
Até aonde vai a robótica?
Letízia Borges*
O termo robô tem origem na palavra tcheca "robota" , que significa "trabalho forçado". O robô presente no imaginário da população teve origem numa peça do dramaturgo Karel Capek, feita em 1921, na qual existia um autômato (modelo matemático que reconhece uma linguagem e modela uma máquina) com forma humana, capaz de fazer tudo em lugar do homem. Mas não foi Karel que criou a palavra robô e sim seu irmão Josef, outro respeitado escritor tcheco.
Com o tempo foi criada a ROBÓTICA. As idéias mais antigas que se conhecem sobre a robótica datam de 350 d.C., e são de um grego chamado Archytas . Ele criou um pássaro mecânico e o batizou de "The Pigeon". Mas afinal, o que significa robótica? É a associação da tecnologia com o projeto, fabricação e aplicação dos robôs. Essa palavra foi utilizada pela primeira vez na história de ficção científica por Isaac Asimov. Nela o autor se refere às "três regras da robótica" que posteriormente foram usadas no filme "Eu Robô" (alguém se lembra?).
Há séculos que as pessoas tentam criar mecanismos para imitar partes do corpo humano. Assim, os Egípcios fizeram braços mecânicos que eram controlados por padres, os quais os cobriam com roupas e diziam estar atuando segundo inspiração dos deuses. O primeiro projeto documentado de um robô semelhante ao homem foi feito por Leonardo da Vinci por volta do ano de 1495. As notas de Da Vinci, redescobertas na década de 50, continham desenhos detalhados de um cavaleiro mecânico que era aparentemente capaz de sentar-se, mexer seus braços, mover sua cabeça e o maxilar. O projeto foi baseado em sua pesquisa anatômica documentada no "homem vitruviano". Não é conhecido se ele tentou ou não construir o robô.
Indiscutivelmente a tecnologia da robótica aliada a medicina tem trazido esperanças a milhões de pessoas que perderam alguma função corporal. As notícias são animadoras para quem teve, por exemplo, um dos membros amputados. Recentemente pesquisadores do Instituto de Reabilitação de Chicago desenvolveram um braço biônico que é capaz de receber impulsos elétricos dos nervos do paciente, ou seja, diretamente do cérebro. A primeira pessoa a receber a prótese experimental foi Mitchell, uma jovem de 26 anos que há dois anos perdeu o braço em um acidente de moto. Quando utilizava um modelo mais antigo de prótese, ela só conseguia mexer um grupo muscular de cada vez. Agora não. Eletrodos são implantados no seu tórax e recebem sinais dos nervos dos ombros. Como o cérebro não sabe para onde esses sinais estão sendo mandados, para ele não faz diferença se são músculos ou outros tecidos que os recebem. As sinapses ("ligações" entre os neurônios) são elétricas ou químicas(maioria), então os eletrodos captam estes sinais e assim o movimento é executado como ocorre com um robô. Pense no significado que isso tem na vida de uma pessoa, ter sua independência de volta!
Agora o que falta é a pessoa sentir frio, prazer e até dor, por que não? Isso só ocorrerá se a prótese conseguir mandar sinais para o cérebro. A via motora é eferente, o cérebro manda a informação. A via sensitiva é aferente, o braço manda a informação. Esta última via ainda não conseguiram "imitar" devido sua complexidade. É que ser Deus não é tão fácil quanto parece... .
"O mais valioso dos capitais é aquele investido em seres humanos."
(Alfred Marshall)
*letiziaborges@yahoo.com.br
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