O PINGUIN DA RUA DO MEIO
Waldyr Tavares
O livro que o editor de O REBATE, durante um longo período esta escrevendo e que tem umas 660 páginas dificilmente poderá ser editado. Situação financeira principalmente.
Como este jornal está sendo resguardado em suas edições e, delas muito se pode ler em futuro é que, abrimos este EDITORIAL para dar passagem à fala do macaense, ferroviário, advogado, combatente e fiel companheiro de lutas, Waldyr Tavares, 75 anos, sendo que 80% desta existência na busca de dizer sempre sim às aspirações que emanam do sentimento profundo do Povo.
Waldyr leu todas as páginas deste livro e abaixo transcrevemos sua opinião pois sabemos que a vida se encurta a cada hora que a gente vive e temos que ler certas coisas ainda em vida...(José Milbs)
PREFACIO DO PINGUIN DA RUA DO MEIO
Waldyr Tavares
Em l939, num dia 13 de agosto , nasceu o autor, na rua do Meio, no numero l80, hoje l76. Nascia ai quem viria a ser o grande criador deste livro. Seu ideário é Macaé, suas lendas, belezas e figuras imorredouras.
A narrativa trata em todo desenrolar de resgatar fatos e gente que mesmo ausente e passadas , parece que encontraremos novamente fazendo voltar o tempo e nos alegrar graças à fidelidade imprimida pelo autor em seus relatos.
Lembranças da velha praia de Imbetiba e dos seus freqüentadores tradicionais onde pontificavam as figuras de Parrudo, Helson Tarzan, Suenio, Lélo, Dr. Jacob, Naná, Hélio Lopes, Tonho Lepra, Tonho Irmão de Biriba e tantos outros...
A narrativa ora alegre, chegando a hilariante, ora triste chegando a melancolia, não discrimina, tratando a todos igualmente em virtudes e defeitos.
Na magia da pena de José Milbs mil reminiscências brotam naturalmente colocando a leitura agradável. Com a sua perícia no relato o autor nos conduz a emoções que vão do riso as lágrimas.
As lembranças e relembranças evocam as oficinas de Imbetiba , de onde saíram grandes líderes da classe operária. Ruas, Rios , Praças não ficaram despercebido pelo autor como também as ruelas, becos e ruas empoeiradas. Nada ficou despercebido pelo espírito aguçado e inteligente do autor, que pode criar esse encantador livro, não deixando que se perdessem acontecimentos e pessoas tão importantes da nossa cidade.
Como o livro, José Milbs coloca no papel, lembranças indeléveis que por certo, se apagariam com a voracidade do tempo.
A pungente lembrança do avô Emílio, da avó Nhazinha e da mãe Ecila, as aventuras dos 36 do SENAI, a trincheira de lutas do jornal "O REBATE", o carinho dedicado à memória de minha querida sogra Julita a quem o autor chama, afetivamente de "Abelha Rainha", somam outras lindas e puras recordações com detalhamento que só Milbs sabe dar com sua inteligência às vezes irreverente mais sobretudo amiga.
"RUA DO MEIO... DA FERROVIA AO PETRÓLEO" é um sucesso da obra prima de uma cidade. Certa vez disse ao José Milbs que haveria muita coisa a ser feito. Agora reafirmo para Zé Paulo, seu filho, - não deixe que se perca uma obra tão importante.
Falava um escritor maranhense sobre um contador de histórias: "na sua boca , as coisas simples e as coisas insignificantes tomavam um tom de grandeza que nos arrebatava".
Pois assim é a pena do autor, que nos conduz a lugares que todos conhecemos em nossas andanças pela vida e que estava esquecido. O contador de histórias havia e as crianças pediam... "Tio leia o livro que o seu João escreveu"....E nós recomendamos. Leiam o livro que Milbs escreveu.
Vai livro e cumpre o destino que foste criado resgatando a memória da cidade linda em que nascemos e da gente que amamos.(Waldyr Tavares é ferroviário, líder sindical nos anos 60, advogado e militante do PC do B ) |