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'...Macaé, ano I, Nº 47 - 22 a 29 de dezembro de 2006
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RITA, LOUCAMENTE BRASILEIRA

Antes de falar sobre Rita, não dá para deixar de comentar a recente morte do Ditador Augusto Pinochet. ...pois é: o Pinochet morreu no dia 10 de dezembro, "Dia Internacional da Declaração dos Direitos Humanos" não foi enterrado no dia 11 e sim, cremado no dia 12. Foi num dia 11 do longínquo setembro de 1973 que Pinochet abriu uma das páginas mais macabras e tristes da América Latina. Mas, apesar de sua falta de humanidade, era apenas um homem, todos os homens morrem um dia. O mais lamentável nessa morte e que tem alguma relevância para a História é que o Ditador, uma das garras mais sanguinárias do Condor, morreu sem pagar por seus crimes, morreu em liberdade...!!! Soube hoje que Pinochet vai virar nome de rua em Santiago do Chile. E daí, isso é o de menos, como também não tem muito sentido as tediosas discussões de quem ele vai encontrar no inferno, sendo Fidel Castro o mais cotado pelos defensores de Pinochet...que bobagem! Fidel não encontrará Pinochet no inferno porque não existe inferno. E, não encontrará na História porque Fidel está entre os libertadores dos povos. Pinochet entre os traidores de seu próprio povo... são páginas bem diferentes. Para Pinochet a lama e a vergonha (coitados dos seus descendentes) para Fidel a glória de uma vida vivida com dignidade e coerência.

O que importa mesmo são seus crimes. Impunes. Quando isso vai acabar? os mortos e desaparecidos políticos ainda esperam um sepultamento digno e suas famílias um paradeiro de seus entes. Pinochet se foi impune, mas a História já o condenou...agora é lutar para mudar as leis e não permitir que mais assassinos deixem esse mundo envoltos em lençóis de seda depois de barbarizar suas vítimas e desaparecer com seus corpos. Não deixar genocidas morrer em liberdade é responsabilidade das sociedades democráticas.

Como também é responsabilidade dos membros de uma sociedade democrática analisar cuidadosamente a história de Rita de Cássia Sampaio Souza, baiana que esfaqueou um deputado federal. Desequilibrada? É no mínimo estranho que a assessoria do deputado ACM Neto (vítima do atentado) tenha tido tanto empenho em fornecer quase que, imediatamente após a agressão, um atenuante para Rita. No entanto, ela não parece louca, e sim motivada por uma forte desejo de vingança, raiva e desespero. Rita vive um inferno pessoal e responsabiliza o deputado ACM Neto pelo não pagamento do seu FGTS, referente, segundo ela, a sete anos de serviços prestados á Secretaria se saúde do município de Ipiaú ( a 355 Km de Salvador) onde mora. Declarou também estar indignada com o aumento dos deputados e senadores. Revoltada com os políticos do Brasil foi o motivo apresentado por Rita ao delegado da 16ª delegacia de Salvador.

O senador Antônio Carlos Magalhães soube do incidente com o neto quando discursava no plenário da Casa. “Uma atitude tão louca não merece comentários”, disse. E foi mais longe ao dizer que “não se pode nem punir uma mulher dessas, porque ela é inimputável. Para ter feito isso é uma louca”. A última frase do senador foi a que me chamou mais atenção: não quer punir Rita! Ora, é público q o senador ACM não tem entre suas qualidades as de ser “bonzinho e compreensivo” ainda mais quando se trata do seu clã. Então se não é compreensão, é pura arrogância. Alguns políticos nesse País se consideram quase divindades a ponto de achar que qualquer expressão de revolta por parte de seus eleitores quando quebram suas promessas de campanha, só pode ser provocada por loucura e insanidade.

Acredito que Rita não seja louca, tenho certeza que seu ato foi uma atitude extremada motivada por forte revolta que provavelmente se acentuou com o pequeno auto-reajuste de 90,7 por cento nos subsídios dos deputados e senadores.

Nada justifica uma tentativa de homicídio. Rita deve ser tratada pelo ato cometido durante seu “surto” de indignação. Mais importante que a facada no deputado, o ato de Rita mostrou como se sente o povo brasileiro diante desse aumento obsceno que os políticos se autoconcederam, enquanto grande parcela da população brasileira está à míngua, e várias categorias encerram o ano c/ reajustes miseráveis que transformam suas festas de fim-de-ano num verdadeiro inferno.

Rita deu uma facada nas costas de um deputado brasileiro depois de os deputados brasileiros darem uma facada nas costas do povo brasileiro. O momento é delicado e exige muita reflexão. Os políticos brasileiros têm de apreender que só após um amplo debate com a sociedade, podem tomar certas atitudes loucas como foi o auto-aumento que se concederam. Assim agem as sociedades democráticas.

Neusah Cerveira

Lembranças de meu pai, a pedido do meu Editor Milbs.

Hoje, dia 14 de dezembro é o dia do aniversário de Joaquim Pires Cerveira, seqüestrado pela Operação Condor na Argentina em 05 de dezembro de 1973 e morto nas dependências do doi-codi no Rio de Janeiro, em 12/13 de janeiro de 1974. O Major Cerveira nasceu em Pelotas/RS, filho de Auracella Goulart Cerveira e Marcello Pires Cerveira, Alferes da Cavalaria e dentista formado em Coimbra/ Portugal. O 3º entre 6 irmãos, 5 homens e uma mulher. Ficou órfão aos sete anos, quando por ser filho de militar foi mandado com seus irmãos, Marcello, João de Deus, José e Antônio para o Colégio Militar de Porto Alegre em regime de internato. Foi aluno brilhante, como seus irmãos. Sempre gostou muito de literatura e poesia a que se dedicou escrevendo para vários jornais do RS e outros Estados. Ingressou no Partido Comunista Brasileiro aos 13 anos, influenciado por seus irmãos mais velhos. Depois de concluir a Academia Militar de Agulhas Negras, saiu oficial e dedicou-se também ao magistério lecionando matemática quando conheceu aquela que viria a ser sua esposa, a "aluna" Maria de Lourdes, de origem italiana(hoje Historiadora) com ela teve três filhos: Joaquim JR; Jorge Armindo e Neusah Maria. Depois de muito viajar estabeleceu-se com a família em Curitiba/PR onde licenciado do Exército dedicou-se a política, sendo eleito Vereador. Por essa época já havia saído do PCB...bastante empolgado com a Revolução Cubana e com as idéias de guerrilha de Foco. Admirador de Fidel Castro e de Ernesto Guevara a quem recebeu em sua casa por um dia, o golpe civil-militar de 1964, já o encontrou engajado na proposta de uma Revolução Latino-Americana .


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