Fundado em 16 de abril de 1932

'...Macaé, ano I, Nº 39 - 20 a 27 de outubro de 2006
Não perca o Caderno R. Cultura, Educação e Entretenimento. Exclusivo para O Rebate on Line
Acontecências
Acontecências II
Acontecências III
Alô Galera
Amor
Astrologia
Coisas da Rua do Meio
Coisas da Rua do Meio II
Coisas da Rua do Meio III
Colunistas
Culinária
Direito do Consumidor
Direito do Trabalhador
Direitos Humanos
Jornais do Mundo
Liga Operária
Livros
Luta armada
Miséria humana
Movimento hippie
Pensamentos
Petrobrás/Petróleo
Pharmacia
Piadas
Pornografia
Procuras emprego?
Reforma agrária
Repórter fotográfico
Telefones úteis
Turismo
Umbanda
Ache seu imóvel!

As mentiras da ditadura:
a morte de Norberto Nehring

“Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta

De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta”

(Cálice – Chico Buarque e Gilberto Gil)

“Estejam seguras que qualquer seja meu destino, amei-as como poucos puderam gostar tanto da esposa e da filha.” Com essa mensagem, Norberto Nehring despedia-se da esposa e da filha, mas a verdade sobre sua morte só se revelaria muito tempo depois.

Norberto Nehring nasceu na cidade São Paulo em 20 de setembro de 1940. Era filho de Walter Nehring e Nice Monteiro Carneiro Nehring.

Mal chegara aos quatro anos e viu-se órfão de pai. Foi criado, juntamente com seus dois irmãos menores, pela mãe e pelos avós maternos.

Durante a infância costumava passar longas temporadas na praia do Guarujá com os avós paternos que moravam no Guarujá. Na casa deles, pelas mãos da avó, D. Ernestina, tomou gosto pelas orquídeas, aprendendo a cultivá-las.

Durante a adolescência despertou para a causa socialista devido a influência de um vizinho, judeu-comunista e empresário, chamado Simão.

Sempre se mostrou interessado e aplicado nos estudos. Estudou em escolas públicas até o ginásio. Ao término do ginásio, ingressou no colégio Mackenzie, onde optou por um curso técnico de química industrial, que lhe possibilitou trabalhar durante o dia e seguir os estudos à noite.

O amor e a militância

Norberto conheceu o amor de sua vida ainda na adolescência, Maria Lygia Quartim de Moraes, e com ela iniciou uma interessante vida intelectual.

“Norberto foi meu primeiro namorado, aos 16 anos. Juntos começamos a participar da vida intelectual nos primeiros anos da década de sessenta, com os festivais da MPB – com Caetano e Gil – com as peças do Teatro de Arena, o João Sebastião Bar, sem dizer da casa de meus pais onde, em torno de meu irmão mais velho, reuniam-se diversos tipos de rebeldes – da turma ‘beatnik' constituída por Jorge Mautner, Aguilar e Artur, ao poeta ‘maldito' Roberto Piva. Mais tarde, quando meu irmão ingressou no curso de Filosofia da USP, era ainda na casa de meus pais que se reunia, com outros tantos jovens intelectuais de esquerda da ‘Maria Antônia', para ler o Capital. Foi a parti daí que desenvolvemos nosso projeto universitário na USP”.

Em 1963, já trabalhando, Norberto ingressou na USP onde passou a cursar Economia, enquanto Maria Lygia iniciava o curso de Ciências Sociais. Casaram-se neste ano.

Em janeiro de 1964 nasceu seu outro grande amor: a filha Marta. Segundo Maria Lygia, ele queria que ela se chamasse Clio, em homenagem à musa da história, Kleió. Para homenagear o pai, Marta batizou uma de suas filhas como Cléo Maria.

Logo que iniciaram a faculdade também ingressaram no PCB. Maria Lygia afirma: “Como todos os jovens de esquerda de nossa geração tínhamos a maior admiração pelo corajoso povo vietnamita e pelo seu mais popular herói: Ho Chin Min. A mesma admiração pela revolução cubana e por Che Guevara, ‘Criar um, dois, muitos Vietnãs'. Acreditávamos que nós tínhamos de travar nossa guerra pela libertação nacional”.

Para o casal, o golpe de 64 significou o adiamento de um sonho, uma vez que mostravam-se grandes entusiastas das reformas de base e da modernização democrática.

A radicalização: opção pela luta armada

Norberto militou no PCB até o racha do grupo de Marighella. Passou a fazer parte desse grupo e trabalhou diretamente com Joaquim Câmara Ferreira (Toledo) na coordenação da ALN, em São Paulo.

Segundo sua filha, Marta Nehring a opção pela luta armada “não foi dele, mas de um grupo de pessoas oriundas de várias facções políticas de esquerda que acreditavam só ser possível combater a ditadura militar pela força das armas”.

Concomitantemente, continuava os estudos e a vida profissional. Durante esse período, Norberto distinguiu-se dos demais colegas como excelente aluno na Economia. Seu brilhantismo acadêmico o fez progredir rapidamente na vida profissional: entre 1962 e 1965 trabalhou na Brasilit , primeiramente como químico industrial e depois como estatístico. De 1964 a 1968 foi funcionário da Pfizer Química Ltda exercendo inicialmente a função de estatístico e, posteriormente, trabalhando como programador para o computador IBM 1401, sendo aprovado dentre os primeiros no curso de capacitação para operar tal máquina. Sua capacidade matemática também lhe rendeu alguns convites para se tornar instrutor.

Em 1969, ganhou uma bolsa de estudos na França, que infelizmente não pode usufruir.

Formou-se em 1967 e, imediatamente, começou a trabalhar em planejamento econômico no Grupo de Planejamento Integrado – GPI. Em 1968, tornou-se instrutor da cadeira de História Econômica, ficando responsável pelo curso, o que significou um grande desafio e esforço para Norberto, já que nunca havia dado aulas antes. No mesmo ano passou a cursar pós-graduação em Economia no Instituto de Pesquisas Econômicas da USP.

Ao mesmo tempo em que intensificava suas atribuições profissionais, também aumentava o seu envolvimento com a militância na ALN. Norberto integrava o grupo da ‘casa de armas' devido aos seus conhecimentos em química, sem contar na enorme confiança depositada pela coordenação da organização em sua pessoa.

‘Toledo', era uma figura constante na casa de Maria Lygia e Norberto. Nos finais de semana, com Toledo e Marta, saíam para fazer o levantamento de áreas em São Paulo e aproveitavam para passear em família.

Norberto tornou-se o elo de ligação com o grupo da ALN em Marília. Segundo Maria Lygia, a polícia chegou até eles pela chapa de seu carro.

A prisão

No dia 07 de janeiro de 1969, a tranqüilidade do casal foi abruptamente interrompida: um grupo de policiais do DOPS cercou a casa e levou Norberto preso.

Ele passou mais de dez dias na carceragem do DOPS. Logo que foi libertado passou a viver clandestinamente, pois sabia que voltaria a ser preso e torturado, como aconteceu com todos os outros acusados no mesmo processo.

É importante ressaltar que Norberto foi interrogado por um “policial federal” que gozava de grande consideração entre os torturadores do DOPS: Romeu Tuma, posteriormente envolvido em sua morte.

Marta explica porque Norberto foi preso “ meu pai fazia parte de um grupo da ALN que treinava secretamente a fabricação de explosivos. Era o chamado "Grupo de Marília". Tinha um agente infiltrado nesse grupo que delatou a todos.

A clandestinidade

Em abril de 1969, Norberto saiu do país tendo com destino Cuba. Sua esposa e filha o encontraram alguns meses depois. Norberto havia fugido da prisão, como conta a filha “e le não foi solto, ele fugiu da prisão. Era o dia do meu aniversário e ele foi solto em "condicional" prometendo voltar e não voltou. Foi para Cuba. Nós (eu minha mãe) não partimos com ele. Nós viajamos até a Europa e de lá, com passaporte e nomes falsos, fomos encontrá-lo em Cuba, onde ele estava fazendo treinamento militar” .

Norberto fez parte do chamado “Segundo Exército da ALN” que partiu para Cuba com a finalidade de fazer treinamento de guerrilha. Retorno para a morte Um ano depois, em 18 de abril de 1970, Norberto desembarcou no aeroporto do Galeão com dois companheiros e uma mala com fundo falso onde estava escondido o dinheiro da organização para dar continuidade à luta armada contra a ditadura. Chegando ao Brasil, Norberto foi preso e, provavelmente, morto sob tortura. Até os dias de hoje as reais circunstâncias de sua morte não puderam ser totalmente apuradas. A versão oficial atesta o seguinte: Norberto teria sido encontrado morto no dia 25 de abril de 1970, no quarto 21 do Hotel Pirajá, na Alameda Nothman, 949, centro de São Paulo, enforcado com uma gravata. Entre seus pertences estavam uma identidade com nome de Ernest Snell Burmann e um bilhete assinado Norberto e endereçado a Nice Monteiro Carneiro Nehring. Nessa época, Maria Lygia e Marta estavam em Paris. “ Nós fomos para Paris depois de ele já ter morrido, em que pese não soubéssemos ainda sobre sua morte. Como meu pai havia ganho uma bolsa de estudos em Paris, ele e minha mãe combinaram de se encontrar lá caso ele sentisse que as condições de luta no Brasil estivessem muito complicadas. Como ele foi preso e assassinado uma semana depois de chegar aqui, vê-se que não teve tempo de ponderar a decisão do retorno. Minha mãe tinha medo de voltar para o Brasil por motivos óbvios, ela seria seguramente presa e torturada para contar tudo o que vira em Cuba”.

Maria Lygia afirma ter sido informada sobre a morte de Norberto através de uma mensagem enviada por Joaquim Câmara Ferreira cujo conteúdo relatava o seguinte: “no dia 25 de abril um caixão teria saído da OBAN carregando Norberto, morto na tortura, nas mãos da equipe do delegado Fleury”

A despedida

O bilhete encontrado com Norberto era uma espécie de despedida da esposa e da filha:

Ia e Marta, minhas adoradas!

Cheguei no sábado aqui na terra e, tristeza, já estou frito. Frito!

Logo de cara dei com um cara conhecido da Pfizer, que arregalou os olhos. Isto deixou-me nervoso e também por um excesso de confiança terminei por usar meu nome na portaria do hotel... Que besteira! Custou-me a vida. Imediatamente segui para Niterói, mas eles não desgrudaram mais de mim. Fiz o possível, mas são sempre muitos à distância de 4 ou 5 ao meu lado. No domingo já estava eu em Campinas, depois Vitória e Belo Horizonte.E sempre eles, crendo que sou um grande líder, preparando emboscadas pelo caminho, a fim de surpreender os meus salvadores. Pensam também que viajei para buscar gente conhecida. Ora bolas!!! Fui viajando apenas para ver o que fazer , já que enquanto viajava eles seguiam sem me perder. Inicialmente também viajei para ver se estavam me seguindo mesmo, e com isso, o cerco foi estreitando. Depois de tudo, decidi vir para São Paulo simplesmente porque tanto fazia vir para cá como ir para qualquer outro lugar. Recuso-me a procurar a família: não vou envolver ninguém nisto neste momento e nesta situação.

Não fui preso até agora – procuraram desmoralizar-me. Querem saber para que vim aqui (sabe-se lá o que imaginam) ou quem vou procurar. Como se tivesse quem procurar!!!

Minhas adoradas, perdoem-me por isto – quer dizer, por morrer ou ir preso (e eventualmente morrer lá). Nesta vida a senda é estreita. Pesa para morrer. Estejam seguram que qualquer seja meu destino, amei-as como poucos puderam gostar tanto da esposa e da filha.

Da Martinha tenho três desenhos e guardo comigo teu isqueiro, Ia amada.

Com você tive os melhores momentos de minha vida. Sete anos de casamento, altíssima e (borrado) grande felicidade. Mas, enfim, ..., sensibilidade e sentimento de indignação que nos leva ao protesto.

Por favor, Ia querida, não volte para o Brasil; por bons tempos fique aí na Europa.

Não tenho certeza de que vocês receberão esta carta, mas pode ser que eles publiquem algo.

Tchau, Norberto.

Descobrindo a verdade

Com a abertura dos arquivos do DOPS tornou-se possível descobrir alguns elementos capazes de desmontar a versão do suicídio de Norberto. Um desses documentos revelou que a repressão brasileira estava bastante informada sobre os “exércitos” de revolucionários brasileiros que treinavam guerrilha em Cuba. Diante dessa informação, Maria Lygia disse o seguinte: “O que mais me parece insensato no retorno de Norberto pelo Aeroporto do Galeão foi o fato de entrar no país com um passaporte argentino, sendo que não tinha condições de sustentar esta identidade por problemas de sotaque”.

Outro documento bastante revelador encontrado no DOPS é uma nota à imprensa, assinada por Romeu Tuma, confirmando a versão oficial do suicídio.

Além desses documentos, alguns fatos revelam a intenção de esconder as verdadeiras circunstâncias da morte de Norberto: somente três meses após o suposto suicídio a família foi avisada. Sua mãe, Nice, realizou o reconhecimento do filho através da foto da identidade de Ernest Snell Burmann e pela letra do bilhete.

Estranhamente, a perícia local não foi solicitada, procedimento indispensável em casos de “suicídios”. Além disso, a família teve negado o pedido de exumação do corpo e de autópsia.

Norberto foi enterrado no cemitério de Vila Formosa, em São Paulo, sob nome falso. No mesmo ano de sua morte a família conseguiu transladar seus restos mortais para um jazigo familiar. No entanto, “entregaram o caixão lacrado. Não foi permitida a autópsia, apenas o reconhecimento pela arcada dentária” , como conta Marta.

Em 1970, o pai de Maria Lygia, Neddy Quartim de Moraes, chamado à 3ª Delegacia de Polícia para retirar os pertences de Norberto, pediu para ver as fotos da Polícia Técnica referentes à perícia local, porém o informaram que estas não existiam. Diante desta constatação, deslocou-se até o Hotel Pirajá e conversando com o porteiro, funcionário do estabelecimento há muito tempo, descobriu que não acontecera nenhum suicídio no local, conhecido bordel freqüentado por policiais e localizado próximo ao DOPS.

Outro fator importante: no Inquérito Policial há referências diferentes para a causa da morte. Na requisição para o IML a causa mortis é “asfixia mecânica por afogamento”. Já no laudo necroscópico, jamais encontrado, citado no relatório do delegado Casagrande, a causa da morte é “asfixia mecânica por enforcamento”, usando como instrumento uma gravata de fantasia.

No projeto Brasil Nunca Mais dois presos políticos denunciaram a morte de Norberto Nehring. Diógenes Arruda Câmara denunciou as atrocidades cometidas pelo governo militar e dentre os nomes de militantes mortos sob tortura citou Norberto Nehring. Já Paulo de Tarso Venceslau, contemporâneo de Norberto na faculdade, preso desde setembro de 69, declarou que no fim de abril, início de maio de 1970 era voz corrente entre os policiais do DOPS que haviam prendido o economista Norberto Nehring e o teriam eliminado em um dos hotéis da “boca do lixo”.

A Anistia Internacional também denunciou a morte de Norberto. A família nunca acreditou na versão oficial sobre a morte de Norberto Nehring.

Marta passou dois anos realizando uma longa pesquisa para descobrir as reais circunstâncias da morte do pai. De fato, constatou que o mesmo morreu sob tortura. Durante a análise dos casos apreciados pela Comissão Especial formada para validar a lei 9.140, o Estado foi responsabilizado pela morte de Norberto Nehring. A Comissão entendeu que a carta deixada por ele não era a carta de um suicida.

Marta dá sua opinião sobre a Lei 9.140 “foi insuficiente porque não contemplou todos os casos (teoricamente aqueles que morreram em confronto direto ficaram fora) o governo não se comprometeu a devolver os corpos dos desaparecidos, nem a abrir os arquivos do exército, nem a obrigar os agentes da repressão a se retratarem publicamente. Mas foi um primeiro passo muito importante”.

Além disso, não acredita os responsáveis pelos crimes durante a ditadura possam pagar por seus atos. Acho difícil. Alguns se suicidaram, mas tem os facínoras convictos que devem dormir com os anjos, achando que fizeram tudo certo. O mais grave, porém, é que muitos continuam fazendo a mesma coisa, vide os assassinatos de líderes rurais e as torturas a presos nas delegacias de todo o Brasil . Vide o massacre do Carandiru. O Ubiratan (assassinado recentemente em seu apartamento) é torturador dessa época”.

Marta fala do pai

Marta não se lembra muito de seu pai, pois tinha apenas seis anos quando ele morreu, mas diz o seguinte sobre ele: “ dizem que ele era um cara tranqüilo, muito esforçado e legal, amigo, bem humorado. Um ‘humanista'.”

Como conviveu pouco tempo ao lado do seu pai, comenta o que sente com relação a essa ausência: “Tenho algumas lembranças visuais muito bem guardadas, que começam quando eu tinha apenas um ano e meio. Como não veio nada depois, as lembranças ficaram. Como eu me sinto? Ora, perder um pai cedo é uma tragédia na vida de qualquer um. A falta é a mesma, independentemente da causa da morte. A grande diferença, no caso, é que havia um motivo político para sua morte. O retorno para o Brasil foi complicado, bem como aceitar minha identidade de brasileira após ter passado 6 anos cruciais da infância fora daqui. Fiz muitos anos de análise e faço até hoje, porque a violência política é uma coisa que assusta muito. Na verdade, tem aí vários pontos: a perda do pai em si, a morte sob tortura (a marca da violência) e o fato da esquerda ter perdido a batalha para a ditadura (o fracasso de um ideal que eu compartilho)”.

Para finalizar ela diz o seguinte: “Meu pai tinha um sentido de dever muito forte. Nas cartas que ele me mandava de Praga (na Tchecoslováquia), antes de voltar para o Brasil, sempre me dava instruções: como não sujar as tintas da aquarela que havia me dado, como ser legal com minha mãe, como fazer a ginástica do meu pé (eu pisava torto com um pé). Era o jeito dele ser pai à distância. Veja, nunca convivemos muito: ele ralava o dia inteiro e ainda estudava à noite! Acho que a maior convivência seria quando eu estivesse maior, mas não tivemos tempo para isso”.

As marcas deixadas pelos excessos da ditadura jamais poderão se apagadas, pois são marcas profundas. Mas será que, algum dia, os responsáveis por tantos abusos e tanta dor serão responsabilzados por seus atos como foi feito recentemente no Chile e na Argentina, países onde as ditaduras mataram e desapareceram com milhares de pessoas? Será que no Brasil os torturadores ficarão impunes? Qual é o preço dessa impunidade?


* Os depoimentos de Maria Lygia Quartim de Moraes foram retirados do Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos.

* Esse artigo é uma adaptação de um dos capítulos do livro-reportagem “Através das sombras, acima do silêncio ”.

Vanessa Gonçalves da Silva é jornalista formada na Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp) e mestranda em História Social na Universidade de São Paulo (USP) onde realiza uma dissertação sobre o papel e a importância das mulheres na luta armada no Brasil (1964-1985).

Contato: vangoncalves@gmail.com


Outros artigos

Recomendamos o Mozilla Firefox. Clique aqui para baixar a versão 1.5
© Artimanha