Prefeitos questionam local da refinaria na abertura de seminário da Apremerj
Prefeito de Macaé lamenta que Complexo Petroquímico não vá para Campos, mas
deseja sucesso à Itaboraí e comemora instalação no Estado do Rio
Fotos: Rui Porto |
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Da esquerda para direita: Prefeitos de Mesquita,
Artur Messias (camisa amarela), de Conceição de Macabu, Cláudio Linhares (de paletó) e de Macaé, Riverton Mussi
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A discussão em torno da definição por Itaboraí, na Região Metropolitana do
Rio, para abrigar o Complexo Petroquímico da Petrobras, marcou a abertura
do II Seminário sobre Desenvolvimento Local realizado pela Associação de
Prefeitos dos Municípios do Estado do Rio de Janeiro (Apremerj), no Hotel
Vilarejo, em Rio das Ostras, nesta quinta-feira (30). De um lado, os
prefeitos do Norte Fluminense e o vice-presidente da Apremerj, David
Loureiro (PMDB), questionavam quais foram os critérios técnicos para a
escolha e de outro, os prefeitos vizinhos de Itaboraí tentavam pontuar que
a cidade tem todas as condições de abrigar o maior investimento feito em um
único projeto no Estado do Rio.
O prefeito de Macaé, Riverton Mussi (PSDB), lamentou que Guriri, em Campos,
não tenha sido a microlocalização do Complexo Petroquímico. "Foi uma grande
decepção para nós, prefeitos da região Norte, porque o projeto do complexo,
que inclui uma refinaria, daria sustentabilidade à economia regional.
Muitos acham que somos municípios ricos porque recebemos royalties, mas os
royalties são finitos e minha grande preocupação é preparar a cidade para
ter sustentabilidade pós ciclo do petróleo", pontuou.
Riverton destacou, no entanto, que deseja sorte ao empreendimento em
Itaboraí e conversou com o prefeito da cidade, Cosme José Sales (PT), que
também participou do seminário. "Temos que comemorar que a vitória foi do
Estado do Rio de Janeiro e desejo sucesso ao investimento", afirmou. Já o
vice-presidente da Apremerj e prefeito de São Fidélis, David Loureiro, foi
taxativo ao afirmar que a decisão tomada pelo presidente Luiz Inácio Lula
da Silva (PT) foi uma "covardia".
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Da esquerda para direita: Prefeito de Rio das Ostras,
Carlos Augusto Balthazar (paletó), de Rio das Flores e presidente da Apremerj, Vicente Guedes (camisa cinza), Prefeito de Mesquita, Artur Messias (camisa amarela),
prefeito de Macaé, Riverton Mussi e prefeito de
Cachoeiras de Macacu, Waldecy Machado
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- A refinaria em Itaboraí parece mais uma das inaugurações futuristas do
Lula, que vive um governo virtual. Da região Norte saem mais de 80% do
petróleo nacional e Guriri possui toda a viabilidade técnica. Sabemos que
Itaboraí tem problemas ambientais e agora será transformada em uma nova
Cubatão. O que pesou na decisão dele (Lula) foi a questão política -
alfinetou o peemedebista. O vice da Apremerj criticou ainda o processo de
privatização da BR-101. "A região será contemplada com cinco praças de
pedágio, cabe ao presidente ver o esvaziamento que poderá se transformar o
Norte do estado", disparou.
Os prefeitos de Carapebus, Rubem Vicente; Conceição de Macabu, Cláudio
Linhares; Rio das Ostras, Carlos Augusto Balthazar (todos PMDB) também
lamentaram que a refinaria não ficou nas regiões Norte/Noroeste, como a
Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro) pleiteava,
inclusive com reuniões com o presidente da Petrobras, José Sérgio
Gabrielli.
- Critérios técnicos que eram considerados há um mês mudaram seus caminhos.
Todas as necessidades que a Petrobras apontou não foram mais consideradas.
Itaboraí tem uma densidade demográfica absurda, o que a própria Petrobras
disse que não queria. Por isso tenho um sentimento de traição e sinto que o
critério não foi técnico - comentou Cláudio Linhares, de Macabu.
Já o prefeito de Rio das Ostras também se disse surpreendido com a decisão
da estatal. "Torço para que o bom senso da Petrobras tenha prevalecido
sobrepondo a política", opinou. Rubem Vicente, de Carapebus, lembrou da
expectativa gerada pela instalação da refinaria em Guriri ou em Itaguaí.
"Eles jogaram água na fogueira e escolheram Itaboraí", afirmou.
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Prefeito Riverton Mussi e prefeito de Itaboraí, Cosme José Sales
Secretaria Municipal de Comunicação Social
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SORRISO - O prefeito de Itaboraí, o petista Cosme José Sales - de mesma
legenda que o presidente Lula - era só sorrisos no seminário, que tinha na
pauta justamente o desenvolvimento local. "Nada melhor poderia ter
acontecido. Trabalhamos em silêncio e sabemos que a escolha foi em cima da
situação geográfica, social e de infra-estrutura da cidade", salientou.
Cosme governa uma cidade de 300 mil habitantes com previsão orçamentária
para este ano de R$ 160 milhões e desmentiu que a área escolhida para a
refinaria seja ruim. "Não temos nenhuma indústria poluente, temos recursos
hídricos e a decisão não foi política", disse o petista, que está na sigla
há dois anos. Segundo ele, os rios Macacu e Cacerebu terão suas águas
usadas no complexo petroquímico.
O secretário de Trabalho e Renda, Cláudio Bogado, analisou que a região
Norte sofre a falta de investimentos pesados que gerem emprego e renda, mas
os projetos de desenvolvimento serão ainda mais ampliados. "Vamos
intensificar nosso projeto macro de qualificação profissional com elevação
da escolaridade da população de Macaé", destacou Bogado.
O secretário de Comunicação, Romulo Campos, disse que o anúncio feito pela
estatal foi uma traição. "Participei de quase todas as reuniões nas quais a
Petrobras afirmou que a escolha seria técnica e que existiam duas
microrregiões para receber o empreendimento, entre elas, Guriri, em Campos,
que para nós, seria a melhor escolha. Ao anunciar Itaboraí, a Petrobras
mostrou que a escolha passou mais pelo crivo político do que o técnico",
acentuou. Romulo e Cláudio também participaram do seminário.
Em Macaé, o secretário de Indústria e Comércio, Alexandre Gurgel, ressaltou
que a secretaria irá preparar um programa especial que auxiliem às empresas
de Macaé a participar dos investimentos que serão injetados no complexo
petroquímico.
Fórum de desenvolvimento termina nesta sexta com presença de ministro
O II Seminário sobre Desenvolvimento Local termina nesta sexta (31), em Rio
das Ostras, onde serão discutidos dois painéis e proferidas quatro
palestras. O painel que encerra a programação terá a presença do Ministro
das Cidades, Márcio Fortes, que participará do painel "Gestão do Território
- Desenvolvimento Urbano e Local" e falará sobre as ações do ministério das
Cidades para o desenvolvimento urbano dos municípios.
A programação desta sexta começa às 9 horas, como o tema "A Gestão da Saúde
e Estratégias para Solução das Ações Judiciais - Consórcios de Saúde". Às
11 horas serão abordados os "Aspectos Sanitário-Ambientais relacionados à
implantação de infra-estrutura de Telecomunicações".
Em seguida, o tema será "Parceria no Desenvolvimento dos Municípios -
Projeto Operações Coletivas e o Financiamento do Saneamento Básico". Às 14
horas é a vez do "Projeto Cidadania com Segurança". "O Descompasso entre as
Receitas e Despesas Municipais" é o assunto seguinte.
Nesta quinta, prefeitos e secretários municipais de todas as regiões do
Estado do Rio participaram dos painéis que abordaram "Implantação e
Fortalecimento dos Sistemas Municipais de Meio Ambiente", "O Financiamento
da Educação com a Implantação do Fundeb", "Linhas de Financiamento - Proger
Empresarial e Turismo"e "Contribuições do Sistema S para o Desenvolvimento
das Localidades".
Secretaria Municipal de Comunicação Social
SECOM