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Sobre Antonio Kleber Mathias Netto
Nasceu em Macaé, RJ, a 13 de junho de 1947. Filho de Mário Roland Mathias Netto e de Zenith Gomes Pereira. Aos seis anos, mudou-se para São Gonçalo-RJ, onde concluiu o curso ginasial. Iniciou o curso Clássico em Niterói, no Colégio Plínio Leite, concluindo-o no Colégio Nilo Peçanha. Prestou exames vestibulares, para o curso de Ciências Jurídicas e Sociais, sendo classificado em 200º lugar. Já no ano seguinte, ingressou no Tribunal de Justiça do Estado do Rio, por Concurso Público (19º lugar). Concluído o Curso de Direito, ingressou na Magistratura do Estado do Rio Grande do Sul, cujas funções exerceu de 1975 a 1990, quando se aposentou. Em diante, dedicou-se exclusivamente à literatura. No RS, escrevia crônicas para vários jornais do interior.
Pensamentos
Antonio Kleber Mathias Netto
"Existem pessoas, em grande número, que não conseguem ter, durante sua vida, mais do que uma idéia - e, por isso, não se contradizem nunca. Não pertenço a essa classe. Eu aprendo da vida, aprendo enquanto vivo. É possível que rejeite no futuro minha opinião de hoje e a considere errônea e pergunte a mim mesmo: como pude ter, anteriormente, esta opinião?" (Bismarck)
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A avassalagem que se procria nos palácios da Democracia rende inspirações doentias aos governantes, levando-os a se imaginarem donos do céu e da terra, talqualmente os imperadores nos seus regimes absolutistas. De vez em quando, a imaginação cede à realidade alguns despropósitos e desmandos. A nossa débil América do Sul prova deste perigo com freqüência.
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Nenhuma República suporta investigações rigorosas. Nos seus escanonhos, ratos proliferam. É da essência pública dar de comer aos roedores, porque também o homem é um depredador... de princípios.
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A propalada assistência social no Brasil é um engodo bem articulado nos discursos palacianos. Os oradores são insensíveis a tudo. Menos à própria fome.
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Os neo-liberais nos países de terceiro mundo pedem paciência ao povo diante dos assaltos, estupros e seqüestros, tipos de delitos que não rondam os palácios, sempre bem protegidos pela força pública.
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O guri era mal, traquejado em furar olho de passarinho com espinho de tuna e depois soltar a ave à própria sorte. Terminou ministro da fazenda!
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Há algo muito estranho num País onde todos desconfiam de todos. Mas há alguma razão nisso. Sistematicamente se nomeia um rato para guardião do queijo.
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As regras econômicas constituem-se como instrumentos de experimentação no Brasil, manejados por teóricos que fariam melhor colocando um abacaxi onde o desejo mais lhes coçasse.
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A instituição do Judiciário se consolidará como Poder a partir do momento em que fizer valer os mandamentos das regras jurídicas, atendida a exigência de não apaniguar poderosos, nem dar conversa a bazofeiros de tribuna política.
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As penitenciárias estão cheias de ladrões de batatas. Os finórios dos cofres públicos têm certeza de que tais dependências não se coadunam com seus finos gostos.
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O político brasileiro é uma piada que, em Portugal, faz festa nos botequins.
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Nos países sérios, aprovam e promulgam leis para atender a necessidades gerais da sociedade. No Brasil, não poucas vezes, aprovam-se textos para resolver problemas particularíssimos.
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Se não fossem o futebol, o carnaval e o jogo-do-bicho, o brasileiro já aprontaria revoluções de meter medo.
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Como é difícil trancafiar pulhas peculatários nesta Terra de Santa Cruz! O Ministério Público deveria ser mais ativo e o Judiciário mais diligente, no sentido de que o povo não ficasse a ver navios diante de tantos crimes graves praticados por políticos e homens públicos. Se começássemos pelo Banco Central do Brasil, estaríamos dando enorme conforto à nacionalidade descrente.
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Ao magistrado indigno, pena triplicada. É inadmissível o aplicador da Lei revelar-se agente de falcatruas. Além da perplexidade popular, ele protagoniza lesões de difícil reparação na estatura do Poder, cujo histórico evidencia a aquisição de honrosos lauréis desde a sua instituição do Brasil. Cabe ao próprio Judiciário defenestrar, de pronto, esses corós de estrebaria, desatrelando-se de todo e qualquer sentimento corporativista. Frutas podres devem ir ao lixo, para não contaminar as sãs. Este é o ditado.
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Os mal-educados e pachorrentos do serviço público serão vigiados. Ao fim da paciência, serão encaminhados para os quintos do inferno. Principalmente os da área da saúde.
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As autoridades públicas teatralizam o mais que podem, quando exigidas a tomar providências contra desmazelos. Mas fica nisso, pois a pusilanimidade é a sua marca registrada.
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No Nordeste, planta-se muita maconha em local conhecido da polícia. Abisma que se destrua toda a plantação, mas não se consiga por as mãos num só dos "agricultores". O comentário é que, antes das diligências, a tropilha delinqüente cientifica-se de tudo e foge. Precisamos instaurar a prisão perpétua para certos agentes da lei.
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É possível um detentor de cargo eletivo ser chamado de ladrão nas ruas e não reagir, fingir que não ouviu? Sim, é. Pior: Sai dando de ombros, como se nada acontecesse contra sua honra. Talvez, por isso mesmo, quase sempre se reeleja.
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Há um sentido de violência tão forte na instituição policial brasileira, que a população, hoje, divide o seu temor entre ela e a bandidagem.
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Mais hoje, mais amanhã, acordaremos ao canto de hinos com letras ameaçadoras, caso não se atendam aos reclamos sociais. Basta que se verifiquem os setores governamentais da saúde e da previdência social, sem esquecer do setor fundiário, este nó na garganta da mediocridade política reinante.
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Os meus desejos são particularíssimos. Qualquer intensidade que os faça aflorar é logo abafada, em nome dos meus limites. Sempre mantive minhas reservas sob férreo comando, sabendo direcionar seu desaguadouro. Eis porque meus olhos encontram-se quase sempre perdidos no outro lado da muralha.
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O homem tem sido uma farsa aos seus próprios botões. Essa descoberta leva alguns à religião, outros à psicanálise, e muitos ao suicídio. Os que se salvaram desse poço sem fundo vêm dizendo: Fodam-se!
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A vassalagem de um governo autoritário constitui-se de delinqüentes pós-graduados. Sustentam-se de políticas regionais opressoras, demagógicas e corruptas, destacando-se a perseguição aos fracos e vencidos, faceta denotativa de suas consciências degeneradas. Que tal passar um filme sobre a trajetória dos energúmenos palacianos?
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É preciso desratizar os bastidores das licitações levadas a efeito pelos órgãos públicos tupiniquins. Quem tem coragem?
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Não vejo as pessoas deprimidas, mas putas da cara com os abusos sem freio.
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Quase todos estão convictos de que haja uma solução para os problemas alheios. A humanidade é um balcão de conselhos. Há os que ficam na assistência, indiferentes aos projetos que vingam sempre pela metade, rindo dessa capacidade desenfreada do homem de arquitetar destinos alheios.
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Em nome da boa educação, assume-se a gentileza em detrimento das rebeldias fundamentais. Manter-se fiel aos postulados da civilização significa, muitas vezes, uma perigosa proximidade dos abismos, quando não das idéias suicidas.
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As vítimas de processos de tortura trazem a imaginação carregada de imagens vinditosas. Como, por exemplo, o torturador dependurado de cabeça para baixo, escalpelado, sobre temível formigueiro.
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O futuro preconizado pelos políticos ainda é objeto de ilusão de muita gente. Está comprovado que o objeto da feição desses mandatários é o poder e as vantagens pessoais daí emergentes. O povo, entretanto, gosta de ser ludibriado pelos ilusionistas dos palácios. Nessa festa, quem não consegue tirar coelhos de cartola desqualifica-se e é banido. É assim que toca a música.
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Ignorar o passado, um pouco mais ou um pouco menos, estabelece o tamanho do vazio que se instala no homem.
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A inteligência será exercitada sempre, seja antes, durante ou após as emoções.
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Há muita gente se imaginando dona da chave de todos os segredos. Admoestam por um prazer mórbido de demonstrar a supremacia de seus princípios. Não gosto desse comportamento, definitivamente.
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Muitas vezes, imputam-lhe inteligência superior, com o escopo de convencê-lo a aceitar certas idéias ou movê-lo a agir dessa ou daquela maneira. Não absorvendo a tentativa de convencimento, tentam provar-lhe que, malgrado a sua inteligência superior, há certos momentos em que a sua consciência embota. Por isso, procuremos nos adequar a estes aconselhamentos, a fim de provar que não sofremos emburrecimentos. É uma merda aturar os teimosos e certinhos da vida!
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As amizades supérfluas continuam merecendo o meu aceno. Não importa o grau de hipocrisia imposta à indiferença.
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Há políticos egressos do mais puro rebotalho. Representam as emergências das águas estagnadas. Contudo, sobram-lhe aplausos. Algo fede entre o coração e a alma.
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Desprezo certas contrariedades e caras feias. Prefiro o exercício das minhas rebeldias, que não conhecem grilhões e chicotes.
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Todos conhecem e proclamam os caminhos da salvação. O surpreendente é que o diabo viva inaugurando sucursais do inferno.
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No Brasil, presume-se não existir delinqüência na classe " A" . Por isso, as leis penais destinam-se aos ladrões de galinha. Lá por cima, há leis especiais mal digeridas nos processos criminais. Eis porque não se consegue colocar um criminoso do colarinho branco na cadeia!
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O poeta tem o seu mundo especial. Nele só ingressam os eleitos. Geralmente, está deserto. Para felicidade do vate.
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Definitivamente, não somos donos de parte da nossa vida. Muita gente confunde essa parcela disponível para intrometer-se em áreas proibidas da alma. Essa ingerência culmina em desacertos.
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Para cada circunstância importante em nossa vida, há sempre um último trem partindo da estação. Felizes os que não perderam as oportunidades.
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Há sombras etiquetando almas perdidas, enquanto arquivos inteiros catalogam frustrações.
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A Administração Pública demonstra visível incompetência gerencial. O povo não despertou para a necessidade de eleger mandatários qualificados. Quase tudo no Brasil tem cara de improviso. Está na hora de proceder-se a uma operação plástica.
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Criatividade, honestidade, inteligência, coragem e competência. Esses são os ingredientes que não se consegue juntar na sopa chamada Brasil. É não é por culpa do cozinheiro.
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A ganância fiscal é uma víbora que só pica os calcanhares da classe média para baixo. Os demais usam perneiras e outras proteções.
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Há caminhos que não me servem, porque não dizem da minha essência. Não os quero sob os meus pés, porque a contrariedade me desatina.
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Felizes os imbecis e suas conclusões a respeito da morte. Sempre acham tudo normal.
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Consegue-se tapear um homem indefinidamente, porque infinita é a capacidade dos engodadores de ilaquear a boa-fé dos crédulos.
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A militância dos desajustados só obedece a um freio: o do caos.
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Terceira idade é rótulo emprestado por aqueles que não acreditam nas conseqüências do minuto seguinte. O que existe numa determinada quadra da existência é a frustração e proximidade da morte. O resto é cantoria de sofismas. A idade está na alma. Compartimentar a existência é excluir o otimismo da vida. Terceira idade é coisa de era. O homem que declara combalimento não tem fé. Só há, pois, uma idade: a do ideal.
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A poesia labirintosa sufraga intenções suspeitas. Por isso, não mostra o caminho que leva às estrelas.
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Não se terá complascência com os erros, para não protrair sofrimentos.
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Nosso País enredou-se nas mãos de gente de passado suspeito, que tenta, a todo custo, dele desvencilhar-se para morrer em paz. Não há jeito. As culpas perseguirão essa morcegada de caverna, cujos dejetos, por tantos anos, representaram o único fruto de seus esforços em favor do povo.
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O amor sem freios pode provocar tragédias. Eis porque devemos submeter nossa alma a freqüentes revisões.
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Redobro-me de sensatez, para sofrenar desejos rebeldes. Ainda há lugar para a prudência. Os excessos apontam para caminhos suspeitos.
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# No torvelinho das grandes paixões, as infidelidades passam despercebidas.
# Não escondo minhas necessidades proibidas. O veículo das minhas andanças é de carne e osso. O seu combustível é liberdade sem fronteiras.
# As amizades puras não pagam ingresso para freqüentar o festival das minhas emoções.
# Os fenômenos naturais guardam muitos segredos. Todos os dias, algum pensamento mancheteia verdades indissolúveis.
# A pureza da alma sempre se permitiu a certas oscilações entre quatro paredes.
# A serenidade tem sido causa de tempestades avassaladoras. Poucos conhecem a matéria-prima das suavidades.
# Em certos homens, a pureza é uma questão de tempo. O verbo experimentar tem sido mais forte que qualquer ambiente monástico.
# Ninguém se purifica a ponto de considerar o viver uma plenitude de paz. A convivência exige resgates. Certos estados da alma só se alcançam dentro da solidão das cavernas.
# O homem é o centro de todas as coisas, portanto, o maior responsável pelos desastres periféricos.
# Os mandatários de republiquetas caracterizam-se pelos conchavos políticos de que participam, ora aquiescentes diante de pedidos inescrupulosos, ora inebriados com a captação de aliados pusilânimes e aproveitadores. Os partidos políticos dessas aldeolas são formados por trânsfugas, cujas bandeiras incolores somente tremulejam diante das ofertas do poder.
# Não mentalizo amizades supérfluas. Irritam-me lembranças fúteis.
# Desprezo a sapiência astuta. Aprendi que os caminhos dos sábios são feitos de algodão doce e simplicidades.
# A honra consolidada e a verdade cristalina são muralhas intransponíveis, diante das dúvidas da mediocridade.
# Urubu de mau faro só encontra osso.
# Comentam que não possuo travas na língua. Ledo engano. O que não tenho são correntes nos pensamentos.
# Meus amigos deverão estar comigo. Esse negócio de servir a dois reis, como diz o brocardo, sempre terminou em desastre. É evidente que inimigos não se amam.
# Quando dividimos o nosso lençol, a parte disponibilizada termina em trapos.
# A impressão mais lesiva à minha alma diz respeito às traições. Sinto asco dos traidores. São os únicos capazes de provar a perenidade do meu ódio. Não os aconselho a tal experiência.
# Tenho sido fiel aos meus amigos e acredito na reciprocidade, porque esta é uma orquestra que deve andar afinada.
# Em termos de amizade, não se deve misturar os temperos. O meu paladar, por exemplo, guarda algumas exigências. Portanto, cada prato com sua especificação.
# Muita gente gostaria de sentar-se para dar explicações, o que não resolveria quase nada, diante do desinteresse das pessoas. Explicações são necessárias para clarear as coisas, para a compreensão nos seus limites de veracidade. Infelizmente, prevalece o ditado que diz: "Quem gosta de explicação é porteiro de boate." Nesse passo, muitos terminam injustiçados. Mas isso é coisa de brasileiro, um prejulgador de berço.
# Discrepa da realidade quem assume defesas apaixonadas, desconhecendo fatos e protagonistas. São as defesas da idiotia, geralmente secundadas por interesses escusos. Elas têm sido ineficazes? Por incrível que pareça, nem sempre.
# As discussões estéreis pipocam nas esquinas. Em geral, os protagonistas são ardorosos defensores de reuniões. Sequer imaginam o formato de uma enxada.
# Quem fará o povo entender que as leis e os códigos foram edificados para alcance geral da população? Diante do que se anda assistindo, certamente que não me arrisco. Há uma elite protegida dessa bazófia chamada regramento jurídico.
# A doutrina espírita tem sido a mais coerente para explicar o fato de morrerem tantas pessoas boas, às vezes prematuramente, enquanto os maus vão se levando vida afora, como se viver não fosse um merecimento, mas um castigo. A meu ver, trata-se da coerência da injustiça.
# As expressões destemperadas mal servem de alimento aos porcos. Por isso, a má qualidade dos espectadores de certos discursos.
# Despendo um enorme esforço no tratamento que dou a certas pessoas, quando a relação, na realidade, seria de desprezo.
# Qualquer toca serve para um rato em fuga.
# Chegará o dia em que o homem público manterá o queijo da nacionalidade na conserva, longe dos roedores compulsivos?
# A aristocracia rural brasileira ainda controla os freios dos nossos governantes, quando estes se assanham no processo da reforma agrária. É uma força de fantasmas, com muitos resultados.
# A maioria dos homens públicos edificam o discurso retórico das promessas, ora para o sustento de seus cargos, ora para a mantença dos alforjes das recepções duvidosas.
# Não violo escombros de derrotados. Isso é dado às maiorias aproveitadoras do sofrimento humano. Ao demais, o que guardam escombros, senão misérias?
# Há muito rato e pouco queijo. Tomo-me de uma terrível e desconfortante sensação, convocando-me a chamar o gato.
# Os que se encontram cheios de ódio navegam num mar proceloso, onde não há portos nem esperanças.
# Aos amigos que exercem, simultaneamente, as funções de fruto e semente, dedicamos a nossa perene lembrança.
# Enquanto a vaidade cretiniza beócios, batemos palmas às lacraias.
# Com toda a vigilância, os rombos são colossais. Imagine-se se os gatos voassem ou soubessem nadar!
# O barco está furado. Mas, ainda dá tempo de rezar meia-dúzia de ave-marias, outro tanto de padre-nossos e, quem sabe, mandar certos aventureiros à merda.
# O silêncio social tem sido o pai dos meninos dos canaviais, dos meninos carvoeiros, dos meninos das pedreiras, dos meninos do sisal, dos meninos seringueiros. E, principalmente, dos meninos de rua. Também essa paternidade silenciosa merece uma oração, mas de repúdio.
# O déspota é um doente mental que usa do poder para exercitar a única terapia que o satisfaz: a do autoritarismo.
# Certas estátuas deveriam ser fundidas e atiradas, com todas as honras, ao fundo do mar.
# Meus péssimos antecedentes: nunca ter suportado oligarcas destemperados. Em pensamento, já fuzilei um bando deles.
# A matéria de que se constituem as minhas dissonâncias quase sempre está ligada ao despotismo avassalador de meia-dúzia de ditadores de lata.
# A palavra do político é como titica de cachorro: não serve sequer para esterco.
# Certa feita, acenaram com a Nova República. Foi um verdadeiro picolé de groselha para as velhas caras dos caciques tupiniquins. Chegaram a mexer no guarda-roupa, mas esqueceram de retocar o coração e sacudir o cérebro. A conseqüência foi a esperada: cadáveres fedendo em palanques reconstruídos.
# Jamais a consciência de um sábio simbolizará o bronze dos litígios, pois ele é hostil à beligerância e à dor. Dentro dele está a fonte da água cristalina, correndo no pequeno oásis da esperança.
# Raios de sol fazem da minha consciência uma cidadela de gente pelas ruas, cheia de vida e liberdade. Não penso diferente, embora muitos palácios abriguem fábricas de grilhões. Ensinaram-me que os governos existem para viabilizar a felicidade do povo, conforme o preceituado constitucionalmente. Creio que fui enganado.
# Quem sustenta mentiras é velhaco. Este subtipo da raça não está extinto. Cuidado!
# Aplaca-se a ira dos cães com ossos.
# Não tenho me preocupado com as minhas poucas amizades. Elas foram pasteurizadas.
# Toureiro e touro não fazem acordo. O estádio espera um vencedor.
# Não sei onde tem andado a minha sorte. As possibilidades, entretanto, sempre as vejo... passeando pelas nuvens!
# Traduzam-se os descontentamentos. É perigoso conduzir cobra enrustida.
# Levo a todos com muita parcimônia, enquanto não descubra que esteja sendo lesado, o que me transforma, como um rio diante de uma tromba d'água.
# Para enfrentar lobos ferozes e famintos, não basta coragem A lucidez de raciocínio aliada à frieza constitui-se em ponto fundamental. A coragem tem levado muita gente ao abismo.
# Certos alarifes do colarinho branco foram paridos em noite de lobisomem. Observe-se que eles vêm conseguindo até legislação especial para amenizar as conseqüências dos estelionatos mais comuns. Isso quando não são distinguidos com a medalha da impunidade, fato corriqueiro na pátria amada dos descalabros.
# Não só repudio a delinqüência inconseqüente de certos políticos e homens públicos. Também os seus fiéis seguidores têm sido alvo das minhas vergastas. Quem desconhece a manha dos pupilos que fazem escola?
# Não adianta delicadeza com a recidiva dos imbecis.
# Perdoar não significa que devamos emprestar o nosso amor ao perdoado. No meu caso, ao meu perdão sucede-se o desprezo.
# Há governante que odeia a pecha de ditador. Mas ele sempre o será, na medida em que uma democracia só se legitime diante do respaldo popular. O resto é conversa fiada de megalomaníaco, déspota ou aproveitador.
# Poucos se movem em direção às pugnas populares por puro ideal. Em geral, atrás deles caminha o pior inimigo do povo: o interesse inconfessável. Como, porém, descobri-los a tempo? É muito difícil. Somente tiram a máscara depois de arrombado o cofre. Isso quando tiram!
# Não acredito na presunção de capacidade de certos profissionais, só pelo fato de dependurarem numa parede um diploma de conclusão de curso técnico ou superior. Essa crença leva muito gente para trás das grades, quando não para o túmulo.
# Aos donos das verdades absolutas, gosto de deixá-los falando sozinho. Ou com as estrelas.
# Somente quem passa pelo inferno de certos instantes adquire a capacidade de avaliar a intensidade dos sofrimentos. O resto é conversa inútil.
# Nunca um homem livre sentiu paixão por um déspota. O nome do sentimento exercitado é nojo.
# Gosto de entregar-me ao sabor das amizades puras, escoltado pela confiança e apreço que nutro por tantos quantos me olham nos olhos, transmitindo-me verdades.
# As boas sentenças fazem justiça. Não homenageiam a jurisprudência do formalismo.
# Repugna a idéia de que o escravo possa ser feliz. A condição de escravo não permite outro sentimento que não seja a dor.
# A subserviência exitosa é o combustível que anima as festas protagonizadas pelos lacaios.
# Há uma corriola de terno e gravata que não teve infância. Em conseqüência, passa as horas vagas (que são muitas) fazendo traquinagens com coisa séria. O pior é que não respeitam a hombridade alheia. De vez em quando, vemos um desses irresponsáveis com a cara na lama.
# Diante do discurso da mediocridade, toda a surdez será homenageada.
# Jamais me habilitei a grandes amizades. Conheço com perfeição a história dos rompimentos.
# As tentações que me fascinam encontram-se na natureza milenar que nos move à vida e à eternidade, não nos homens.
# Saudável segredo é aquele que trazemos a sete chaves: mostra como fugir dos chatos e seus correlatos.
# Só quem tenha se superado diante das maiores tentações estará apto a percorrer os caminhos da vida e sentenciar sobre os erros humanos.
# O ciúme é um ligeiro desconforto que habita entre o amor e o ódio.
# Ninguém volta de graça. Algo sempre é cobrado pelo retorno.
# Quando todos se aborrecem diante do discurso da verdade, é sinal que alguma coisa anda errada no reino dos mistérios.
# Pecadores não batem palmas para oradores que prometem penitências. Eis a razão das vaias aparentemente inexplicáveis.
# Os vaidosos não se contentam em ser. Eles querem exclusividade, destaque e massagem.
# A poesia permite-nos viajar por caminhos interessantes. Quantas vezes desejamos nunca mais voltar!
# Quando o homem age com consciência e voluntariedade, raramente deixa rastros duvidosos.
# A possibilidade de realização plena da alma só existe naqueles que desejam, também, a felicidade alheia.
# Nem todos os homem conseguem uma mente iluminada. Alguns nasceram para viver nas escuridades. É o destino de cada um.
# Nunca me importei com o gosto atrofiado de certos críticos. Escrevo para pessoas comuns.
# Quem tem medo de denunciar erros, que corte a língua. Fica bem melhor do que passar por pusilânime sistematicamente.
# Vivemos num país de cargos comissionados. Não conceberíamos um dicionário sem o vocábulo 'nepotismo'. Há outros tantos bem definidos, abrindo as portas do afilhadismo aos oportunistas do serviço público. Enquanto isso, em algum salão palaciano, políticos-filólogos tentam oportunizar aos nossos dicionaristas novas criações. Assim, de safadeza em safadeza, o Brasil constrói o maior comboio ferroviário da alegria de que se tem notícia na História Universal. Piuiiiiiiii!
# Ferro vai, ferro vem! As balas dos bandidos recém começaram a ser disparadas. Fugir para onde?
# Os serventes da prepotência são inimigos da Democracia, pois que esta lhes nega o reconhecimento de suas sedizentes virtudes, fazendo-lhes, apenas, críticas aos desmandos e às violações aos direitos fundamentais do homem.
# Um dos maiores segredos da felicidade está na manutenção, durante toda a vida, do lado mais puro da criança que fomos.
# "Todos são iguais perante a lei". Há muita gente comendo gato por lebre há muito tempo, no que tange à criminalidade.
# Todos os dias, um engodador assume a tribuna republicana para encher os ouvidos e a paciência do povo com idiotices. O pior é que sempre há uma platéia de oligofrênicos batendo palmas. Definitivamente, a nossa Democracia necessita de um nosocômio psiquiátrico.
# Acendo minhas velas às sextas-feiras. Conheço bem as galinhas pretas das esquinas por onde passo.
# A insônia dos mentirosos tem, como causa, as baratas milenares dos esgotos da consciência. A ascendência sempre brota de forma imunda, mostrando que a verdade da genética grita na hora da fisiologia indomável da animalidade. Resumindo: o mentiroso é um trouxa diante das estrelas.
# O crápula é ridicularizado pelo travesseiro, na hora de dormir.
# O padecimento da alma transluz algo como remissão de pecados. Tolo será o que, imaginando-se livre das punições inflexíveis do destino, transforma a sua vida num roseiral de desatinos. Há mistérios dando conta de que sempre há um verdugo de plantão. Cuidem-se os negligentes.
# As virtudes são graças conquistadas por poucos. Na maioria dos casos, o que vemos são arremedos de virtudes, para cujo exercício se prestam alguns objetivando retorno dobrado.
# Repugno a estratégia dos que titubeiam. Quase nunca saem da casamata. Jamais disparam tiros.
# Corajosamente, povos inteiros entregaram-se ao cadafalso, em detrimento à capitulação, num repúdio contundente à expectativa de transformarem-se em escravos.
# Um ampla reforma na conceituação da pena poderá, finalmente, pendurar os corruptos numa segregação exemplificadora. Do jeito que está, esses crápulas andam dando risadas de norte a sul. |