Doação de órgãos
Maria Cristina Lacerda
Sempre lutei para difundir a necessidade de doarmos nossos órgãos e há
muito minha família já tem conhecimento da minha vontade de doadora, contudo
hoje gostaria de compartilhar de uma emoção única, que é de estar junto de
um paciente que recebeu um transplante de córnea.
Chamaremos de Renata a moça que aos 20 anos perdeu a visão e esperou por
dois anos por um transplante. Hoje pela madrugada recebi um telefonema dela
que havia chegado a hora e que o hospital telefonou para que viesse para
Campinas (ela mora em outra cidade) a fim de receber uma córnea.
Sua família é simples, o único membro que tem carro trabalha à noite e ela
precisaria vir de imediato a fim de fazer os exames preliminares e obter a
autorização da UNIMED. Fui buscá-la e a encontrei rindo e chorando.
Resumindo para que não tenham que ler as "babaquices" de uma
"sentimentalóide" emocionada: são 14 horas e 34 minutos, Renata já está à
caminho de sua casa e no prazo de dias começará a enxergar novamente.
Talvez não consiga fazer o transplante no outro olho, mas para ela, um olho
só já está "prá lá de bom" e poder ver o rosto do sobrinho de dez meses é a
glória suprema .
A emoção é indescritível para quem recebe e foi-me uma bênção estar ao lado
dela pois compartilhamos expectativa e esperança.
Também foi um alerta pois sei da responsabilidade de mais do que nunca
deverei "vestir a camisa da campanha de doação de órgãos" e é o que pretendo
fazer com muito entusiasmo doravante.
Peço a Deus que conforte a família que teve a nobreza do ato de doar e luz e
paz ao irmão que deu do seu corpo material.
Em alguns pontos, podemos até divergir quanto a nossas crenças ou opções
pessoais mas a oração que transcrevo abaixo e cujo autor desconheço, tem um
apelo muito forte e serve de reflexão quanto ao destino que daremos ao nosso
vestuário material:
"Oração do Doador Desconhecido
Não chamem o meu falecimento de leito da morte, mas de leito da vida.
Dêem a minha visão ao homem que jamais viu o raiar do sol, o rosto de uma
criança ou o amor nos olhos de uma mulher.
Dêem o meu coração a uma pessoa cujo coração apenas experimentou dias
infindáveis de dor.
Dêem o meu sangue ao jovem que foi retirado dos destroços de seu carro, para
que ele possa viver para ver os seus netos brincarem.
Dêem os meus rins às pessoas que precisam de uma máquina para viver de
semana em semana.
Retirem os meus ossos, cada músculo, cada fibra e nervo do meu corpo e
encontrem um meio para fazer uma criança inválida caminhar.
Explorem cada canto do meu cérebro. Retirem as minhas células, se
necessário, e deixem-nas crescerem para que, um dia, um menino mudo possa
ouvir o gritar em um momento de felicidade ou uma menina surda possa ouvir o
barulho da chuva de encontro à sua janela.
Queimem o que restar de mim e espalhem as cinzas ao vento, para que elas
ajudem as flores a brotarem.
Se tiverem que enterrar algo, que sejam meus erros, minhas fraquezas e todo
o mal que fiz aos meus semelhantes.
Dêem os meus pecados ao diabo. Dêem a minha alma a Deus.
Se, por acaso, desejarem lembrar-se de mim, façam isso com ação ou palavra
amiga a alguém que precise de vocês.
Se fizerem tudo o que pedi, estarei vivo para sempre."
Disque transplante unificado para todo o País. ... Fone: 0800 883 2323
"Brega" x "Chique"
É difícil estabelecer o que é um e o que é o outro, pois é uma questão de
costumes, de etnia e de época, variando conforme os tempos, por exemplo:
Deve ter sido ""chique"" para uma mulher ver seu parceiro utilizando
protetores para o pênis, confeccionados em linho ou a partir de intestinos
de animais. Tais protetores, porém, não possuíam função contraceptiva:
funcionavam como estojos. Eles protegiam o pênis contra galhos e picadas de
insetos durante as caçadas.
Na Itália Medieval quem estivesse em um banquete e não arrotasse após o
término era considerado uma pessoa sem classe.
Naquele tempo também, a maioria casava-se no mês de junho (início do verão,
para eles), porque, como tomavam o primeiro banho do ano em maio, em junho o
cheiro ainda estava mais ou menos. Entretanto, como já começavam a exalar
alguns "odores", as noivas tinham o costume de carregar buquês de flores
junto ao corpo, para disfarçar. Daí termos em maio o "mês das noivas" e a
origem do buquê explicada.
À partir de 1850 era hábito e diga-se de passagem, nem todos tinham como
fazer, mas fotografavam as pessoas mortas, em seus caixões. Estas
fotografias não serviam apenas para rememorar a morte do ente que se foi
entre os que estavam próximos na hora dos momentos finais de vida e na
morte, mas também, e principalmente, para ser enviadas para aqueles
parentes, próximos ou amigos, que não puderam assistir aos momentos finais
do ente amado. A troca de fotografias mortuárias tinha o sentido, aqui, ao
que parece, de assegurar aos que não puderam acompanhar o desfecho da morte
de um parente, a sua morte. Como uma forma de, ao comprovar, poder exercitar
o trabalho de luto em sua integridade. E, diga-se que o período de luto
nunca era inferior a um ano.
Morrer tísico já foi símbolo de romantismo uma vez que a tuberculose era
atribuída ao sofrimento da mocinha que perdia o namorado e a vontade de
viver ou à vida devassa e boêmia de alguns rapazes que pela noite, choravam,
incautos os amores não correspondidos.
Até algumas décadas atrás era comum os pais darem aos filhos óleo de fígado
de bacalhau, salamargo e Biotônico Fontoura ( hoje retornando às prateleiras
com nova fórmula).
Houve uma época no qual os jovens roubavam a peça cromada que recobria o
esguicho de pára-brisa do Volkswagen Sedan e faziam bijuterias e chaveiros
com ela, sendo um acessório muito importante e símbolo de "status" da época.
Imitar os "modelitos" de roupas e chapéus de Jaqueline Kennedy já foi muito
"chique" e os casaquinhos de Ban-lon era uma peça indispensável de qualquer
guarda-roupa feminino que se prezasse.
Ostentar no dedo uma aliança de metal pobre, igual outros todos, e ter em
lugar de destaque na sala o diploma atestando que contribuíram para a
campanha (convocada pelo o governo naquela época) "Dei Ouro para o bem do
Brasil", era símbolo de cidadania (até hoje conservo como relicário as que
meus avós, imigrantes portugueses, receberam ao doarem suas próprias
alianças de ouro).
Estou sendo "bokomoca"?
Sou gatinha? Sou perua? Estou "massa" "must", "bombando" ?
O que é "brega" e "chique", o que não mais é usado, qual é a moda atual?
Não interessa! Não tem a menor importância... Vale tudo, tudo muda e nós
mudamos, porém no meu entender alguns conceitos devemos assumir e vivenciar,
ou seja, valorizar o *ser* e não o *ter*.
Porém, em todos os tempos, a demonstração de inveja, de maledicência, de
intromissão, de desrespeito ao direito alheio, o uso de palavras chulas, da
mentira, do logro, e da falsidade, sempre foram e continuarão sendo vistos
como "*breguíssimos*".
Símbolo de "*status*" hoje é ser criativo, sendo nós mesmos, coerentes,
respeitando e aceitando o outro, perseguindo ideais, mas nunca utilizando
como escada o semelhante, sabendo economizar água, energia (usar aquecimento
solar, se possível), aderindo e colaborando com a reciclagem de lixo (não só
o material, como espiritual), participando de uma atividade voluntária,
tendo ciência e contribuindo com a preservação do planeta, buscando aprender
sempre mais e vivendo harmoniosamente, conosco mesmos e com todos.
A Rosa de Francisco de Assis
Embora não seja católica e o quê reporto a seguir pode não ser verídico, há
a demonstração de que diversas coisas podem fazer com a finalidade de
afastarem espíritos que possuem afinidades, não conseguirão pleno êxito,
pois o amor propicia milagres.
Francisco de Assis e Clara amavam-se com o mais puro amor , no entanto, as
pessoas não entendiam e procuravam afastá-los, sendo que uma delas era a
abadessa do convento que Clara estava.
Os momentos que o casal passava junto eram preciosíssimo. Em pleno inverno,
Clara ia encontrar-se com o amigo ( já haviam autorizado ), e, perguntou à
superiora quando poderia tornar a vê-lo. A senhora respondeu que seria no
momento em que a primeira rosa abrisse.
Clara estando com Francisco relatou o ocorrido e ele, olhou para o céu
apenas e em seguida começou a rir. Bem à frente dos dois, em meio à
imensidão branca, tudo coberto de neve, havia uma roseira e um botão de rosa
brotando.
Milagres acontecem, acreditemos.
Que Importa?
Que importa se a Inês foi morta, uma vez que cada relacionamento é uma nova
oportunidade de realização?
Que importa se ele é carnívoro inveterado e ela é vegetariana convicta, se
as carências são as mesmas a serem supridas?
Que importa se o salário dele é menor ou maior uma vez que em um casal cada
um é o complemento do outro?
Que importa se ela é muito mais velha ou mais nova, uma vez que idade é
estado de espírito?
Que importa se ela é mais alta ou mais baixa, uma vez que o valor de uma
pessoa não se mede por centímetros?
Que importa se ele ama country e ela é sambista, uma vez que os corpos na
cama dançam no mesmo ritmo?
Que importa se ela é doutora e ele operário, uma vez que estão vivenciar
sentimentos e juntos formarão vidas?
Que importa se ele é espírita e ela é evangélica, uma vez que o Deus é o
mesmo?
Que importa se ela é loira e ele é negro, uma vez que a cor da pele é uma
questão apenas de melanina?
Que importa se ela ama o mar e ele as montanhas, uma vez que o horizonte
vislumbrado por eles é o mesmo?
Que importa se ele é noctívago e ela dorme cedo, uma vez que para amar não
se tem horário?
Que importa se ela é exigente e ele relaxado, uma vez que ambos podem
aprender a fazer juntos as concessões?
Que importa se há diferenças uma vez que elas podem aproximar aqueles que se
amam em um exercício de aceitação mútua?
Nada importa quando existe o amor e a vontade de crescerem juntos, em um
relacionamento maduro no qual um terá a chance de assimilar novos
conhecimentos com o outro.
Benditas são as diferenças!
Cris Lacerda |