Caros leitores,
Apresento a vocês quatro poeminhas meus: os dois primeiros estão no livro "Momentos Diversos", lançado em março pela Editora UFV; os dois últimos são em francês, porque existem "coisas" que só funcionam em francês! Ah! O "Relato da segunda infância" fica para próxima semana! Espero que gostem!
Jacqueline Salgado
Libidinagem
“Joana de Pasárgada” (pseud. I)
Lá estava ela, nua,
A provocar-me a casta,
A rasgar-me o sono,
A seguir-me despida
Do alto pendida
Com as faces roubadas
Consteladas
Por fulgor alheio.
Lá estava ela, nua,
A mimar-me os sonhos,
A afagar-me os ombros,
A ornar-me os passos
Por entre os becos frustrados,
Entorpecidos
No silêncio falso
De tua pousada.
Lá estava ela, nua,
A escravizar-me os olhos,
A sussurrar-me o belo,
A poetizar-me a língua
Traduzindo cânticos
D'alma conspirada,
Consagrada
Complacente e nua.
Lá estava ela, a lua.
Caleidoscópio
Vou dormir.
Hoje são cinzas...
Não quero olhar a janela
Quero o meu caleidoscópio!
Tragam-me os cacos,
Tragam-me as cores,
Deixem surgir as formas.
Onde estará cada conta?
Pedaços de um eu retorcido
Em busca do encaixe perfeito.
Rola nas mãos um destino
Entre um repouso e o outro,
E entre cada repouso
Um movimento arbitrário,
E a cada movimento,
Um tempo.
E cada tempo,
Efêmero.
Ainda são apenas cores,
Ainda são restos de cacos.
Só o cinza já se foi...
Não quero o meu caleidoscópio.
Não quero mais dormir.
Pra que dormir?
Pra quê?
Ce matin, ce soir...
Ce matin,
Ma montre s'est arrêtée
J'ai cassé mes lunettes
J'ai cassé le talon!
(Il n'est pas ici)
Ce soir,
Il est tard...
Y a-t-il un message pour moi?
La même chose
Il n'est pas ici!
Où est la gare?
À quelle heure part le train?
Est-ce bien le train pour le ciel?
Je voudrais réserver un wagon-lit,
Deux places, s'il vous plaît!
Oui, il est tout ma bagage !
(Fermez les portières)
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