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'...Macaé, ano I, Nº 47 - 22 a 29 de dezembro de 2006
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Amor consumista

Parece que a política consumista da sociedade em que vivemos afetou também as relações humanas. Tudo é produto. E todo produto deve ser consumido e descartado. As pessoas aprenderam a não mais aceitar o amor. “Se a relação começar a ficar séria, pulo fora”, pensam alguns. A verdade já não vale nada. Tudo é moeda de troca. Vivemos num jogo de aparências onde devemos camuflar nossos sentimentos mais bonitos e fingir não gostar, com medo de sermos magoados. Pessoas chegam ao cúmulo de não suportar mais ouvir a verdade, pois já estão soterradas nesse mundo de vaidade e conquistas.

Antigamente, pessoas se magoavam ao saber que não eram amadas. Hoje acontece o contrário. Pessoas se magoam ao saber que são amadas, pois não querem apostar em relações que fogem ao superficialismo do mundo em que vivemos.

Entrou o amor em extinção? Viramos robôs que não têm o direito de sentir nada? Perderemos a chance de mergulhar no fundo do mar e ver a beleza do oceano, os corais, os recifes, os mais belos cardumes, para somente molhar os pés onde as ondas morrem?

Não, isso não é o que eu quero. E tenho certeza que ainda existem, embora sejam poucas, pessoas que pensam como eu. Pessoas que querem voar, ante a impossibilidade do amor.

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