Fundado em 16 de abril de 1932

...Macaé, ano I, Nº 26 - 21 a 28 de julho de 2006
Colunistas
Adriano Benayon
Almir da Silva Lima
Ana Cristina Gama
Ana Lúcia Rabello
Andrei Bastos
Angela Maria
Antonio R. Nóbrega
Bruno Yuri
Carolina Oliveira
Ceci Juruá
Ciro Campelo
Cris Passinato
Cristina Vieira
Daniel Felipe Matos
David Hugo Peczenik
Denise Barreto
Denise Calixto
Edson Monteiro
Fabiana Madruga
Fernando Cruz
Giulianna Medeiros
Jeanne Dantas
João Martins
José Milbs
Langstain Almeida
Leilane Castro
Letízia Borges
Lidiane Sato
Luanda Cozetti
Lúcia Vaccari
Luciana Chagas
Lúcio Aguiar
Luiz Diniz
Manoel Barbosa Filho
Maria Cristina Lacerda
Mariana Gama Soares
Mariana Rotili
Marly Santiago
Milton Nunes Filho
Moctezuma Pinto
Monique Cruz
Naldo Velho
Patrick Francisco
Paulo José Nascimento
Pedro João Bondaczuk
Pollyanna Gomes
Rafael Cabral
Reinaldo M. Brandão
Renata Celeste
Rodrigo Costa
Roque Weschenfelder
Rosana Campos
Rui Nogueira
Selmo Vasconcelos
Thadeu Rabelo
Thaís Velloso
Vanessa Gonçalves
Vera Lúcia Gama

A RAINHA MILAGROSA

Roque Aloisio Weschenfelder

Metáfora, prima rica da literatura, tantos tributos a ela se rende, tanto lirismo dela se colhe, que, mesmo sem perceber, o escritor-autor sempre se lhe queda. Na selva emaranhada das figuras de linguagem e estilo é ela que se sobressai como uma árvore frondosa.

"O manto estrelado encobre a noite, a luz de teus olhos é o sol da minha vida, o rosto é o espelho da alma, tuas palavras são o rumor dos meus pecados,..." Expressões como essas são rotineiras, quase catacresadas, e ainda ornam poemas e crônicas, quase que ingênuas. Enquanto as emoções impregnam com versos singelos a poesia, a prosa ressente-se da dificuldade em ser genial, sem ser banal. Pode o poeta fazer metafóricas construções, encobrir o dito-escrito a todo momento, enquanto contistas, cronistas e romancistas precisam ser claros e diretos e, se quiserem que seus textos sejam literatura de qualidade, o todo deve ser uma grande metáfora de algum aspecto da vida.

Está a metáfora no perfume usado, na canção entoada e no copo derramado. Engloba um trio amoroso, um conflito de gerações, uma fumaça branca sobre a Capela Sixtina do Vaticano. Quem falar em "amor" torna essa palavra a copa da árvore. Dor, tristeza, saudade, lágrimas e felicidade, eis alguns exemplos da sinestesia que alimenta o cabadal metafórico dos artistas da palavra expressa, tanto na escrita como na musicada.

O construir belezas, o manusear linguagens, o despertar paixões, tudo reveste-se de literariedade, engalana-se de figuras para impressionar e arrancar do recôndito das almas sensíveis os suspiros aprisionados pelas agruras da realidade nua e crua que se apresenta no diário viver. Não é possível ondular os cabelos dos carecas, mas pode-se ver a lua cheia no crânio lustroso. Ninguém restitui os olhos a um cego, mas consegue-se fazer que ele enxergue com os olhos da alma. Sem as metáforas morreria a fé na esperança e sumiria a crença nas utopias.

No reino das palavras a rainha e sua corte preocupam-se unicamente em engalanar os textos com as vestes mais luxuosas possíveis. Ao desobedecer suas ordens o usuário deixa de ser cortesão e vira um plebeu do mundo materializado, consumista, desalmado. Não perceber a presença de tais figuras faz um leitor ficar alheio ao sentido do belo e faz perdê-lo o gosto pela leitura. Com isso instala-se em seu íntimo uma tristeza que o leva à depressão. Então ele vai ao médico que lhe receita remédios para comprar na farmácia. Só o fato de ter de tomar pílulas e infusões insossas aumenta sua tristeza e impede que se cure.

Conheço um médico que receita livros para doentes com depressão. Pede que os leiam e diz que custam menos caros do que remédios da farmácia. Consegue excelentes resultados e seus clientes não querem se curar para poder freqüentar seu consultório, que é uma verdadeira metáfora. Ele é intimo amigo da rainha e de suas cortesãs. Apresenta-as a seus clientes sem citar seus nomes, mas faz que esses se tornem íntimos delas. Em tal aprazível companhia ocorre a cura das dores da alma, se restaura a auto confiança e a libido, um verdadeiro milagre que permitiria a canonização do médico ainda em vida.

Os milagres operados por ele devem-se à arte dos autores dos livros que ele receita aos clientes, ao sábio emprego das metáforas nas construções dos textos e na impregnação delas, nas histórias contadas, como um todo.

Sem metáforas poderiam ser fechadas as academias, as bibliotecas, os museus, as casas de espetáculos. Também este texto não teria razão de existir.


Veja outros artigos de Roque Aloisio Weschenfelder

 

Acontecências
Acontecências II
Água
Amazônia
Bandido Negro
Candidaturas
Cartas do Rebate
Cinema
Classificados
Construção civil
Contos
Cotidiano
Crônicas
Culinária
Cultura
Direito do Consumidor
Direito do Trabalho
Educação
Educação artística
Empregos & Currículos
Entretenimento
Escaladas
Escultura em sabonete
Esportes
Estudante/Ensino
Eventos
Festival de Coros
Fotografia
História do Theatro
Homem de 2070
Índios
Justiça
Liga Operária
Livros
Luta armada
Materialização
Meio ambiente
Movimento hippie
Mulheres da História
Museologia
Música
Nossas ilhas
Nossos poetas
Opus Dei
Palavra de Filósofo
Pensamentos
Petrobrás/Petróleo
Piadas Brasil/Portugal
Poemas
Poesia
Procuras emprego?
Prova de amor
Rafting / Canoar
Recadinhos do Rebate
Reforma Agrária
Saúde
Sexualidade feminina
Telefones úteis
Umbanda

Configuração mínima: 800x600. Recomendamos o Mozilla Firefox. Clique aqui para baixar a versão 1.5
Criação e manutenção Artimanha