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O RETORNO DE UM DESEJO
Leilane Castro Ele quase não viu a senhora, com o carro parado no acostamento. Chovia
forte e já era noite. Mas percebeu que ela precisava de ajuda. Assim parou
seu carro e se aproximou. O carro dela cheirava a tinta, de tão novinho.
Ele iria aprontar alguma? Ele não parecia seguro, parecia pobre e faminto.
Ele pode ver que ela estava com muito medo e disse: - Eu estou aqui para
ajudar madame, não se preocupe. Por que não espera no carro onde está
quentinho? A propósito, meu nome é Eduardo.
Bem, tudo que ela tinha era um pneu furado, mas para uma senhora de
idade avançada era ruim o bastante. Eduardo abaixou-se, colocou o macaco e
levantou o carro. Logo ele já estava trocando o pneu. Mas ficou um tanto
sujo e ainda feriu uma das mãos. Enquanto apertava as porcas da roda ela
abriu a janela e começou a conversar com ele. Contou que era de São Paulo e
que só estava de passagem por ali e que não sabia como agradecer pela
preciosa ajuda.
Eduardo apenas sorriu enquanto se levantava... Ela perguntou quanto lhe
devia. Qualquer quantia teria sido muito pouco para ela. Já tinha imaginado
todos as terríveis coisas que poderiam ter acontecido se Eduardo não
tivesse parado e ajudado. Eduardo não pensava em dinheiro, aquilo não era
um trabalho para ele. Gostava de ajudar quando alguém tinha necessidade e
Deus já lhe havia ajudado bastante. Este era seu modo de viver e nunca lhe
ocorreu agir de outro modo.
E respondeu: - Se realmente quiser me pagar, da próxima vez que
encontrar alguém que precise de ajuda, dê para aquela pessoa a ajuda de que
ela precisar. E acrescentou: e lembre-se de mim. Esperou até que ela saísse
com o carro e também se foi. Tinha sido um dia frio e deprimente, mas ele
se sentia bem, indo para casa, desaparecendo no crepúsculo.
Algum quilômetro abaixo, a senhora parou seu carro num pequeno
restaurante. Entrou para comer alguma coisa. Era um restaurante muito
simples, e tudo ali era estranho para ela. A garçonete veio até ela e
trouxe-lhe uma toalha limpa para que pudesse esfregar e secar o cabelo
molhado e lhe dirigiu um doce sorriso, um sorriso que mesmo os pés doendo
por um dia inteiro de trabalho não pode apagar. A senhora notou que a
garçonete estava com quase oito meses de gravidez, mas ela não deixou a
tensão e as dores mudarem a sua atitude. A senhora ficou curiosa em saber
como alguém que tinha tão pouco, podia tratar tão bem a um estranho. Então
lembrou-se de Eduardo.
Depois que terminou a sua refeição, e enquanto a garçonete buscava troco
para a nota de cem reais, a senhora se retirou. Já tinha partido quando a
garçonete voltou. A garçonete ainda queria saber onde a senhora poderia ter
ido quando notou algo escrito no guardanapo, sob o qual tinha mais 4 notas
de R$100,00. Existiam lágrimas em seus olhos quando leu o que a senhora
escreveu.
Dizia: - Você não me deve nada, eu já tenho o bastante. Alguém me ajudou
hoje e da mesma forma estou lhe ajudando. Se você realmente quiser me
reembolsar por este dinheiro, não deixe este círculo de amor terminar com
você, ajude alguém. Bem, havia mesas para limpar, açucareiros para encher,
e pessoas para servir, e a garçonete voltou ao trabalho.
Aquela noite, quando foi para casa cansada e deitou-se na cama, seu
marido já estava dormindo e ela ficou pensando no dinheiro e no que a
senhora deixou escrito. Como pôde aquela senhora saber o quanto ela e o
marido precisavam disto? Com o bebê que estava para nascer no próximo mês,
como estava difícil! Ficou pensando na bênção que havia recebido, deu um
grande sorriso, agradeceu a Deus e virou-se para o preocupado marido que
dormia ao lado, deu-lhe um beijo macio e sussurrou: Tudo ficará bem; Eu Te
Amo... Eduardo!
A VIDA É ASSIM... UM ESPELHO.. TUDO QUE VOCÊ TRANSMITE VOLTA PRA VOCÊ E
GERALMENTE EM DOBRO... ENTÃO PENSE EM TUDO QUE IRÁ FAZER.
MUITA LUZ PRA TODOS! |