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O BRASIL E O NEOLIBERALISMO
juliane veríssimo
julianevlima@hotmail.com
Como bem trata Francisco de Oliveira no seu texto Neoliberalismo à brasileira, a ditadura militar deu o ponta-pé inicial para o desenvolvimento neoliberal no país, lembra que os dirigentes em liberais só que entre aspas pelo fato do liberal brasileiro ter sempre por trás de si um rancoroso autoritário" aqui o neoliberalismo encontrou "terreno fértil para uma pregação anti-social" a prova do preparo do terreno foi a eleição de Collor, Francisco observa ainda que a sociedade brasileira mostrou capacidade de organização contra a ofensiva neoliberal pela qual o pais passava e ainda passa, basta atentar as frentes criadas em defesa do trabalhador, ou seja aconteceu aqui um movimento contrario ao visto em outros paises, "um movimento contrario àquilo que indicava como sendo a derrota da sociedade", o impeachment pode ser citado como exemplo de organização da sociedade civil. Seguindo a ordem dos acontecimentos logo depois Itamar Franco assume a presidência e a inflação volta ao cenário , dando vida novamente ao projeto neoliberal, a chegada do Plano Real fez a economia se recuperar mas com a área social não é a mesma coisa.
O neoliberalismo entre nós afirma Francisco de Oliveira, é mutante e letal , visto que ele ataca as bases de esperança que foram construídas ao longo dos anos , ataca especialmente a organização popular que estava e está sendo construída, a esperança do povo vai ficando cada vez mais insignificante, haja vista a muralha de conservadorismo que faz questão de deixar de lado todo o passado de construção, de um novo estado livre da escravidão por uma busca pela igualdade com o mundo, ignorando todo o panorama social, a meta é estar cada vez mais próximo do império americano.
Otavio Ianni trata sobre a questão do neoliberal em seu texto O Declínio do Brasil-Nação, "O que caracteriza a encruzilhada em que se encontra o Brasil na transição do século XX ao XXI é o abandono e o desmonte do projeto nacional , com as suas implicações político-econômicas e sócio-culturais, e a implantação de um projeto de capitalismo transnacional , com as suas implicações político-econômicas e sócio-culturais. Está em curso a transição de uma nação em província , com a transformação do aparelho estatal em aparelho administrativo de uma província do capitalismo global. Mais uma vez, verifica-se que o Estado pode transformar-se em aparelho administrativo das classes dominantes; neste caso classes dominantes em escala mundial, para as quais os governantes nacionais se revelam simples funcionários. " ou seja ele fala de uma espécie de desmontamento de um projeto de capitalismo nacional e da instalação de um capitalismo transnacional .
Com o governo FHC e até antes dele, as previsões de um futuro governo neoliberal, já havia sido constatada e a indignação com o fato do conluio intelectual, antes disfarçado de esquerda, pode ser vista no texto de Jose Paulo Netto em Pós Neoliberalismo: As Políticas Sociais e o Estado Democrático " O que me assombra, porém é não é esse insuspeitado camaleonismo; o que me assombra é o fato de não constatar , entre os intelectuais nenhum sentimento de indignação ou repulsa diante desse enorme processo de capitulação." A brilhante afirmação aponta diretamente para a questão da falta de preocupação da "elite pensante" como futuro social do país .
A confirmação de todas as previsões pode ser vista com o numero de privatizações, com elas há a transferência e concentração de riqueza, mas é certo dizer também que não há criação de novas riquezas; como é lembrado no artigo da revista Carta Capital de 20 de agosto de 1997 "O estado deixa de ser desenvolvimentista e volta a ser o velho estado patrimonialista dos anos pré- Vargas." ou seja o estado deixa de ser impulsionador de crescimento, e cumpre o papel de facilitador do empresariado, alem de que, as privatizações fazem parte de um processo de transferência de riqueza .
CONCLUSÃO
A onda neoliberal está explicita também no governo Lula com seus projetos assistencialistas que na verdade servem apenas pra querer tapar o sol com a peneira , e tornar os problemas menores aos olhos do povo, mostrar a ação do governo, sempre bondoso com os menos favorecidos , o que na realidade deveria ser prioridade e não uma medida assistencialista, "O comprometimento crescente do governo com o neoliberalismo significa o abandono de qualquer compromisso social, salvo na retórica. Fala-se no Fome Zero, mas isso é uma retórica vazia, porque o problema do país não é dar um prato de comida para o faminto, e sim dar emprego para as pessoas não perderam a sua dignidade. Para que um governante saiba o que é a dignidade dos humilhados e ofendidos, dos desempregados, daqueles que vão receber um prato de comida, é preciso ter uma visão de conjunto que implica em ter um sentido de nação, que não está se revelando no governo atual. " é o que afirma Octavio Ianni numa analise feita para o jornal da UNICAMP em 14 de julho de 2003 e publicada na edição de 15 a 21 de agosto de 2005.
É preciso que haja a constatação dos vícios desse tipo de política , visto que sempre trata a questão da desigualdade social com medidas assistencialistas no caso do Brasil, com muita propaganda de impacto, favorecendo em certa medida que a opinião do povo seja favorável ao governo, e de pouca expressão efetivamente , ou seja sem assistência real e/ou abrangente , fica sempre a impressão de assistência de cunho populista e nada mais, essas praticas são se restringem apenas ao estado, a iniciativa privada também vem de certa forma banalizando a questão do assistencialismo, ou melhor vem utilizando este para tornar seus empregados cada vez mais reféns da empresa, é a tal dinâmica proposta pelo modelo neoliberal, ou seja priorizar as relações de mercado.
O sistema capitalista não foi renovado com o projeto neoliberal, já no plano social teve seus objetivos alcançados basta observar a desigualdade crescente no país. O mais importante desse processo neoliberal, pelo menos no Brasil é a negação deste por parte das organizações sociais, é preciso dar consciência a população que com o crescimento neoliberal a "tentativa de destruição da sociabilidade", tornando a vida da maioria cada vez mais difícil, já que as organizações de luta popular são coagidas a aceitarem as imposições do estado.
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