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O velho rock , novinho em folha
Johnkarl Jones
karljones7@hotmail.com
Rock tem que ser como futebol. O baterista um goleiro. Seguro que vai
poder amenizar os erros de todo o time, mas que quando falhar poderá ser
fatal. O baixista o capitão do time, joga um futebol operário não erra, mas
também não define. Organiza o meio campo e conta com a genialidade de quem
está mais a frente. O guitarrista, o camisa dez, não sua a camisa, mas com
sua perícia muda a história em um passe ( ou três notas ). Mas todo esse
trabalho em equipe será em vão, caso, lá na frente não houver um matador. O
vocalista, oportunista, que pode até bater de canela, roquiar ou desafinar
desde que faça alegria da multidão.
Ou seja, uma banda até sobrevive com um guitarrista virtuoso mais jamais
irá longe, sem um grande vocalista .
O pessoal do Kkaducos parece seguir essa tática à risca. Pelo menos
foi isso que eles demonstraram no último show que vi da banda. Era um dia
de chuva no Rio, e só quem mora lá sabe a verdadeira dimensão dessa
catástrofe. Em milagrosos quinze minutos fui da Cinelândia a Botafogo. O
estomago vazia e o corpo ,assim como toda a cidade ,cheio de água. Entre
mortos e feridos vendavais e poças d'água cheguei finalmente ao local do
show.
O local era o auditório de uma faculdade, ao meio dia de uma
terça feira cinzenta e desestimulante. Mal cheguei e a banda entrou. O
guitarrista (Baptista) calado e cabisbaixo parecia (e estava) concentrado.
O Baixista (Fernando Ferraz ) preocupado com o som e com a divulgação das
datas. Ai vem o baterista (Felipe Souto maior): de óculos escuros (lembre
-se meio dia) encharcado e descendo a mão na bateria . Por último chega o
vocalista (Almyr), mais embriagado que molhado. Fazendo piadas, agradecendo
(com a língua meio ociosa) e desejando boa noite (não é ser chato mais era
meio dia )
Depois dessa entrada apoteótica, o Kkducos futebol clube,
bateu um bolão. Sem ao menos dar oportunidade aos adversários (aqueles que
berram, sempre: toca Raul! ) Logo eles mandaram aluga -se ( sem aquele
lá´lá lá lá´dos titãs ) e desceram um rock atrás do outro (Barão ,
Paralamas e lulu ) continuando fiéis a nossa música emendaram Mr . Jorge
Benjor (golaço) . Depois para encerrar Beatles Deep Purple e James Brown.
Também rolaram duas de autoria própria .
Há quem diga que a banda faz um rock farofa, muito tropical. Mais é
autêntico. Ajudados pelo tempo feio, os caras fizeram aquele auditório ter
momentos londrinos. Lógico sem perder a brasilidade (bezerra da silva
também não faltou) .
Enfim, depois de ouvir Kkaducos, qualquer banda brasileira,
pós-século vinte e um e que esteja no mainstream , pode doer como um chute
na canela .(0)
Curta e grossa
De quebra ainda rolou uma entrevista com o vocalista Almyr Netto após o
show .
Me fale sobre banda o som , a idade ?
A banda já existe há 4 anos. Desde 2002 tocamos rock, porém antes
éramos um Power Trio, e só neste ano houve a entrada do Baptista na
guitarra, e por isso mudamos de nome, essa mudança caracteriza um
recomeço.Até porque ficamos uns 8 meses sem tocar em 2005.
E qual a razão dessa banda ?
Desde que cada um de nós começou a aprender a tocar, também começamos a
querer tocar em grupo. Eu e o Fernando já tocamos ha mais tempo juntos,
desde 1999. E o Felipe e o Baptista também tiveram outras bandas antes.
Logo que eu comecei a tocar, também comecei a compor e queria mostrar
minhas músicas e tocar com banda, não apenas eu no violão, isso foi algo
que me motivou também, alem da grande "farra" que é tocar com uns amigos
bem "malucos", e também talentosos.
E quais as influencias ?
Nós 4 temos muitas influencias. A base nossa é mesmo o rock 'n roll,
bandas como The Police, Beatles, Rolling Stones, Ramones,Elvis Presley, The
Doors, e brasileiras tambem como Mutantes, Legião, Titãs, Ira!, e várias
outras. Mas alem do rock ouvimos muito blues (Muddy Waters, Eric
Clapton...), reggae (Bob Marley, Peter Tosh...), samba (Bezerra da Silva,
Zeca Pagodinho...), MPB (Chico Buarque, Roberto Carlos, Caetano...). Também
estamos sempre nos atualizando em relação as novidades e ao cenário
independente que rola. Enfim temos muitas influencias, o que nos
permite criar sem compromisso com o óbvio, fazendo com que o nosso som
tenha a "nossa cara".
Já percebi que essa não é a primeira formação . escala ela para mim ?
Almyr Netto - Vocal e guitarra
Baptista - Guitarra
Fernando Ferraz - Baixo
Felipe Souto Maior - Bateria
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