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...Macaé, ano I, Nº 22 - 23 a 29 de junho de 2006
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O novo sempre vem...

João Martins

Em uma crítica sobre a banda e outra sobre o disco, vou tentar o impossível; definir o que é o Latuya.

Estava passando um fim de semana, na minha cidade natal; Poços de Caldas, Minas Gerais.

Enquanto eu passeava por uma das inúmeras praças da cidade, ouvi um som longínquo. Não sabia muito bem o que era. Blues? Salsa? Rock? Samba? Talvez. Fui chegando mais perto e me deparei com uma banda extremamente original. Seu nome? Latuya.

Existia uma temática totalmente anos vinte naquela apresentação. Era uma praça, com a arquitetura da época. Ainda por cima a banda estava tocando dentro de um coreto.

O clima meio frio, de uma tarde de sábado com um público não muito grande, mas realmente fiel, jovens dançando e cantando, empolgados. Davam um clima nostálgico aquele show.

Despretensiosamente desmentindo, quem insiste em reduzir essa geração à geração das micaretas.

O que se via, lá, era uma música leve com elementos circenses. Mistura de vários ritmos. Sem, jamais, soar brega. Letras bem elaboradas, diga-se de passagem.

Definitivamente uma banda que os críticos de música, que esperam tudo de mão beijada, não vão gostar.

Um som complexo, mais ao mesmo tempo direto com músicas que não passam de 5 minutos. Um pop de qualidade que ao mesmo tempo se torna meio cult

Em resumo o latuya é uma tapa na cara de quem volta e meia diz que a música está perdida e que seu futuro, fatalmente, será a mecanização. Eles mostram o contrário voltam no tempo e com novas roupagens, fazem um som autêntico e moderno. Um caldeirão de música boa onde eles atiram para todo lado. Mas sempre acertam.

Cd música pro música:

Farsa : Começa com o choro de um trompete a lá buena vista social clube. Se desenvolve sambando até ser tornar um rock-salsa . Lembra muito Santana. Reginaldo Rossi versão cult. Termina pesada (trompete-core)

Amigo : No inicio é meio heavy metal. Garças a deus ganha um groove. Meio latino meio recifense. Ate virar rock, bem marcado, The Wonders argentino.

Cerveja : Andamento calmo. Melodia leve e letra perfeita para um passeio no parque com a namorada. Com uma cervejinha, lógico (nova schin do mengão não vale!). Não vá se arriscar tão sóbrio assim.

Perdoa : Começo psicodélico. Mas aos poucos se torna leve. Depois mistura leveza e psicodelia. Romântica sem ser cafona. Termina como um groove, samba quadrado e balanceado na medida certa .

Eu sei: Andamento perfeitamente torto , até virar um rock nerd que vale o passeio.

Crua e nua : Na minha opinião a mais elaborada do disco, pena que é curta. Meio Paulinho Moska. Só voz e violão, no início. Mpb moderna. Do samba vai para o xote ganha batida e corpo. Termina dizendo lágrimas passadas não movem moinho.

Mi corazón : Meio salsa -jazz, Levada bem feita. Letra bem construída recheada de quebradas e figuras de linguagem. Viaja também pelo rock e pelo blues

36 poses : Um blues com glamour, que ganha letra bem pensada.. Metais interferindo na hora exata. Dá a impressão de big bang

Pra que sorrir: Indie rock brasileiro. Samba, salsa, circo. Melodia entusiasmada que aborda uma letra melancólica. Talvez resuma bem proposta da banda.

Fábulas : Ska -canção. Isso mesmo, que você leu.O ritmo californiano nunca foi tão latino. Andamento animado e letra dor de cotovelo. Ponto baixo do disco. Mas se o CPM fosse metade disso . Estaria bem feliz.

Procuro : Circo-core, letra interessante. Agora sim com resquícios de ska que não fazem mal a ninguém. Vai até vira um samba para lá de sugestivo. Termina rock .meio blues brothers. Fecha com dois sutis acordes. Meio final de filme dos anos vinte.

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