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...Macaé, ano I, Nº 20 - 9 a 16 de junho de 2006
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Rock

João Carlos de Campos

Queria antes de começar a coluna desta semana corrigir um erro. O nome da banda da semana passada se esrcreve assim: Kadukos e não como foi publicado na reportagem da semana passada.

Existe vida após o sucesso

A banda que ficou conhecida por culpa de Ana Julia, agora investe em caminhos inéditos na música brasileira.

Eles não tinham nome de banda de rock, não tinham a cara do rock e não faziam rock.

Mas mesmo assim conseguiram que George Harison, dos Beatles, regravasse o maior hit da banda. Coisas que nossa vã filosofia musical nunca irá explicar. Eles talvez até tivessem em mente fazer algo diferente, mas como é de praxe na indústria musical, uma possível revolução virou um concreto samba do crioulo louco.

Juntos e misturados com tudo que tocava no rádio, os Los Hermanos em seu primeiro disco faziam o famoso rock cafona, aquele hardcore californiano com dor de cotovelo, trompetes que contrastavam com berros .

Assim, com Ana Julia, eles entraram no mainstream. Mas pareciam ser mais uma banda de uma música só.

O segundo disco (Bloco do eu sozinho) demorou a vir, e veio sob grandes expectativas. A crítica esperava ansiosamente para falar mal e os fãs (que mudam de banda como mudam de roupa) queriam logo sair cantando novas musiquetas fáceis e vazias.

Só que os hermanos deixaram a barba crescer, encorparam o som, elaboraram melodias, calaram a crítca e fizeram seus pseudofãs procurarem abrigo em outra vizinhança (quando deus te desenhou... e por ai vai) .

O terceiro disco (Ventura) também foi assim. Só que mais melancólico, menos rock e mais samba. Destaque para a belíssima o vencedor. Uma música que Chorão e companhia limitada vão ter que morrer e reencarnar umas 50 vezes para pelos menos chegarem perto.

Ai então veio o quarto disco, simplesmente impecável. Do nome à capa ,das letras às músicas. Algo que está a anos luz do que tem se feito em matéria de música no Brasil (pelos menos do que tem tido repercussão). Melodias muito bem elaboradas, e letras...

Inexplicáveis só ouvindo mesmo.

O interessante é que mesmo com esse progresso musical os Los Hermanos, não viraram uma banda underground. Pelo contrário ainda tocam na rádio -só esse ultimo disco emplacou três músicas. E agora possuem fãs, legítimos e assíduos, que não pretendem abandonar a banda diante do próximo número um das rádios.

A história da banda pode ser resumida em um parágrafo: Eles entraram para o mundo pop, viram que não valia a pena e saíram novamente. Só que para sua reclusa, levaram algo de muita importância. Um documento que lhes dá o direito de voltarem a qualquer momento e saírem quando quiserem, sem criar maiores vínculos. O nome desse documento é; música boa. (0)

Quando e como...

O disco foi lançado ha quase um ano, mas como tudo o que é bom só agora ele amadureceu. Por isso leia a baixo a crítica faixa por faixa .

Dois barcos: Bucólico, sinfônica, perfeita para ouvir passando manteiga no pão. Parece trilha sonora de algum drama (Walter Sales, talvez.).Simplesmente poética.

Primeiro andar: Começa meio Coldplay (15 segundos), se desenrola Radiohead . Até se tornar um pop bem feito londrino e brasileiro. Ideal ouvir depois de um dia daqueles no trânsito engarrafado do Rio.

Fez -se mar: A mais mpb do disco. Leve, elaborada, simpática. Seria sucesso caso a indústria respeitasse mais o público. Totalmente praia ensolarada logo ao amanhecer ou ao entardecer. Termina com um solo psicodélico.

Paquetá: Meio salsa. Letra acebolada com o tempero literário peculiar de Rodrigo Amarante. Para dias ensolarados e entusiasmados.Paquetá.

Os pássaros: Da euforia à melancolia extrema .Meio valsa, efeitos de eco na guitarra, voz carregada. Para dias nublados de insatisfação plena.Lembra Belle and Sebastian.

Morena: Leve otimista ,até o refrão ; um tango destorcido. Depois retorna a melodia do começo. Pop rock dos bons. Para ouvir tomando cerveja no fim da tarde .

O vento: A mais los hermanos do disco.Também otimista. Dá início à parte mais rock do disco. Para cantar debaixo da chuva em um dia especialmente bom.

Horizonte distante: na minha opinião a melhor do disco. Começa pesada, batida seca e simples, pequeno solo. Refrão melódico (vocal que sobe e desce). Termina novamente simples e direta.Sem se torna pobre.

Condicional: começa praticamente junto com o final de horizonte distante , pesada e poética. Lembra álbum branco dos Beatles. Para ouvir na estrada a mais de cem (só não se esqueça do cinto).

Sapato novo: A mais bela do disco, simples, mas muito bem arranjada. Letra impecável, filosófica e introspectiva. Para ouvir naqueles dias em que você não quer sair da cama. Paulinho da viola e John Mayer.

Pois é: Mpb-Rock, com interferências de guitarras meio Pearl Jam. Deu tudo errado mais e daí! Não é fútil ou covarde é sincera. Boa para ouvir voltando para casa a pé as 4 da manhã.

È de lagrima: Bem cara de fim de disco parece ser tocada ao apagar das luzes. Resumi o disco musicalmente e filosoficamente. Bucólico e moderno. Melancólico e otimista. Mais que uma musica uma visão de mundo. Para ouvir...Sempre!


Os tiros silenciam as notas

Segunda de manhã abri a internet. Automaticamente cai na página de notícias do provedor. Não era o que eu queria, mudei o endereço e apertei enter. Enquanto mudava a página corri o mouse, e vi uma notícia que me chamou a atenção. Guitarrista é morto na zona norte. Tentei voltar, mas era tarde.

Até então não sabia que se tratava de Rodrigo neto do Detonautas. Sem saber que era me tratei apenas de observar o fato, não individuo.

As bandas que eu cresci ouvindo, acabaram porque sempre havia alguém que morria. Mas eram mortes diferentes, românticas, os roqueiros morriam na tentativa ,ilimitável, de transcendência pessoal. Eram mortes súbitas e contraditoriamente previsíveis. Alguns faziam até discos temáticos que narravam o fim da vida (foi o caso do Nirvana ,em, in utero).

Roqueiros (artistas em geral) eram rebeldes até o último minuto de vida. Eram incontroláveis escolhiam a hora e morriam, nunca, jamais, eram mortos. De um tempo para cá as coisas mudaram. O interesse de tornar mercadoria - raiz do capitalismo - tudo o que estivesse pela frente, repercutiu no mundo das artes. A falta de respeito da indústria cultural com o público e a ganância sem freio dos mecenas enjaulou a arte.

O artista, além do compromisso de criar (antes único),passou a ter que pagar contas. Para tanto era preciso que suas obras pudessem ser absolvidas pelo mercado. A fuga da existência banal, se tornava impossível . A arte se tornou técnica, e os artistas operários culturais. Ousadia e vanguarda foram trocados pelo pragmatismo empreendedor. O rock passou a nascer velho, nenhuma banda de rock se dava ao luxo de chegar ao sucesso com integrantes com menos de 20 anos. Pelo contrário a música estava calva, velha e clichê.

Deste modo o os roqueiros (semideuses de outra época). Desceram do altar, e passaram a viver comumente. O rock não morre mais afogado nos próprios sonhos. Morre em um domingo(o dia sagrado) fugindo de um assalto para proteger a família.

# Esse artigo é pela memória de Rodrigo Neto e principalmente pela memória da arte nos tempos modernos.


Biografia

Nome : João Carlos de Campos Ribeiro Martins .

E mail : jodecampos@yahoo.com.br

Apresentação: João ,nasceu em poços de caldas dia 30 de março de 1987 . Cresceu lá e se mudou aos 17 anos para o Rio para cursar jornalismo. Quando criança costumava jogar botão e ficar narrando em voz alta as partidas. Decidiu então ser jornalista.

Mais tarde descobriu que jornalista além de narrar futebol fazia outras coisas . Em sua adolescência se desinteressou por jornalismo. Queria ter uma banda, não queria fazer faculdade. Mas como ele mesmo disse " nunca foi um grande baterista se destacava mais pelas letras que compunha " .Tocou em algumas bandas, mas não passou dos dez shows.Por insistência participou de alguns concursos de poesias às vezes até com heterônimos.

Voltar a se interessar pelo jornalismo novamente em 2002. Quando para acumular pontos na escola em matemática (sua pior matéria) ,participou de um concurso estudantil de cinema . Seu filme (Deus salve a América) foi indicado em 5 das seis categorias e venceu duas (melhor filme e melhor roteiro) . Esse filme lê rendeu uma entrevista em um jornal local .

Por culpa dessa entrevista conheceu Jorge fontes um jornalista que lhe esclareceu detalhes sobre a profissão. Mostrou que o jornalismo pode ser a pior e melhor profissão que uma pessoa pode escolher .

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