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'...Macaé, ano I, Nº 34 - 15 a 22 de setembro de 2006
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A Arte da Política

(por Victor Meirelles)

Na vida existem dois lados para toda situação: o dos satisfeitos e o dos insatisfeitos. A opinião varia de acordo com lado em que você está e os humores também. Não existe um meio termo, um ponto neutro; sóbrio e confiável e que una o melhor e o pior dos dois lados, transformando-os em um ponto pacífico, que possa agradar a Gregos e Troianos.

Os lados satisfeitos camuflam a realidade para fazê-la mais bonita enquanto os insatisfeitos a distorcem a ponto de ficarem desacreditados em suas teorias, pois qualquer verdade dita de modo inflamado termina não sendo levada em consideração e vira calúnia.

Realmente, não existe um meio termo, uma realidade confiável que nos faça perceber o quanto a classe média é burra, desorganizada e acomodada.

Mais uma vez, as classes de oposição se dividiram, ao invés de se unirem, e não criaram nenhum candidato que correspondesse às expectativas da maioria, criando assim, vários candidatos insossos e sem a menor capacidade de superar os que estão no poder e que, incontestavelmente, sabem fazer muito bem o teatro governamental para se manterem lá.

Heloísa Helena é o Lula há 15 anos e não ganhará a presidência berrando, chorando ou criando apelidos medíocres para seus adversários; o Alckmin é alguém nulo e passa tanta credibilidade quanto uma porta: você sabe que abre e fecha, mas não vê maiores benefícios; o Cristovam é bacana, tem um discurso educativo e elaborado, mas quem quer saber de educação neste país? Ninguém!

Todos estão cheios de boas intenções, mas disso o 'inferno está cheio' (Dante que me desminta), pois a cada dia, vejo que a política é composta pelos melhores atores do planeta. Quem souber atuar melhor leva o prêmio, e o nosso governo atual é mestre nisso!

Por acaso o beneficio do "Bolsa-Família", que era de R$ 597,7 milhões em junho passou para R$ 952,4 milhões em julho, mesma época em que a popularidade de nosso presidente chegou aos 52%, contestados pelo próprio, que acredita ter 76% da aprovação dos eleitores e se sente injustiçado pela imprensa que, digamos assim, o ridiculariza. Vamos condenar o Presidente por se beneficiar disso? Não! Ele é mais esperto que nós e sabe sim, usar as armas que tem.

Viva! O governo aumentou o assistencialismo que beneficia a maioria dos eleitores abaixo da linha de pobreza e que são uma enorme fatia votante e que aos olhos políticos devem manter-se lá, pois é até barato trocar votos por uma bolsa doada pelo governo que os mantém e, com isso, aumenta a vagabundagem generalizada de pessoas que vão se reproduzindo como coelhos, gerando mais eleitores alienados e sustentados.

Enquanto isso, os impostos da classe média, que paga caro para manter a população miserável, se afunda cada vez mais. Mas como diz AlineDoMundoLouco , não é o assistencialismo que faz o rombo no bolso da maioria da população, pois este assistencialismo está no orçamento e é apenas um chamariz para poder dizer que o governo está fazendo algo e os pobres atestarem que ele faz. O que é o maior trunfo do governo, "dando" aos desfavorecidos, de cérebro e dinheiro, o que eles querem e criando, assim, a frase na boca do povo: "Tem que dexá ele lá, porque ele ajuda nóis!" Na verdade, nada além da obrigação do governo, embora eu seja contra o assistencialismo improdutivo.

Investimentos na educação, que poderiam dar aos miseráveis que recebem Bolsa-Família condições de se colocarem no mercado de trabalho, de criar novos horizontes e afins, ficaram por isso mesmo e ficarão eternamente, pois realmente não é interessante para um governo ter eleitores esclarecidos, já dizia meu professor de geografia na 5ª série.

Não é de hoje que não simpatizo com o Lula, e me desculpem os petistas, continuo achando uma lástima tê-lo como representante máximo do nosso País. Não por ser um ex-metalúrgico extremista e radical que abrandou seus humores exaltados para chegar à presidência e não fazer a menor diferença. Mas, simplesmente, por ele ser como qualquer outro político e também por se aproveitar da miséria alheia para se manter no poder e isso é claro e ele não está escondendo.

Quando ganhou as eleições pela primeira vez, mesmo com grande pesar, eu pensei, que ele poderia sim, ser menos oportunista e mais ativo. Mas o circo que ele instaurou no país e em suas viagens pelo exterior, levando seu Mico Gilberto Gil para entreter os gringos foi o que mais apareceu em seu governo, fora as tantas acusações de envolvimentos (passivos) em corrupção. Não o condeno pelas CPIs; acho de extremo mau gosto as tentativas de tentarem derrubá-lo por força e a ridicularização feita pela imprensa, pois tenho plena consciência de que cada país tem o presidente que merece, e o Lula é o presidente da maioria que o elegeu e continuará sendo por mais quatro anos pelo que estou percebendo.

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