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...Macaé, ano I, Nº 26 - 21 a 28 de julho de 2006
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Música

Hoje ainda é dia de Rock ! (Parte I)

Devido ao aniversário do rock vou me dedicar nas próximas quatro semanas a
falar sobre os quatro maiores discos de rock da história, na minha
opinião.

Ele pode ser chamado de senhor, tem idade e tamanho para isso. Mas se for
pela idade acho que ele não vai gostar muito. Pelo tamanho, sim, ele merece
ser chamado de senhor. Senhor rock. Mas acho que ele se sentiria
envergonhado por ser chamado assim. Por mais respeito que ele mereça, ele
dispensa cerimônias. Por mais serio que ele seja, ele mesmo não se leva a
sério.

O rock essa semana ( 13/06) completa cinqüenta anos. Não dá para saber
ao certo até que ponto essa data pode ser verdadeira. Esse menino rebelde (
acho que assim fica melhor do que senhor) não porta nenhum tipo de
documento de identificação. Prefere se apresentar, assim, como Raul fazia,
através de seus discos.

É verdade que vossa excelência o rock n'roll anda meio ranzinza. Não
se levanta mais para dançar ou tirar sarro de tudo. Prefere panfletar e
dissertar sobre os problemas do mundo.

Mas onde estiverem três ou mais jovens cabeludos reunidos, saiba que
o rock está lá. Amem!

Quarto lugar:

Nevermind- (nirvana 1991)

Que porrada! Foi isso que eu disse quando ouvi esse disco, pela primeira
vez. Lembro-me bem, foi presente do meu pai, tinha 12 anos, e o que mais me
convidou a ouvir esse disco foi a capa. Não fazia a menor idéia de quem era
Kurt Cobain.

Justamente por ela, a capa, que eu vou tentar decifrar esse disco. Um
bebê nadando atrás de uma nota dentro de uma piscina. Talvez uma crítica
dupla; primeiro que tudo já nascia muito profissional naquele momento,
faltava despretensão ao rock. Segundo, que o se dizia chocante, tal qual o
punk e o heavy-metal, eram como aquele bebê pelado na piscina; buscando o
dinheiro como oxigênio.

Á partir dessa crítica, o nirvana, apresentava uma nova proposta para o
rock. Um rock panfletário, não tão anárquico quanto o punk e nem tão farofa
quanto heavy-metal daquela época. Nada de superprodução e virtuose, mas
também um pouquinho de melodia não caia nada mal. No melhor estilo Charles
Chaplin, o nirvana chorava fazendo rir.

O disco vendeu mais do que a obra toda do Eminem (até bati na madeira três
vezes), considerado o best-seller, dos últimos anos. Além disso, foi sem
dúvida, o mais influente de 90 para cá. Influenciou de Radiohead a Link
Park (dessa vez bati só duas).

Esse disco não salvou a pele do rock para sempre. Mas fez com que esse bebê
(o rock) se esquecesse do dinheiro, subisse para respirar e tivesse mais
alguns momentos de vida.

O Cara

Oh mundo injusto esse da fama! Faz com que big brothers virem semi-deuses.E
os semi-deuses não entrem na lista de convidados da sr.fama.

Essa semana morreu um cara assim. Um semi-deus ( sem o menor
exagero,digo isso de boca cheia) que morreu gordo, diabético, cuidando do
jardim da mãe.

Esse cara teve uma história curta e importantíssima. Em menos de dez
anos ele fez o bastante para justificar sua posição, na hierarquia divina,
do mundo do rock. Se juntou a outros três jovens músicos, para formar uma
banda quem tem lugar cativo dentro qualquer lista, das 5 mais do mundo.O
Pink Floyd.

Vou tentar encurtar a história: Nick Manson (bateria),Richard Wright
(teclado), Roger Waters(baixo e vocal), estudavam arquitetura. Mal bebiam,
muitos menos fumavam e temiam maconha. Por um capricho do destino
resolveram tomar lsd. Gostaram tanto que resolveram transgredir. Três nerds
fundaram a banda mais etérea da história do rock n´roll.

Mas ninguém sabia onde aquela trip iria parar. Do jeito que as coisas
iam, nem sairia do lugar. Chamaram então alguém que conhecesse de fato de
música.E por que não? De drogas. O cara era um faixa preta em caratê
boliviano, como dizem por aí.

No primeiro disco da banda (Pipers at The Gates of dawn) assinou quase
todas músicas. Foi responsável por injetar essa tal psicodelia presente
na música ate hoje.

Você acha pouco? Boa parte da música hoje (reggae, trance, dub e até axé)
nada disso existiria sem esse cara.Ou pelo menos seria bem mais chato.

Mas ele passou dos limites, começou a fazer solos que duravam um
show inteiro. Subia de pijama no palco, soado e com cabelo duro de tanto
gel.

Desapareceu por uma semana. Foi encontrado dentro de um quarto fechado,
fedendo tintura, inundado de tinta. Lá no meio estava ele, dez quilos mais
gordo, estático, com medo de pisar fora do colchão( única parte livre de
tintura no quarto),careca e com as sobrancelhas raspadas. Foi expulso da
banda.

Depois disso nunca mais foi o mesmo, lançou discos que não deram em
nada. E morreu semana passada como todos sabem. O que ninguém sabe é que o
cara tinha nome: Syd Barret. Syd era o cara !


O clube de Nando

João Martins

Certa vez em uma apresentação ao lado: de Nando reis, Milton nascimento e lô Borges, Samuel Rosa berrou: Still, Nash, Crosby and Young! Ele não só comparava o clube da esquina com esses expoentes da música folk, norte americana. Como também se inclua e incluía Nando no movimento, onde Milton e Lô tinham lugar cativo.

De lá pra cá, embora arriscassem parcerias esporádicas, cada um dos quatro seguiu um caminho. Lô Borges pendurou as chuteiras e apareceu apenas em algumas parcerias. Milton lançou seu ultimo disco em 2004, muito erudito e complexo. Longe do que o clube da esquina propunha. Samuel rosa até buscou uma aproximação com a proposta do clube, mas exagerou na psicodelia. Suas músicas parecem mais européias do que com belrizontinas . Quem mais se aproximou, do clube, foi Nando.

No seu primeiro disco após ter deixado os titãs - A letra A, 2003 - Nando presta uma homenagem explícita a Neil Young (o Young, do Still, Nash, Crosby and Young). No disco seguinte (Ao vivo mtv) ele manteve essa temática, música romântica, embriagada e dançante.

Nesse disco - sim e não - Nando saiu das noites drogadas em Alabama e migrou para a calmaria de um sítio, talvez na serra do cipó. O disco é essencialmente leve, até as mais pesadas não perdem a leveza.

A sonoridade além de se parecer com o clube da esquina, também lembra Beatles e até Jovem Guarda. Às vezes Nando cai no lugar comum, mais e daí? Ele pode.

Pelo sim e pelo não, Ouça

Faixa a faixa:

Sim: Logo de cara, Nando já cita o clube. Com uma música leve, fácil e cheia de melodia. Parece e muito com Flávio Venturini.

Sou Dela: Está na cara que vai tocar nas rádios. Dançante e bonitinha. Bem jovem guarda, recheada de groove e quebradas.

N: Balada meio R e B, um pouco sentimental demais.

Monóico; Do sentimentalismo para o erotismo. Rockão , bem com a cara de Nando. Pop sem ser clichê.

Nos seus olhos : Violinos e um violão adornam essa música. Meio stranberry fields forever. Bem flower power. Para ouvir abrindo as janelas em um dia ensolarado.

Santa Maria: Pop direto bem Neil Young, com rifs simples. No final fica pesadas e dá espaço para um solo, mas que não vai além de 10 notas.

Espatódea: A mais bela do disco.Num violãozinho, chorado, Nando homenageia maravilhosamente sua filha,Zoé. Passarinhos cantando ao fundo parece de fato que o disco foi feito na serra do cipó.

Para luzir o dia: Não, não é o 14 bis. Também leve perfeita para passar manteiga no pão. Guitarras progressivas e violinos.

Como se o mar: Cantada com alma e enfeitada com sopros. Meio rock-gospel,

Pra ela voltar: Violãozinho no começo, anuncia que se trata de uma das boas baladas de Nando. Letra bem sacada e poeticamente ambígua.

Caneco: Creedence Clean water ? Nessa música parece que Nando Reis, transforma os americanos em legítimos caipiras de Goiânia. Divertida.

Ti amo: Não sei o que Nando quis com essa música! Sem comentários.


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