Quais os caminhos da reforma agrária?
Faça uma pequena reflexão e tente se lembrar em que época de sua vida alguém lhe ofereceu emprego, dinheiro, terras... Faça um esforço. Não se lembra, não é mesmo?
Há muitos anos, o que temos observado são políticos prometendo reforma agrária, são grupos (des) organizados, promessas e reivindicações sem qualquer lógica. Perdoem-me os críticos, mas é inaceitável "entregar a vara, colocar a isca, pescar e preparar o peixe".
Lembro-me de quando meu pai me educava para a vida, me obrigava a enxergar que para se conseguir alguma coisa na vida, era preciso lutar muito, fazer valer um esforço baseado em muito trabalho e suor.
Aos 11 anos de idade, a necessidade me obrigou a ingressar na guarda-mirim, uma entidade que encaminhava os garotos para empresas que necessitavam de pequenos serviços, que ensinava a importância da responsabilidade, do compromisso com a ética, bons exemplos, enfim, preparava milhares de garotos para o futuro. E nos últimos 32 anos, não foi diferente, pois aprendi que se queremos de fato alguma coisa temos que lutar muito por essas conquistas.
Ainda na adolescência, após a separação, via minha mãe enfrentando turnos em fábricas para não deixar nada faltar dentro de casa, para vestir a mim e aos meus irmãos, para comprar o material escolar. Foi uma adolescência de muito trabalho e determinação, sem tempo para a infância, pois só conseguia olhar para o meu futuro, me preparar para a vida.
E até hoje tem sido assim, dia após dia tem sido uma grande luta para conquistar sonhos, para buscar a realização profissional e enfrentar as adversidades impostas pela vida. Nada, absolutamente nada, veio de forma fácil, nem mesmo o conhecimento por mim adquirido.
Não quero aqui, criticar ou condenar determinadas atitudes. Mas gostaria de entender como é que pode um grupo de supostos líderes de movimentos sem-terra, exigir que o governo resolva o problema, desapropriando fazendas, devolutas ou não e simplesmente lhes entregar tudo de maneira fácil. Devemos lembrar que uma vez assentados essas terras são vendidas pelos próprios "assentados", que então partem para novos movimentos. Muito fácil conquistar terras desse jeito. Também quero meu pedaço de terra.
Não quero desmerecer tais reivindicações, mas não posso apoiá-las também a partir do momento em que tudo, absolutamente tudo em minha vida foi conquistado com muito trabalho. Os mais desinformados poderiam dizer que nasci em berço de ouro, o que seria um ledo engano, ou poderiam achar que abordo tal assunto porque tive uma vida fácil.
Não pretendo colocar-me como exemplo, mas preciso ter um mínimo de conhecimento de causa para abordar um tema tão delicado quanto a reforma agrária. Está em toda a mídia, os grandes movimentos de sem-terra, de sem-teto, dos sem-nada. Muito fácil marchar em direção à Brasília ou em qualquer outra direção exigindo posicionamentos governamentais. Muito fácil manipular a ignorância em favor de interesses excusos.
Tudo o que temos visto até agora, são ataques de vandalismo, invasões de terras produtivas, desapropriações forçadas, colocando em risco até mesmo a vida de pessoas inocentes. Os movimentos são os mesmos, as promessas são as mesmas, as pessoas são as mesmas. Mas nada muda, o cenário vai tornando-se cada vez mais sombrio.
De tudo isso, só concordo com uma coisa, ao longo dos anos, com ou sem a conivência de governantes, observei que poucas pessoas tiveram regularizadas suas invasões, em todos os estados, em regiões litorâneas, enfim, uma verdadeira invasão organizada. Invadia-se, conquistava-se o título provisório e nasciam novos fazendeiros, novos latifundiários. Mas não vi, até hoje, uma promessa de recadastramento de terras em todo o país, recuperando-se as terras tomadas da união a olhos vistos. Qual a função do Incra? Ninguém sabe, pois parece que não existe uma função real.
Que o novo governo possa enxergar que atitudes concretas devem ser tomadas. Não entregando terra da forma fácil como os organizadores dos movimentos exigem, mas fazendo um rigoroso recadastramento, antes de qualquer coisa.
O Brasil é um país rico. Uma grande prova está nos resultados conquistados pela Petrobrás, que vem descobrindo, ao longo de tantos anos de pesquisa, novos fontes alternativas de energia. Já somos auto-suficientes em petróleo, recentemente foi descoberta, em Santos, uma das maiores fontes de gás natural do mundo. Em breve, não precisaremos mais depender do gás fornecido pela Bolívia. Além disso, ainda temos o álcool, que deveria ser nosso principal combustível.
Pode parecer uma confusão de temas, mas vamos amarrá-los. Gostaria de saber porquê o governo, ao invés de dar terra a quem pede, sem qualquer esforço, não cria uma nova alternativa de trabalho, de assentamento, de produção em beneficio do Pró-alcool. Dessa forma, estaria gerando empregos, dando melhores condições de vida a quem realmente perecesse, criando sua própria produção de cana-de-açúcar, libertando-se de usineiros que em algumas ocasiões controlam o preço daquele que deveria ser o nosso maior combustível alternativo, transformando-se em uma grande fonte de riquezas no país.
Então, por qual motivo não assentar os chamados sem-terra, em terras administradas pelo próprio governo, criando condições reais para que possam trabalhar e conquistar o direito pelas terras, com contratos reais e sérios, ao invés de aceitarem as imposições de alguns pretensos líderes de movimento? Não seria mais conveniente "ensinar a pescar" do que dar o peixe pronto para ser comido? E que se não fosse no plantio de cana-de-açúcar, que fosse qualquer outra espécie de cultivo que pudesse resolver problemas tão comuns dentro do próprio país? O que está faltando para que nossos governantes acordem para tais soluções?
Eu também gostaria de entender, meu caro leitor. As eleições estão aí. O que vemos é a manipulação em massa de um povo muitas vezes ignorante à revelia. Está mais do que na hora de eleger representantes com comprometimento diante da grandeza do Brasil e engajados na busca por soluções objetivas e definitivas. Não adianta "tapar o sol com a peneira", ou construímos um país sério e fazemos valer nossa real soberania, ou seremos vistos sempre como um país selvagem, de terceiro mundo, o que, ao meu ver, está muito longe de sê-lo. Temos um país rico, mas está passando da hora de administramos nossa pátria de maneira digna e séria. Pense nisso antes de eleger os representantes que estão lá para facilitar a vida do povo brasileiro e não a sua própria, que é o que temos observado constantemente.
Uma boa semana para todos, repleta de muita reflexão.
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