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'...Macaé, ano I, Nº 33 - 8 a 15 de setembro de 2006
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Caminho para o sucesso

Leandro Pinheiro Domingues

Em que posição profissional você quer estar nos próximos seis meses? E nos próximo seis anos?

Caso você nunca tenha pensado no futuro da sua carreira, este é o momento de parar e refletir. Com a disputa acirrada no mercado de trabalho, o planejamento de carreira tornou-se fator primordial para conquistar espaços. Consultores dizem que traçar metas e objetivos de pequeno, médio e longo prazos são importantes para ser empregável (ter as competências e características profissionais que o mercado busca) e estar empregado (ter, efetivamente, um emprego).

Ao iniciar a faculdade, o jovem ainda não sabe o que esperar do mercado de trabalho, dali a quatro ou cinco anos. Mas este é o período ideal de tomar as rédeas da carreira e começar a planejar seu futuro.

Fazer muitos estágios, em empresas que dêem possibilidade de conhecer várias áreas, é o ideal. Segundo Ricardo Bevilacqua, diretor-geral da Thomas Case & Associados (consultoria de desenvolvimento de carreira), no início de carreira, é importante que o profissional busque experiência em diferentes empresas ou atividades, para descobrir o que gosta e o que não gosta de fazer, quais são seus pontos fortes e fracos. "É interessante tentar dois ou três estágios diferentes, de preferência em multinacionais, em que possa fazer atividades diversas".

Para começar a planejar que cargos deseja galgar, é preciso criar base profissional e ter experiências em empresas de porte, corporações líderes no setor em que quer atuar. "No começo da vida profissional, o ideal é ganhar aprendizado, para, quando olhar para frente, o profissional poder dizer ao mercado quais as responsabilidades e desafios teve e de que projetos participou", completa Bevilacqua. Gerente pleno de Produtos do laboratório farmacêutico Boehringer Ingelheim, André Vicente não desperdiçou as oportunidades na sua carreira.

Quando então era representante de Vendas e tinha terminado a faculdade de publicidade, ele concorreu com 20 pessoas para a vaga de analista de Marketing, e conseguiu. Cursos externos na área e 40 dias de imersão em inglês no Canadá fazem parte de seu currículo. "Não posso depender 100% da empresa. O profissional deve investir parte do salário para crescer", afirma.

Ainda são poucos estudantes que começam a desenhar seu futuro ainda na faculdade, afirma a consultora da Manager, Lenyta Diniz. Ela explica que a minoria começa o processo durante o curso superior, porque a maioria não tem maturidade profissional. Aos 30 anos, o profissional toma consciência de que precisa fazer um planejamento, traçar diretrizes e interesses. "Aos 30, o executivo conclui que a carreira está mal planeja ou busca um especialista. "A decisão de crescer é sua e não do mercado".

Neste momento, o primeiro passo é fazer uma auto-avaliação e tentar definir o valor que o executivo tem no mercado de trabalho. "Ele deve fazer essas perguntas: Quantos anos tenho? Quantas pessoas ocupam o cargo em que eu quero estar? O que essas pessoas têm de cursos, títulos, experiência que eu não tenho?", explica.

A partir daí, o profissional deve procurar se aperfeiçoar, fazendo cursos de língua, cursos de extensão, MBA. Tudo para desenvolver diferenciais no mercado. "Qual é o seu diferencial, para entrar na empresa, se reter e ser promovido? São estas questões que o profissional precisa analisar", explica Bevilacqua.

Antes de correr atrás dos diferenciais, uma pesquisa deve ser feita, para saber quais os requisitos necessários nas empresas desejadas. Em uma organização, o inglês pode ser mais imprescindível do que outras. O MBA pode servir para se especializar ou para mudar de carreira. Para alterar a área de atuação, o melhor é cursá-lo no exterior ou nas instituições mais reconhecidas. "O profissional deve sempre se preocupar em fazer algo que o destaque".

Esta foi a decisão de Avelino Fernandes, assessor de Planejamento e Projetos da Unimed-Rio, cargo de nível gerencial. Formado em publicidade pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Fernandes ficou durante 11 anos em uma empresa até sentir que a carreira não estava desenvolvendo-se como queria. Assim, Fernandes deixou a empresa, fez cursos e MBA e, tempos depois, foi contratado para a área de Marketing da Unimed-Rio. A saída da ex-companhia foi bem planejada e não foi uma decisão difícil. "Comecei na área de Marketing e agora estou na de Planejamento, mas não vou parar de estudar. Agora, quero fazer mestrado. Continuo planejando. O profissional não pode ficar parado, deixando a maré o levar. Sem planejamento, não há ambição", revela.

Segundo Lenyta, da Manager, o estilo "deixa a vida me levar" é cada vez mais raro entre os executivos. "São as raras as pessoas com esse perfil que sobrevivem no mercado", afirma. O período máximo em uma função, sem promoção, varia conforme o cargo e a empresa, mas quatro anos no mesmo cargo e sem perspectiva é o limite para o profissional procurar atualização. "A atualização depende mais do profissional do que da empresa", completa Lenyta.

Planos são importantes para ambos os sexos O planejamento da carreira é fundamental para qualquer profissional, homens e mulheres. Nem mesmo a maternidade deve impor restrições ao planejamento das mulheres. Segundo a consultora da Manager, Lenyta Diniz, diferenciar o desenvolvimento de homens e mulheres é um preconceito contra o sexo feminino. "A mulher tem que buscar se desenvolver e planejar sua carreira. A vida pessoal é conseqüência e não pode ser planejada".

A opinião é compartilhada por Ricardo Bevilacqua, diretor-geral da Thomas Case & Associados. Ele acredita que a maternidade não influencia no desenvolvimento da mulher. "O que geralmente ocorre é que quando os executivos, homens ou mulheres, têm filhos, passam a avaliar diferentemente a profissão, procurando mais equilíbrio entre vida pessoal e profissional e focando mais na qualidade de vida".

Empresas podem apoiar funcionários. Embora o planejamento da carreira deva ficar na mão do profissional, as empresas podem contribuir. Para elas, a principal vantagem é a retenção dos melhores funcionários. Estímulo sem paternalismo é a filosofia do laboratório farmacêutico suíço Novartis. Alessandra Ditt, gerente de Desenvolvimento Organizacional, explica que, assim que entra na empresa, o funcionário participa do plano de desenvolvimento individual. Neste processo, é incluído em projetos e treinamentos. No fórum de líderes, são discutidos os planos de sucessão da empresa. As competências requeridas para cada posição são comunicadas com transparência.

Para Alessandra, o desenvolvimento deve ser prioridade dos funcionários. "Não adianta a empresa indicar treinamento se ele não quer. A Novartis entende que a responsabilidade é do empregado, mas o estimula oferecendo oportunidades, bolsas para cursos de idiomas, graduação, pós-graduação e treinamento". O posicionamento tem dado certo, afirma Alessandra, pois a empresa tem bom índice de retenção. O diretor Comercial da Novartis, João Brito, diz que o apoio da empresa no planejamento da carreira é importante, já que o RH ajuda a ter momentos para pensar e discutir o que cada funcionário quer para o futuro. Formado em administração de empresas e economia, Brito sempre teve objetivos claros: queria chegar à posição de liderança, na parte de vendas ou comercial. "Sempre procurei conduzir minha carreira, sendo o piloto e não o passageiro. É importante discutir o próximo passo, tanto no médio quanto no longo prazo. Uma das maneiras de conseguir isso é discutir a carreira com pessoas relevantes, descobrindo seus pontos fortes e aprimorando os pontos fracos.

O feedback é importante para construir a carreira ". Apesar de todo planejamento, a entrada no segmento farmacêutico aconteceu de maneira casual. O executivo era responsável pelo atendimento da Novartis em uma agência publicitária e acabou sendo convidado a mudar de lado. Não se arrependeu, já que entrou em uma área que gostaria de conhecer melhor. Do marketing, Brito virou gerente regional de Vendas, comandando uma equipe de 120 pessoas, chegando a diretor Comercial. "Sabia aonde queria chegar e sempre me atualizava. Estava aberto para novos desafios, sempre apresentando bons resultados", completa Brito.

Fonte: Jornal o comercio

 


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