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...Macaé, ano I, Nº 15 - 5 a 12 de maio de 2006
Plantas & jardins

Paisagismo não é somente criar e enfeitar jardins

Antonio Carlos da Silva Barbosa

O embelezamento e ordenação da paisagem no meio rural, através do paisagismo, tornam-se cada vez mais necessários para contrabalancear os desequilíbrios visuais e ambientais impostos pelo uso inadequado das áreas de plantio.

A importância do paisagismo não se limita apenas à arte de criar jardins nas cidades. Deve ser entendido e dimensionado como a arte-ciência que se dedica a reordenar, com naturalidade e bom senso, a paisagem de acordo com a natureza local, adequando-a para a convivência dos seres humanos, bem como das espécies animais silvestres; servindo sobretudo para refazer o equilíbrio do ecossistema.

Entre as várias vantagens propiciadas pelo paisagismo ao meio rural, destacam-se: maior valorização da propriedade pelo melhoramento visual da paisagem; criação de meios eficazes de defesa contra a erosão; implantação de condições ambientais favoráveis para a criação de animais; correção ecológica do microclima favorecendo o reequilíbrio do ecossistema regional e proteção ambiental às lavouras pela redução da incidência dos ventos e manutenção dos níveis da umidade relativa do ar.

Beleza e funcionalidade - É inegável e evidente a diferença do aspecto visual apresentado por uma propriedade cujas áreas receberam um tratamento paisagístico pela implantação de projeto criterioso e adequado à região e suas finalidades. O contraste, comparando-a com outras propriedades vizinhas que não tiveram tal tratamento, salta aos olhos dos menos críticos, elegendo aquela como mais atraente e conseqüentemente mais valiosa do que as outras.

Aliando o belo ao útil, o paisagismo serve ainda para prevenir várias ocorrências prejudiciais à propriedade rural, combatendo a erosão existente em seu solo ou ainda melhor, impedindo seu aparecimento através da utilização racional das espécies de plantas apropriadas para tal finalidade.

Nas propriedades onde a atividade principal é a criação de animais, de qualquer tipo ou porte, o planejamento paisagístico tem grande valia, criando um ambiente mais propício para o desenvolvimento de cada espécies; ora determinando barreiras corta-ventos, ora implantando ilhas de sombreamento.

Ecologia e produção - A função ecológica é uma das bases fundamentais do paisagismo. Assim sendo, sua aplicação na propriedade rural é útil, intrinsecamente, para uma grande melhoria no microclima local, quer pelo plantio de espécies ornamentais e ou essências florestais; ou ainda pela implantação de lagos, gramados etc. O adensamento de vegetação e o aumento das reservas hídricas servem sempre para atrair vários tipos de pássaros, insetos e animais silvestres que reestabelecem o elo primordial da cadeia ecológica, favorecendo o equilíbrio do ecossistema na região.

Outra vantagem do paisagismo rural é tornar a propriedade mais produtiva por deixar suas áreas de plantio protegidas da ação fustigante dos ventos contínuos. Isto ocorre através da formação de renques vegetais que atuam também para propiciar a manutenção dos níveis ideais da umidade relativa do ar, além de evitar a perda do húmus pela nefasta ação das enxurradas.

A aplicação de recursos na implantação de um projeto de paisagismo constitui-se em um investimento seguro cujos resultados, à médio prazo, são recompensados por alta lucratividade permanente.

PODA DE PLANTAS ORNAMENTAIS

Quando e por que podar o quê

Assim como nós, seres humanos, temos a necessidade de cortar o cabelo e de nos barbearmos, as plantas que também são seres vivos, pertencentes a outra classificação biológica, precisam receber cuidados de tosa nas suas partes vegetativas supérfluas.

A operação de poda das plantas ornamentais deve ser feita sempre por profissional bem capacitado e que utiliza ferramentas apropriadas e bem afiadas, para evitar erros difíceis de serem reparados, deixando feias cicatrizes nas plantas.

A poda deve ser aplicada a uma planta quando para:

a- Formação inicial de mudas transplantadas
b- Formação de sebes
c- Saneamento de partes atingidas por doenças
d- Proporcionar aumento de floração
e- Aumentar a densidade foliar.

As mudas transplantadas requerem poda para reduzir um pouco, ou até mesmo drasticamente, a massa foliar e assim diminuir a transpiração, que causaria a perda de suas reservas híbricas, facilitando o processo de pegamento e emissão de novo sistema radicular de suporte. As mudas que recebem esse tratamento terão muito mais chances de vingarem e formarão folhagem nova com maior viço e rapidez que as outras da mesma espécie não podadas. Como exemplo disso podemos citar as palmeiras de grande tamanho que, ao serem transplantadas devem ter suas folhas reduzidas à metade do comprimento, preservando-se íntegro apenas o broto apical que será envolto pelas folhas remanescentes amarradas e estaqueadas, assim plantadas e mantidas até que haja o restabelecimento das raízes.

As sebes (vedação ou tapume executado com ramos ou varas entretecidas para cercar e vedar terrenos.) necessitam de podas de formação inicial desde o seu plantio no local definitivo. Não se aplicam aleatoriamente essas podas, para evitar que hajam prejuízos irreparáveis no futuro formato da sebe. É necessário que se vá controlando o crescimento dos ramos nos sentidos desejados para que se obtenha o espessamento da massa foliar, ocupando todos os espaços de baixo para cima. Para conseguir o efeito desejado, é preciso observar o crescimento das plantas em todas as direções, assim quando se notar um excessivo espichamento dos ramos superiores, é neles que recairá a tosa para impedir que ocasionem enfraquecimento da base ou a "saia" da sebe. Quando o inverso ocorrer, ou seja, havendo um crescimento muito acentuado lateralmente nos ramos da base, sobre eles incidirá a poda restringindo suas expansão aos limites desejados. Assim se seguirão as podas de formação da sebe até que esta atinja seu desenvolvimento pleno quando passará então a receber podas de manutenção. As podas iniciais de formação da sebe deverão ser feitas com a tesoura de podar e não com a tesoura de tosar que só será usada na fase de manutenção.

A poda saneadora é realizada sempre que parte de uma planta for atacada pro alguma doença criptogânica ou algum acidente físico, como broca, crestamento por fogo ou excesso de sol, etc.. Nesses casos as partes atingidas serão extirpadas pela poda, evitando a propagação pelas demais partes da planta.

Quando se deseja estimular um aumento de floração em determinadas espécies de plantas ornamentais, procede-se uma poda drástica durante o período de repouso vegetativo - inverno, chegando-se por vezes a tosar os galhos quase rentes ao chão, como é o caso das hortências.

Outra modalidade de poda é a que se aplica para rejuvenescer ou adensar a folhagem de alguma espécies, como ocorre com o buxinho e os hibiscos.

ERROS A EVITAR NUM JARDIM SAUDÁVEL

Garantir um crescimento sadio para suas plantas requer uma série de cuidados. O excesso ou a falta de algum dos componentes da receita de saúde pode estragar tudo.

As plantas de sua casa precisam sempre um tempo para os cuidados diários. Você se preocupa com o bem-estar delas, um colocá-las num ambiente adequado às suas necessidades, em prover tudo o que é preciso para que se desenvolvam e mantenham a casa bem bonita.

De uma hora para outra, você passa a observar sinais de que algo não vai bem. Folhas murchas, vasos com limo, flores que não chegam a se formar. Apesar de ter apelado para herbicidas, novidades "quentes" do mercado e receitas caseiras infalíveis, a solução do mistério pode não estar em nenhum manual sobre pragas, doenças e besouros.

É só estar atenta a tudo o que se aprende de mais básico sobre plantas: luz, ventilação, adubo e água. Mesmo visando o bem-estar delas, pode-se errar na dosagem de um desses componentes. Aprenda a detectar esses problemas e falhas e, assim manter um jardim em plena forma.

Água sem inundar ou deixar o vaso seco

Excesso - Você percebe que está regando demais os vasos quando as folhas, botões e flores caem antes mesmo de estar completamente formados. Isso significa que a planta está praticamente apodrecendo por inteiro. Outro sintoma de muita água é o aparecimento de uma camada verde, um limo na parte externa do vaso.

Tratamento - Suspenda a rega imediatamente, até que a terra seque completamente, não apenas na superfície; toque o fundo do vão com o dedo para verificar se não há mais umidade. Veja se a abertura de drenagem - o furo do vaso - não está entupuda. Desobstrua com um palito de madeira ou uma chave de fenda. Volta a regar novamente de acordo com a espécie da planta.

Falta - Nota-se quando a planta está "com sede" pelas folhas murchas e pendentes. Flores e brotos caem, as folhas menores não crescem e aparece uma camada esbranquiçada na parte de cima. Na superfície, a terra está completamente ressecada.

Tratamento - Vá aumentando a rega em pequenas doses - o suficiente para umedecê-la - , voltando a doses normais quando a planta estiver recuperada. Pulverize as folhas, regulando o bico do pulverizados para que o jato saia sob forma de névoa

ADUBAÇÃO

Qual o melhor adubo para minhas violetas?

Essa é uma pergunta feita normalmente pelas pessoas interessadas em aprender a tratar corretamente de suas plantas.

Cada espécie de planta requer uma determinada fórmula de fertilizante, ou seja, beneficia-se de algum elemento específico de sua composição.

Para melhor entender o que é um adubo, precisamos saber que a composição de sua fórmula é expressa pela sigla N P K que significa:

N= Nitrogênio (estimula a brotação e favorece as folhas, além de assegurar o crescimento com vigor)
P= Fósforo (estimula a floração e frutificação, sendo também importante para fortalecer as raízes)
K= Potássio (fortalece a estrutura celular das plantas conferindo-lhes maior poder de resistência à seca e doenças)

Muitas vezes os fabricantes de adubos deixam de citar a sigla padrão (NPK) e mencionam apenas a percentagem de seus elementos na composição da fórmula, assim como 4-14-8 (onde deve se entender que 4=N, 14=P e 8=K).

Os adubos podem ser orgânicos ou inorgânicos (também chamados de químicos). Dentre os principais adubos orgânicos podemos citar: o esterco animal (cavalo, gado, galinha, coelho), a farinha de ossos e a farinha de sangue. Os adubos inorgânicos são representados pelo Salitre do Chile (N) , Superfosfato (P) e cloreto de Potássio (K).

Tanto os adubos orgânicos quanto os inorgânicos são importantes para assegurar o bom desenvolvimento das plantas pois, são elementos que se completam para fornecerem a fertilidade ideal ao solo.

As plantas floríferas devem receber uma adubação com maior teor de (P) Fósforo ou seja 4-14-8 (NPK); ou ainda um suplemento de Farinha de Ossos ou Superfosfato , além dos demais adubos.

As espécies cuja folhagem constituem o principal atrativo da planta, requerem fertilizantes mais ricos em (N) Nitrogênio, como o Salitre do Chile ou a Farinha de Sangue, em maior quantidade dentre os demais componentes da fórmula, como por exemplo a formulação 16-4-8 (NPK).

As samambaias , por serem plantas de caráter rizomatoso (rizomas são caules subterrâneos que produzem ramos aéreos) se beneficiam mais de uma a dubação rica em (P) Fósforo que favorecerá uma melhor estruturação e expansão dos rizomas de onde brotam as folhas. Experimente usar adubo com a fórmula 10-30-20 (NPK) na renda-portuguesa (Davallia fejeensis Hook) e dentro de pouco tempo ficará admirada com o vigor da planta.

Após essas explicações básicas sobre os adubos, é fácil entender que o melhor adubo para as violetas será o que contenha um maior teor de (P) Fósforo na sua fórmula.

CULTIVO DE PLANTAS EM VASOS

Na época atual a maioria da população mora em apartamentos, em meio a uma verdadeira floresta de concreto e asfalto, em que se constituem os modernos núcleos habitacionais das grandes cidades.

Nada mais natural que, em meio a tanto artificialismo, o ser humano sinta a necessidade de manter-se junto ao aconchego do lar um elo de ligação com suas origens, ou seja, a natureza.

Um dos mais representativos elos de ligação com a natureza são as plantas cultivadas no interior das residências, servindo principalmente como elemento decorativo.

Deparamos com as dificuldades enfrentadas pelas pessoas que desejam manter plantas ornamentais em vasos de interior de apartamentos ou casas. Com raras exceções todos reclamam que seus vasos de plantas ornamentais não correspondem ao viço e beleza esperados, apesar de todos tratos e cuidados dispensados aos mesmos. Entretanto a maioria das pessoas esquece, ou até mesmo desconhece, que as plantas são seres vivos que necessitam para seu perfeito desenvolvimento de várias condições, e, que nem sempre lhes são proporcionadas pelas pessoas que as possuem.

Existem diversos itens de suma importância a serem conhecidas e obedecidos no trato das plantas ornamentais em vasos e colocadas no lar, para que elas possam corresponder à expectativa de seus proprietários sem decepcioná-los.

CASA SEMPRE EM FLOR - COM CUIDADO E COM AFETO

Quem quer a casa florida não pode simplesmente comprar os vasos e deixá-los em qualquer lugar, sem um mínimo de manutenção. Lembre-se de que só a planta que recebe atenção integral produz aquilo que dela se espera.

ÁGUA - Durante a brotação das plantas há um maior consumo de líquidos que devem ser repostos com regas. Assim, as flores vão durar mais; mas é preciso cuidado para não encharcar a terra - o que causa apodrecimento das raízes.

LUZ - Nem todos os tipos de plantas indicados para ambientes internos preferem viver à sombra. È necessário manter luz suficiente para a realização da fotossíntese e a sobrevivência do vaso. É fácil medir a quantidade de luz num ambiente: se com a iluminação natural não se consegue ler um texto em letras miúdas, também não será adequada para as plantas. Nesse caso, deve-se instalar lâmpadas especiais para esta finalidade.

TEMPERATURA - Não é por estar em ambiente fechado que a planta está "sufocando" e precisa receber ar. A abertura de portas e janelas, formando "correntes", pode prejudicar o desenvolvimento, ressecando a folhagem e prejudicando o equilíbrio metabólico com a mudança brusca de temperatura.

ADUBAÇÃO - A florada consome grande parte das reservas energéticas da planta. Para repô-las, adube com produto rico em fósforo desde o aparecimento dos primeiros botões. Pode-se usar NPK 4-14-8

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