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'...Macaé, ano I, Nº 40 - 27 de outubro a 3 de novembro de 2006
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Rússia puxa as orelhas do Tio Sam.

O Kremlin aproveitou, neste sábado, dia 22.10.2006 a visita da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, para se manifestar contra as tentativas dos Estados Unidos de endurecer a pressão internacional sobre Coréia do Norte e Irã para que abandonem seus programas nucleares.

O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, exigiu que Rice não encurrale a Coréia do Norte com sanções, e que mantenha aberta a porta do diálogo. Lavrov advertiu que Moscou não permitirá que o Conselho de Segurança da ONU seja usado para "punir o Irã".

Lavrov pediu a Pyongyang que abandone sua retórica belicista, mas insistiu que os EUA e a comunidade mundial "não devem se deixar levar pelas emoções", e se abster de sanções, para deixar, assim, aberta a possibilidade de que sejam retomadas as negociações multilaterais.

A secretária de Estado chegou a Moscou no final de uma viagem na qual já passou por Tóquio, Seul e Pequim, para buscar a aplicação firme das sanções impostas pela ONU à Coréia do Norte em represália ao teste nuclear.

Ao chegar a Moscou, Rice pôs em dúvida a promessa supostamente feita à China pelo líder norte-coreano, Kim Jong-il, de não repetir o teste nuclear, sobre a qual informaram na véspera meios diplomáticos e a imprensa sul-coreana.

Rice também afirmou que a imposição de sanções a Pyongyang pode facilitar a adoção no Conselho de Segurança de medidas mais duras contra o Irã por seu programa de enriquecimento de urânio.

"Nos oporemos a qualquer tentativa de utilizar o Conselho de Segurança para punir o Irã, ou de aproveitar o programa nuclear de Teerã para promover planos de uma mudança de regime no país", disse o ministro de Exteriores da Rússia.

Apoio norte-coreano

O chefe da diplomacia russa apoiou ainda a reivindicação do regime de Pyongyang de que os Estados Unidos retirem suas sanções unilaterais contra a Coréia do Norte, como condição para a retomada das negociações de seis lados.

"A resolução dos problemas financeiros entre Washington e Pyongyang seria crucial para criar condições para a retomada das conversas multilaterais", disse Lavrov, sobre o grupo negociador formado por EUA, Rússia, China, Japão e as duas Coréias.

Ele acrescentou que o conflito bilateral entre Washington e Pyongyang surgiu à margem das negociações de seis lados e, portanto, deve ser solucionado independentemente delas.

"Isto deve ser compreendido tanto por Washington quanto por Pyongyang. É inadmissível adotar uma postura irredutível quanto a esse tema. As duas partes devem mostrar flexibilidade", afirmou.

Assim como a China, que, ao lado da Rússia, defende a Coréia do Norte, Lavrov disse que a solução só é possível mediante o diálogo multilateral, abandonado por Pyongyang em novembro de 2005, em resposta às sanções econômicas impostas pelos EUA.

Rice assegurou a Lavrov que Washington não tem como objetivo uma maior escalada deste conflito, mas, ao contrário, procura sua solução.

A secretária de Estado afirmou que o primeiro teste nuclear realizado por Pyongyang no último dia 9 foi "uma grave provocação, que ameaça a paz e a segurança internacional, especialmente na Ásia oriental".

Programa iraniano

Lavrov, por sua vez, disse que a Agência Internacional de Energia Atômica não tem fundamentos para afirmar que o programa nuclear iraniano tem caráter militar, e não apenas civil, como afirma o regime de Teerã.

Embora tenha admitido que o programa atômico levanta uma série de suspeitas, que devem ser esclarecidas por Teerã, ele afirma que isso não significa que exista uma ameaça à paz e à segurança.

"Só uma ameaça deste tipo poderia justificar a aplicação de sanções", afirmou.

Rice aproveitou a visita a Moscou para manifestar sua preocupação com o assassinato da jornalista e defensora dos direitos humanos russa Anna Politkovskaya, famosa por suas críticas à campanha militar na Chechênia e aos abusos contra civis.

Rice se reuniu com os diretores do jornal "Novaya Gazeta", meio independente russo para o qual Politkovskaya trabalhava. A jornalista tinha dupla nacionalidade - americana e russa - por ter nascido em Nova York em uma família de diplomatas soviéticos.



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