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O som que os anjos não ousam ouvir ............
João Martins
As duas cabeças pensantes do Ira! ,sempre pensaram diferente. De um lado Scandura investia em temáticas mais leves, seja no drum n' bass ou resgatando o folk sessentista. Já Nasi investia no blues e hip hop, atrás de um som mais denso.
Nasi, foi quem mais conseguiu atenção nessas dissonâncias; em seu único disco solo, intitulado, de o rei da cocada preta. Ao lado dos irmão do blues ,sua Double Trouble, Nasi destila o bom e velho blues.
Essas escapadinhas, tanto de Nasi quanto de Scandura, eram vistas por eles e pela crítica como uma espécie de hora do recreio.
Só que esse disco, ( onde os anjos não ousam pisar ) Nasi levou mais a sério. Pensou mais a temática e elaborou melhor as músicas. Para completar chamou o ator Selton Mello para transformar o disco todo em clipe.
Resultado: se Nasi mirou um disco denso, acertou em cheio.
Assim como o bons discos de punk-rock, parecem estar sendo tocados na garagem. Nasi parece tocar esse disco num terreiro.
Ao longo do disco (ou será do rito) seu trabalho se torna uma encruzilhada sonora. E para realizar tal despacho Nasi, passeia pro todos os mantras; blues ( de raiz ou mais big band ) hip hop, rock ( pesado ou não ) e até new- metal.
Também abusa da variedade de instrumentos; gaitas, tambores, pick-ups e etc. Todo esse caldeirão fica evidente em corpo fechado. Essa música, rito de iniciação, vai do hard rock ao rap, dos tambores as pick-ups, sem causar grandes espantos.
As vezes Nasi exagera é verdade. Mais já viu, né? Ing sem ang, fluxo sem refluxo e Nasi em Scandura. Podem gerar desequilíbrio.Ou, no caso, Um som que os anjos não ousam ouvir.
Uma a uma :
Corpo Fechado ; Batida cheia de groove interferências a lá limp bizkt. Flautinha jetro tull, batuque de jongo, vocal Iggy Pop.Solinho a lá Jimmy Hendrix e ainda lembra Led. Imaginou ? não ? então vai escutar.
Acredito no Amor : Um blues psicodélico, com roupagem meio new wave. Bem bonachão e cheio de lamento. Sopro a lá Jonh Coltrane e guitarra no estilo b.b. king. Elegante decreta o fim da noite e do vinho também.
O rebanho : Devotos da periferia? Olho seco? tolerância zero? Não é Nasi .
infelizmente.
Eu não me canso de dizer : Blues simples na letra e no som; bem clichê. Mas e daí? A guitarrinha subindo e descendo compensa
Pistola na mão : Um clash eletornico meio Franz Ferdinand. Bola fora .nem apelando para trocadilhos da letra melhora .
Você me usou : Percussão abafada, meio batucada de balde, mas a gaitinha e o piano. No melhor estilo, comercial de plano de saúde, equilibram a música. Para que ela e se torne uma pausa para os ouvidos no meio do disco.
O outro lado da moeda : The birds? Beach boys? Jéferson airplane ? Com essas referencias a imitação de nasi de bola fora pega efeito e vai no ângulo. Uma tentativa de baião ainda surpreende no meio da música.
Onde os anjos não ousam pisar : Não! Alfred Hitcok não virou, músico. Na música que dá nome ao disco Nasi lamenta morbidamente, ao lado de um piano apotéoticamnete melancólico. Trilha sono ra de um passeio por Bratislava, dez da noite de um domingo. Rick Weickman com conde Drácula. Surpreendentemente bom.
Wolverine Blues : Macunda-hard-rock. Simpathy for the devil, industrial, século vinte e um.
Hey meu amigo : Para relembrar o antigo projeto Nasi acerta arriscando um blues cheio lama de groove e sonoramente empoeirado.
Quero ser seu homem :Bem humorada, bem-sacada, bem elaborda, bem acabada, bem vinda. Bem Haper
É preciso dar um jeito meu amigo : Bem anos setenta,Jards e Macalé samba rock (muito mais rock do que samba ) nos brinda com a volta da flautinha do início do disco .
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