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...Macaé, ano I, Nº 26 - 21 a 28 de julho de 2006
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Pedro João Bondaczuk, 63 anos, é jornalista, radialista, redator publicitário, escritor e conferencista. Nasceu em Horizontina, no Rio Grande do Sul, em 20 de janeiro de 1943. É casado, tem quatro filhos e um neto. Iniciou a carreira, em comunicações, na Rádio Emissora ABC de Santo André em 1961, aos 19 anos de idade, tendo trabalhado em grandes emissoras de São Paulo e na Rádio Educadora de Campinas (atual Rádio Bandeirantes).

Em jornal, foi editor de Política Internacional do Diário do Povo, de 1979 a 1982 e de 1983 a 1998 foi editor do Correio Popular, tendo atuado em todas as editorias do jornal, em vários períodos diferentes. Publicou cerca de oito mil artigos, setecentos ensaios e trezentas crônicas na imprensa de Campinas e de várias cidades do Interior do Estado de São Paulo e também na internet.

Atualmente, é cronista do site Planeta News, de Miami, voltado à comunidade brasileira no Exterior. Escreve artigos semanais sobre jornalismo no site Comunique-se, do qual é editor do espaço "Literário".

Em 1992, foi eleito membro da Academia Campinense de Letras, na cadeira de número 14.

Em 1994, recebeu o título de Cidadão Campineiro, por decreto legislativo da Câmara Municipal de Campinas, pelo trabalho prestado na divulgação da cidade e dos seus meios culturais. Em junho de 2003 recebeu o Diploma de Mérito Jornalístico, outorgado pela Câmara Municipal de Campinas. Em julho de 2006 recebeu a Medalha Carlos Gomes, da Câmara Municipal de Campinas, por sua contribuição, como poeta, às artes na cidade.

Tem dois livros publicados: "Quadros de Natal" (contos, em 1991) e "Por uma Nova Utopia" (ensaios curtos, em 1997), lançado na "Décima-quinta Bienal Internacional do Livro de São Paulo". Tem outros 16 livros à espera de editor, entre os quais, três de poesias: "O poeta de alma azul", "Carrossel" e "Lições no Tempo". Venceu vários concursos de poesia, em Campinas e em várias partes do País como:

•  I Concurso de Poesias da extinta Academia Universitária de Letras e Artes e Centro de Estudos Tristão de Athayde da Faculdade de Filosofia, Ciências e Artes da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, em 28 de setembro de 1967, com o poema "Insônia".

•  Vencedor do I Concurso de Poesias do Centro Kennedy, de Campinas, em dezembro de 1974, com o poema "Dissimulação".

•  Vencedor do Concurso Literário da Biblioteca Guilherme de Almeida, de Sousas, em maio de 1981.

•  Participação no Prêmio Jorge de Lima do Instituto Nacional do Livro e do Ministério de Educação e Cultura em março de 1966.

Trabalhou, até janeiro passado, na Arte Brasil Publicidade de Campinas, onde fazia assessoria de imprensa.

É conferencista, tendo feito, desde 1986, mais de trezentas palestras, conferências e aulas inaugurais em universidades, escolas secundárias e centros culturais. A mais recente foi feita em sessão solene da Câmara Municipal de Campinas, em 7 de junho de 2006, sobre "Liberdade de Imprensa".


Civilização da solidão

Pedro J. Bondaczuk

Os tempos atuais são caracterizados, entre outras tantas coisas, por uma profunda solidão, que se abate sobre grandes contingentes de pessoas, gerando infelicidade, carências afetivas, neuroses, depressão e outros males psíquicos e físicos.

"Mas como?!", perguntará, admirado, o atento leitor, como que duvidando da sanidade do cronista. "Afinal, já somos mais de 6,3 bilhões de tripulantes na espaçonave Terra e, atualmente, nascem mais de três bebês por segundo em todo o mundo", dirá, com convicção, o mais bem-informado, como se apresentasse um argumento decisivo, que pusesse fim à conversa.

De fato, é o que ocorre. "Ademais", acrescentará, "os meios de comunicação são cada vez mais sofisticados, aproximando pessoas de todos os continentes; como os jornais e revistas que se multiplicam pelo mundo afora; os computadores, cada vez mais rápidos, simples e popularizados; o rádio e a televisão, onipresentes em nosso dia-a-dia; e o telefone celular, que permite a qualquer um falar diretamente com milhões de interlocutores, estejam onde estiverem".

Isto, é fato, não há como negar. Desde que acordamos, até o momento de nos recolhermos de novo, para dormir, mantemos contatos diretos e/ou indiretos com dezenas, centenas e, não raro, com milhares de pessoas em nosso convívio, quer familiar, quer profissional, quer social. Ainda assim...sem que na maioria das vezes venhamos a nos dar conta, estamos, de fato, real e irremediavelmente sós.

Tanto que o escritor francês André Malraux (1901-1976), especializado em assuntos políticos, de comportamento e de cultura (em 1959 assumiu o então recém-criado Ministério das Questões Culturais no governo do general Charles De Gaulle), assegurou, do alto da sua experiência e conhecimento, que de fato integramos "a civilização da solidão".

As comunicações que mantemos em nosso cotidiano raramente são pessoais, íntimas e intensas. Caracterizam-se, em geral, pelo formalismo, pela impessoalidade, pela frieza e pela formalidade. Parecem atos, gestos e palavras ensaiados, como se estivéssemos representando uma peça teatral num palco. E, de fato, estamos, mesmo que não saibamos ou não admitamos.

Raros se preocupam, de verdade, com o que o interlocutor é, com o que pensa e, principalmente, com o que sente. E a recíproca é verdadeira. Poucas vezes temos a oportunidade (e a confiança suficiente), para abrirmos, de fato, nossos corações a alguém, até mesmo aos cônjuges ou aos pais, para expressarmos, sem pudor, sem freios e nem restrições, nossas angústias, carências, temores, fraquezas e idéias. Em geral mostramos o que não somos e o que não pensamos, por medo de críticas e recriminações. Felizes os que encontram um ouvido generoso ou um ombro amigo e acolhedor para as suas confidências

Não raro, vivemos anos sob o mesmo teto com um punhado de pessoas sem que nos conheçamos, de fato, naquilo que realmente importa. Por isso, embora residindo em superpovoadas concentrações urbanas, algumas com populações equivalentes à de países (São Paulo, por exemplo, tem uma vez e meia o número de habitantes de Portugal), apesar de termos nosso espaço vital cada vez mais restrito e encolhido e da privacidade ter se tornado, literalmente, uma impossibilidade, somos, ou pelo menos nos sentimos, cada vez mais sós. Irremediavelmente sós!

Ademais, sem que sequer nos apercebamos, nos vemos coagidos a abrir mão da nossa individualidade, dos nossos gostos, do nosso jeito de ser, induzidos, sutilmente (pelo que se convencionou chamar de "educação"), quando não coagidos, à massificação. Concordemos ou não, temos que nos enquadrar em determinado sistema, ideológico, político, econômico, religioso e/ou social. Somos forçados a aderir ao que se convencionou chamar de "moda", que nos impõe o que e como se vestir, que tipo de alimento consumir, que espécie de lazer praticar e, até mesmo, como amar uma pessoa.

Experimente, por exemplo, caro leitor, sair à rua trajando fraque, cartola e usando um pince-nez. A primeira interpretação de quem o vir com esses trajes será a de que você está vestido para um baile de fantasias, principalmente se for tempo de Carnaval, ou para participar, como ator, de alguma peça de teatro. Mesmo que você aprecie esse traje, portanto, jamais o usará no dia-a-dia, a menos que não se importe de se expor ao ridículo.

Esta civilização, como assinalou Malraux, separa inflexivelmente, de todas as anteriores, "a posse dos gestos humanos". Massa. Temos que nos enquadrar na massa, mesmo que não concordemos com o que nos for imposto. Ou nos enquadramos, ou nos tornamos marginais, discriminados e, quem sabe, confinados num manicômio, como loucos perigosos.

Eminentes filósofos, como Aristóteles e Santo Tomás de Aquino, afirmaram que o homem jamais está, de fato, só e que nunca deve ficar, já que é um animal basicamente social, sobretudo político. A solidão, todavia, pode ter dupla interpretação. Do ponto de vista físico, num mundo com mais de 6,3 bilhões de habitantes, não há, de fato, como estar sozinho. Todavia, espiritualmente...Se levarmos em conta nossas diferenças de gostos, de sentimentos e de emoções, o processo genuíno de comunicação, salvo exceções, torna-se quase que mera abstração. Não somos entendidos e, em contrapartida, não entendemos os que nos cercam. E nos sentimos irremediavelmente sós...

*Jornalista, radialista e escritor. Trabalhou na Rádio Educadora de Campinas (atual Bandeirantes Campinas), em 1981 e 1982. Foi editor do Diário do Povo e do Correio Popular onde, entre outras funções, foi crítico de arte . Em equipe, ganhou o Prêmio Esso de 1997, no Correio Popular. Autor dos livros "Por uma nova utopia" (ensaios políticos) e "Quadros de Natal" (contos).

 

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