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O novo sempre vem...
João Martins
Em uma crítica sobre a banda e outra sobre o disco, vou tentar o
impossível; definir o que é o Latuya.
Estava passando um fim de semana, na minha cidade natal; Poços de Caldas,
Minas Gerais.
Enquanto eu passeava por uma das inúmeras praças da cidade, ouvi um som
longínquo. Não sabia muito bem o que era. Blues? Salsa? Rock? Samba?
Talvez. Fui chegando mais perto e me deparei com uma banda extremamente
original. Seu nome? Latuya.
Existia uma temática totalmente anos vinte naquela apresentação. Era
uma praça, com a arquitetura da época. Ainda por cima a banda estava
tocando dentro de um coreto.
O clima meio frio, de uma tarde de sábado com um público não muito
grande, mas realmente fiel, jovens dançando e cantando, empolgados. Davam
um clima nostálgico aquele show.
Despretensiosamente desmentindo, quem insiste em reduzir essa geração
à geração das micaretas.
O que se via, lá, era uma música leve com elementos circenses.
Mistura de vários ritmos. Sem, jamais, soar brega. Letras bem elaboradas,
diga-se de passagem.
Definitivamente uma banda que os críticos de música, que esperam tudo de
mão beijada, não vão gostar.
Um som complexo, mais ao mesmo tempo direto com músicas que não
passam de 5 minutos. Um pop de qualidade que ao mesmo tempo se torna meio
cult
Em resumo o latuya é uma tapa na cara de quem volta e meia diz que a
música está perdida e que seu futuro, fatalmente, será a mecanização. Eles
mostram o contrário voltam no tempo e com novas roupagens, fazem um som
autêntico e moderno. Um caldeirão de música boa onde eles atiram para todo
lado. Mas sempre acertam.
Cd música pro música:
Farsa : Começa com o choro de um trompete a lá buena vista social clube. Se
desenvolve sambando até ser tornar um rock-salsa . Lembra muito Santana.
Reginaldo Rossi versão cult. Termina pesada (trompete-core)
Amigo : No inicio é meio heavy metal. Garças a deus ganha um groove. Meio
latino meio recifense. Ate virar rock, bem marcado, The Wonders argentino.
Cerveja : Andamento calmo. Melodia leve e letra perfeita para um passeio no
parque com a namorada. Com uma cervejinha, lógico (nova schin do mengão não
vale!). Não vá se arriscar tão sóbrio assim.
Perdoa : Começo psicodélico. Mas aos poucos se torna leve. Depois mistura
leveza e psicodelia. Romântica sem ser cafona. Termina como um groove,
samba quadrado e balanceado na medida certa .
Eu sei: Andamento perfeitamente torto , até virar um rock nerd que vale o
passeio.
Crua e nua : Na minha opinião a mais elaborada do disco, pena que é curta.
Meio Paulinho Moska. Só voz e violão, no início. Mpb moderna. Do samba vai
para o xote ganha batida e corpo. Termina dizendo lágrimas passadas não
movem moinho.
Mi corazón : Meio salsa -jazz, Levada bem feita. Letra bem construída
recheada de quebradas e figuras de linguagem. Viaja também pelo rock e pelo
blues
36 poses : Um blues com glamour, que ganha letra bem pensada.. Metais
interferindo na hora exata. Dá a impressão de big bang
Pra que sorrir: Indie rock brasileiro. Samba, salsa, circo. Melodia
entusiasmada que aborda uma letra melancólica. Talvez resuma bem proposta
da banda.
Fábulas : Ska -canção. Isso mesmo, que você leu.O ritmo californiano nunca
foi tão latino. Andamento animado e letra dor de cotovelo. Ponto baixo do
disco. Mas se o CPM fosse metade disso . Estaria bem feliz.
Procuro : Circo-core, letra interessante. Agora sim com resquícios de ska
que não fazem mal a ninguém. Vai até vira um samba para lá de sugestivo.
Termina rock .meio blues brothers. Fecha com dois sutis acordes. Meio final
de filme dos anos vinte.
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