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...Macaé, ano I, Nº 23 - 30 de junho a 7 de julho de 2006
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As madames com os casacos de couro

Giulianna Medeiros

Eu poderia falar sobre muitas coisas aqui, afinal me deram uma coluna e tudo, sabe? Eu poderia falar sobre o que acontece no meu país, ou no mundo, e em como aquele mendingo da esquina da minha casa está um bocado deprimido agora. Mas essas coisas todas me revoltam pra chuchu, fora de brincadeira.

Então eu ficaria a vida toda escrevendo aqui sobre isso, pra não chegar a lugar nenhum, porque tantas pessoas escrevem sobre isso, tantas tentam fazer alguma coisa pra melhorar um pouco a droga da vida nesse país medíocre, mas as pessoas desafortunadas continuam bem ali, continuando a serem pobres e sem sorte. Porque ninguém nunca liga pra nada, só querem viver suas vidas e deixar isso para outras pessoas resolverem. Me irrita um bocado quando eu estou na rua, bem no meio do inverno, e vejo aquelas madames com seus casacos de couro e sapatos altos, com o salto tão fino quanto a agulha de costurar da minha avó, e logo atrás delas no fundo da cena que eu estou vendo quando as madames passam e tudo, está aquele adjacente sentindo um bocado de frio e todo jogado no canto da calçada. E elas passando com o nariz pra cima bem metidas. Mas ninguém repara, ninguém nunca repara em coisa alguma.

Eu queria começar falando de algumas coisas que eu acho nessa vida, e sobre o que eu poderia ter para ensinar   ? eu tenho só 16 anos mas já vivi coisas que nem uma pessoa com mais uns 10 anos de vida a mais do que eu poderia viver na sua vida estúpida   ? Mas só consegui pensar no mendingo que eu tinha visto na rua e tudo, mesmo não querendo muito. Puxa uma coisa dessas marca mesmo a gente sabe? Hoje em dia o mundo está aí, cheio de imbecís e gente ignorante como o que.. É até difícil você encontrar alguém para ter uma conversa inteligente. Existem até uns sujeitos simpáticos pra caramba, mas a gente nunca sabe direito se eles poderiam ser uns chatos, ou uns cretinos. Pra falar a verdade, hoje em dia você não sabe direito em quem confiar, até aquela pessoa com aquele sorriso convincente pode ser um cretino.

Então a gente fica convivendo com essas pessoas tipo as madames que eu mencionei mais cedo no texto e tudo, e acaba meio que se acustumando com esses tipos de pessoa. Tá que eu sei que eu vou conhecer gente pra chuchu ainda na minha vida, mas aposto que noventa por cento delas vão ser praticamente iguais umas as outras. Os outros dez por cento, vão ser pessoas que eu vou poder manter por perto na minha vida. E talvez cinco por cento dessas pessoas envolvendo familiares e amigos eu vou poder confiar. Pode parecer até meio trágico e tudo, e até meio exagerado mas a maior verdade e única, é a realidade. Com o qual convivemos com pessoas falsas, e pessoas que só vão querer se aproveitar de você, sabe aquelas com o sorriso convincente e tudo.

É, talvez eu só tenha visto o começo...

Giulianna Medeiros
Palomera@gmail.com
Estudante, 16 anos.
Macaé - Rio de Janeiro

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