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...Jornal on line Ano I - 2006

Medicina e Saúde

Água e os tratamentos de doenças

Nosso organismo é formado, por inúmeros órgãos; fígado, baço, cérebro, todo o esqueleto, mas algum desses órgãos contém líquido e, portanto água. Pode-se, pois, dizer que o nosso corpo é formado por cerca de 70% de água, que são perdidos e repostos constantemente. A reposição é o grande segredo da saúde e também da beleza em geral, que se reflete na pele, enrugada, áspera desidratada que dá o aspecto de falta de saúde e de envelhecimento precoce. Daí a importância de mantê-la sempre hidratada. A água da pele pode vir da ingestão de líquidos e da aplicação local, que mantenha as células em atividade. Os melhores agentes para isso são os hidratantes com princípios ativos, que agem profundamente.

Todas as dietas para emagrecer falam das comidas que podem e que não podem ser ingeridas, mas a maior parte dessas dietas não referem quanto tem que tomar de água e líquidos em geral. Se a pessoa beber um copo de leite já corresponde um copo de líquido. O ideal seria beber água mesmo, que não tem calorias, mas tem gente que tem dificuldade em ingerir somente a água. Por isso, acaba tomando sucos e refrigerantes que já tem calorias, mas também se conta. O ideal são 2 litros, que correspondem a 8 copos de água por dia. Admite-se que cada copo cheio de qualquer líquido contém 250 ml. Cerveja e chá também conta, mas põem conter calorias de outras formas.

Pelos cálculos dos médicos nosso organismo necessita repor dois litros de água perdida diariamente, que eliminamos através da urina, do suor e das fezes. Se essa quantidade de líquido não for reposta, entramos num processo de desidratação e intoxicação. As pessoas que tomam remédios, como por exemplo: diuréticos, que fazem urinar mais, ajudando abaixar a pressão arterial. Mas os remédios anti-reumáticos e a cortisona; fazem o organismo reter água, então a quantidade de líquido precisa ser menor de 2 litros? E não é só isso: quando ingerimos um alimento, parte dele é absorvido pelo nosso organismo (as proteínas, as gorduras e o açúcar).

Mas quando ingerimos um medicamento, parte vai atuar sobre a dor e a inflamação, mas os restos, as toxinas, são eliminados pela urina. O órgão responsável por esse trabalho é o rim. Se ingerirmos pouco líquido, o rim fica sobrecarregado e não têm as condições ideais para realizar esse processo de filtração.

Só que nesse processo, de eliminar mais toxinas pelo rim, perdemos também sais minerais, principalmente potássio e sódio. Então, se por um lado é preciso tomar água para facilitar a filtração pelos rins, por outro, ela não pode ser ingerida em excesso para que a perda de sais minerais não seja grande. Por isso, para repor o líquido perdido diariamente, você deve ingerir água pura. Vale lembrar que quando comemos alimentos sólidos também estamos ingerindo líquidos. Durante as dietas de emagrecimento, quando você diminui a quantidade de alimentos ingeridos e queima gorduras (processo que elimina mais água do que o normal), é preciso tomar mais líquidos para não desidratar. Quando a quantidade de água é insuficiente, diminui a urina formada, fica mais concentrada, mais escura e as fezes ficam mais duras e mais difíceis de serem eliminas, dando a prisão de ventre. São dois sinais que tanto na dieta de emagrecer como no tratamento dos reumatismos, demonstram que falta água no organismo. Dias de muito calor, perde-se água pelo suor, por isso deve-se beber mais água.


Refrigerantes e açúcares e erosão dentária

O efeito erosivo do refrigerante e dos açúcares sobre o esmalte ou sobre a dentina já foi motivo de inúmeros trabalhos, os quais, inclusive, estudam a capacidade da saliva em reverter essas alterações, em geral, muito doloridas. Num desses estudos, no Brasil, o refrigerante Coca-Cola foi ingerida de 1 a 8 vezes ao dia e foram feitas determinações de microdureza superficial com cargas de 50,0 e 15,0 g, respectivamente para esmalte e dentina, durante 5,0 segundos. Os resultados mostraram que, em função da freqüência de ingestão de Coca-Cola, a porcentagem de perda de dureza foi de 18,7 a 27,9 para o esmalte, e de 24,6 a 32,6 para a dentina.

Estas reduções foram estatisticamente significativas a 5%. A porcentagem de recuperação de dureza pela ação da saliva foi parcial, porém significativa (p<0,05), variando de 43,6 a 35,6 para o esmalte e de 40,5 a 34,6 para a dentina. Houve também uma correlação significativa entre freqüência de ingestão de Coca-Cola e porcentagem de perda de dureza, sendo de 0,97 para o esmalte e de 0,72 para a dentina. Por outro lado, em termos de recuperação de dureza, a correlação foi negativa, -0,70 para o esmalte e -0,74 para a dentina. Conclui-se que, em função da freqüência de ingestão de Coca-Cola, há perdas proporcionais e irreversíveis da estrutura superficial tanto do esmalte como da dentina. (Revista Odontol. Univ. São Paulo, 1999;13(2):127-134)

I.Al-Majed e colaboradores, da Faculdade de Odontologia, de Newcastle-Tyne, na Inglaterra, examinaram os fatores de risco na erosão dental em dois grupos de meninos: grupo A com 354 meninos de 5 a 6 anos; e grupo B, 862 meninos de 12 a 14 anos, alunos de 40 escolas em Riyadh, na Arábia Saudita. A erosão dental foi avaliada usando-se critérios de diagnóstico semelhantes àqueles utilizados na Pesquisa Nacional da Inglaterra em 1993, no programa de Saúde Dental Infantil. Os autores constataram acentuada erosão dental (na dentina ou na polpa) em 34% das crianças do grupo A, e em 26% das crianças do grupo B.

Através de um questionário foram obtidas as informações de bebidas e alimentos ingeridos, e os hábitos de dieta. Os pais relataram que 65% dos garotos do grupo A ingeriram alguma bebida antes de dormir. Água foi a bebida mais consumida (37%), seguida de refrigerantes (21%). Um terço dos pais disseram que seus filhos ingeriram algum tipo de alimento antes de dormir, ou durante a noite e 60% desses alimentos eram doces ou continham açúcar. Um total de 70% dos garotos do grupo B relatou que ingeriam durante a noite, água (30%), refrigerantes (27%) e chás ou cafés com açúcar (18%). Além disso 46% desse grupo B ingeriam alimentos durante a noite pelo menos 1 vez por semana e desses, 54% ingeriam alimentos doces ou que continham açúcar.

No exame clínico dos dentes maxilares primários das crianças do grupo A, quando havia uma acentuada erosão nas superfícies palatais ela estava correlacionada com a freqüência do consumo de bebidas no período noturno (P = 0,015). Uma relação significativa também foi descoberta entre o número de maxilares permanentes com alta erosão nas superfícies palatais das crianças do grupo B, relacionadas com o consumo de bebidasà noite (P = 0,020), assim como a quantidade de bebida retida na boca, à noite (P = 0,038). Os autores concluem que esses dados comprovam que a erosão dental é mais freqüente nas crianças sauditas, do que em grupos da mesma faixa etária na Inglaterra.


Correção da artrose do joelho em varo

A deformidade em varo das pernas acaba causando em vários pacientes uma artrose do joelho, muito dolorida e incapacitante. Sempre ficou a dúvida se a correção dessa deformidade da tíbia, no idoso poderia causar uma regeneração da cartilagem do joelho afetado. T Koshino e colaboradores, Ortopedistas da Universidade de Yokohama, Japão procuraram documentar a regeneração da cartilagem articular após correção da deformidade em varo na artrose do joelho.

O reparo da cartilagem articular após osteotomia tibial alta em valgo, por artrose do compartimento médio foi observado em 146 joelhos em 115 pacientes. A idade média dos pacientes foi de 65 +/- 7 anos (variando de 47 a 80). O estudo foi feito através de uma artrotomia, em média 2 anos após a osteotomia inicial, quando da remoção de placa cirúrgica. A regeneração da cartilagem degenerada foi classificada em três estágios. Estágio A- quando não foram encontrados achados regenerativos - 13 joelhos; Estágio B - quando havia regeneração parcial, com presença de tecido fibrocartilaginoso em área degenerada -86 joelhos. Estágio C- quando houve recuperação total com nova fibrocartilagem ou cartilagem semelhante à hialina - 47 joelhos. Esse estágio C, com regeneração completa foi observada mais freqüentemente em joelhos que resultaram no aumento da extensão do espaço articular medial após a osteotomia tibial alta (p<0,01); e em joelhos com angulação anatômica em valgo superior a 5°. após a osteotomia, comparados respectivamente a joelhos com extensão inalterada, e com angulação anatômica em valgo inferior a 5° (p=0,05). Os escores histoquímico e histológico de O Driscoll foram maiores nos pacientes em estágio C (p<0,02). Mesmo quando havia a eburnização do osso sub-condral na zona de maior peso houve uma regeneração do tipo estágio C em 26 joelhos de 80 nessas condições. A porção do condilo femural medial exposto a essa posição de maior suporte de peso, teve uma cobertura parcial de uma cartilagem recém regenerada após 1 anos da correta correção da deformidade em varo, sem implante de condrócito autólogo.


Operários de siderúrgica e cólica de rins

Os operários das indústrias siderúrgicas chegam a trabalhar, em temperaturas altas de 80 graus. Essa é a razão que têm nove vezes mais chance de contrair pedra nos rins (litiase renal), comparados aos funcionários que trabalham longe do metal incandescente. O urologista Luiz César Lopes Atan pesquisou 10.326 funcionários, de uma siderúrgica do Rio de Janeiro, no período de março de 1999 a dezembro de 2002. Dos 1.289 trabalhadores das áreas com temperaturas elevadas (próximas aos fornos e ao setor de laminação do aço), cerca de 8% (103) apresentaram pelo menos um episódio de cálculo renal. Já entre os 9.037 expostos à temperatura ambiente, esse índice foi bem menor: 0,86% (78).

A perda de líquido pelo suor intenso leva à desidratação, que deixa a urina muito concentrada, propiciando a formação de cálculos renais. Outros fatores que poderiam propiciar a formação de pedras nos rins nos operários, como tempo de profissão na empresa, doenças associadas, antecedentes familiares e alimentação realizada na siderúrgica, não se mostraram significantes na pesquisa realizada com os funcionários. As estatísticas sobre a doença demonstram na maioria dos casos, que depois da primeira crise de cólica renal várias outras podem ocorrer. Além de operários de siderúrgicas, outros trabalhadores, como ambulantes, motoristas de ônibus e cozinheiros, também convivem com temperaturas altas. Como não é possível evitar o calor, a recomendação dos médicos é a de manter-se sempre bem hidratado. Aqueles que já tiveram algum episódio de cálculo renal também devem diminuir a ingestão de carne vermelha, pois pode predispor à formação de cálculos de ácido úrico e cálcio e de sal de cozinha, já que o sódio também aumenta o volume de cálcio na urina. O ideal, segundo autor, seria que as empresas siderúrgicas colaborassem na prevenção, conscientizando seus funcionários da importância da hidratação abundante, além de instalar bebedouros com água em temperatura agradável ao paladar. A adição de citrato de potássio nesses bebedouros ajudaria a diminuir as chances de formação de cálculos, pois a ação dessa substância no organismo é um fator de proteção contra a doença.


ISRSs na tensão pré-menstrual grave

A tensão pré-menstrual que causa sintomas físicos e emocionais, em 75% das mulheres, antes do seu período menstrual começar, é também chamada de TPM. Pesquisas recentes estão tentando procurar a relação entre o ciclo hormonal feminino, e a química do cérebro e outros metabolismos do organismo. A TPM está relacionada com as mudanças hormonais durante o ciclo menstrual. Nenhuma causa de TPM foi identificada. Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs) estão sendo cada vez mais usados como terapia de primeira linha, para a Tensão Pré-Menstrual (TPM) grave.
P. W. Dimmock e colaboradores, da Keele University, da Inglaterra, fizeram uma meta-análise, na literatura médica, sobre a eficácia dos ISRSs neste distúrbio. Em 15 estudos clínicos randomizados controlados por placebo, foram reunidas 904 mulheres (570 participantes de tratamento ativo, grupo A e 435 mulheres do grupo B - placebo, inclusive 101 mulheres participaram de estudos clínicos cruzados, ou seja, ora participando do grupo A ora do grupo B). A diferença média padronizada foi de -1,066 (IC 95% -1,381 a -0,750), que corresponde a uma chance de melhora de 6,91 (3,90 a 12,2) a favor dos ISRSs. Os ISRSs foram eficazes no tratamento de sintomas físicos (cólicas, inchaços) e comportamentais (irritação, ansiedade, depressão etc...). Não houve diferenças significativas na redução de sintomas entre dosagem contínua e intermitente. Os efeitos colaterais foram 2,5 vezes maiores no grupo A comparado ao grupo B.


Osteoporose e AIDS

A osteoporose significa uma alteração dos ossos, que é caracterizada pela densidade mineral óssea diminuída. Isso resulta que o tecido ósseo fica fragilizado com força esquelética reduzida, e uma susceptibilidade aumentada a sofrer fraturas. A osteoporose afeta principalmente as mulheres após a menopausa, e os idosos (de ambos os sexos). Existem inúmeras doenças que podem causar a osteoporose secundária. Recentemente, uma alta incidência de osteoporose tem sido observada em indivíduos infectados pelo vírus (HIV); da síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS). A causa da presença de osteoporose pacientes infectados pelo HIV é controversa. N.Annapoorna e colaboradores, da Universidade de Guntur, Ìndia admitem que o problema parece ser mais freqüente em pacientes recebendo terapia anti-retroviral potente. Ou seja, a osteoporose seria resultante da medicação, e não da própria AIDS em si. O uso de inibidores da protease de tratamento mais longa de infecção pelo HIV, menor peso corporal antes da terapia anti-retroviral, alta carga viral são os fatores de risco mais evidentes. O tratamento clínico segue as linhas gerais já estabelecidas para terapêutica da osteoporose e osteopenia.


Disfunções sexuais na mulher

A atividade sexual é um processo extremamente complexo, sendo composta de uma interligação de vários fatores dentre eles: sistemas orgânicos, fatores emocionais, sociais, culturais e religiosos.

Além das influências de outros fatores como envelhecimento, relacionamentos e experiências anteriores etc... Estima-se que 19% a 50% das mulheres tem disfunções sexuais, fora as insatisfações sexuais que elevam esse número para 75%, não relacionadas com as disfunções sexuais.

As disfunções sexuais nas mulheres tem várias classificações mas a mais freqüente é considerar três as disfunções: de desejo, de excitação e de orgasmo, também podemos incluir as dores vaginais como a dispaurenia (dor no ato sexual) e vaginismo (dores ou desconforto, fora do ato sexual). Essas disfunções são distintas, e influenciadas de acordo com uma série de fatores.

Várias causas médicas podem ser responsabilizadas, doenças vasculares associadas com diabetes (leva a uma diminuição da excitação), doenças do coração e pulmões (falta de ar), incontinência urinária etc... Fora os distúrbios que ocorrem devido ao uso de drogas (como o cigarro ou o álcool ou necessárias para algum tratamento, por exemplo antidepressivos). Outros problemas como por exemplo cistite, câncer de mama, doenças ginecológicas, gestação, menopausa, etc... Todas essas disfunções para serem tratadas passam pelo maior conhecimento que a mulher precisa ter sobre seu próprio corpo.

Procurar se informar dos vários recursos a fim de obter uma maior excitação, e uma melhor comunicação com o parceiro que pode ser outra alternativa (como exemplo, massagens, procurar conhecer os desejos do parceiro etc)... Utilização de pomadas, banhos mornos, lubrificantes para diminuir a dor a penetração. Já as disfunções do desejo saio mais difíceis de tratar por estarem geralmente relacionadas com os problemas emocionais, conjugais, estresse, medicamentos etc... Procurar fazer a reposição hormonal com o acompanhamento de um ginecologista, ou na ausência desses distúrbios hormonais procurar uma terapia sexual. Pode ser necessário
também um acompanhamento psicológico.

A Dispareunia (dor sexual) está relacionada com alterações secundárias a condições irritativas locais, distúrbios pélvicos ou de falta de relaxamento. O vaginismo é a contração exagerada dos músculos da porção externa da vagina, e está geralmente relacionado com fobias sexuais e história de abuso sexual infantil. A Ponholzer e colaboradores, da Universidade de Viena fizeram estudo com 703 mulheres com idade média de 43 anos (variando de 28 a 58 anos).

Do total 22% relataram disfunções do desejo, 35% em disfunções da excitação e de 39% nas disfunções do orgasmo, que aumentaram significativamente com a idade. As disfunções de dor foram relatados por 12,8% mais freqüentes nas mulheres de 20-39 anos. Nas mulheres de 60-69 anos, 50% relataram ter ao enos "ocasionalmente" o desejo sexual, e 30% tem mais de dois atos sexuais por mês. Neste grupo de idade, 50% declararam que uma vida sexual saudável e moderada é importante, sendo que o único fator que estimula o tratamento das disfunções sexuais é a atividade física.

 

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