nação nipônica:

1. Abertura política. "Criação de várias assembléias com poderes deliberativos nas quais os assuntos seriam decididos através de uma discussão pública".

2. O fim dos privilégios. "Dali em diante todas as classes, alta e baixa, participariam na administração das coisas do Estado".

3. Abolição do sistema social feudal. "Doravante os cidadãos comuns, fossem de origem civil ou militar, seriam livres para seguirem o seu próprio caminho, não sendo mais obrigados a obedecerem às imposições hereditárias".

4. Reforma dos Costumes. "Os modos perversos do passado seriam banidos e tudo seria encarado segundo as leis normais da natureza".

5. Busca do Conhecimento. "Procurar-se-iam adquirir novos saberes pelo mundo afora a fim de esclarecer o povo e fortalecer o poder imperial".

 

Acontecências
Acontecências II
África HIV
Assistência Social
Bandido Negro
Beleza do interior
Café
Chacinas
Cinema
Classificados
Construção civil
Cotidiano
Crônicas
Culinária
Cultura
Ecologia
Economia
Educação
Educação artística
Entretenimento
Esportes
Estudante/Ensino
Fotografia
História do Theatro
Justiça
Liga Operária
Livros
Materialização
Medicina
Meio ambiente
Movimento estudantil
Movimento hippie
Mulheres da História
Música
Nossas ilhas
Opus Dei
Pensamentos
Petrobrás
Petróleo
Plantas & jardins
Poemas
Poesia
Reforma Agrária
Religião
Saúde
Sexualidade feminina
Teatro
Telefones úteis
Trabalhador
Trabalhador temporário
Violência
Colunistas
Adriano Benayon
Amanda Paiva
Ana Cristina Gama
Angela Maria
Antenor Costinha
Antonio R. Nóbrega
Bruno Yuri
Cadidja Lima
Camila Santana
Cristina Vieira
Daniel Felipe Matos
Danielle Vasconcelos
Fabiana Madruga
Guto Glória Sardinha
Jandir Nicoli Jr.
João Martins
José Milbs
Josiana Lopes
Langstain Almeida
Leonardo Marinho
Lílian Rodrigues
Luciana Chagas
Lucio Aguiar
Manoel Barbosa Filho
Marcel Silvano
Marcelo Puertas
Mariana Gama Soares
Marino Victer
Marly Santiago
Moctezuma Pinto
Phydias Barbosa
Rodrigo Costa
Thadeu Rabelo
Vera Lúcia Gama

Configuração mínima: 800x600
Criação e manutenção Artimanha