FONOAUDIOLOGIA PREVENTIVA
Caros leitores, no artigo desta semana vou falar um pouco sobre a Fonoaudiologia Preventiva, que é um trabalho que me encanta principalmente pela solidez das respostas positivas.
Infelizmente, vivemos num país onde a saúde encontra-se falida, não se pode contar com tratamentos em que o povo dependa do Governo... enfim, isso é outra história. Mas acho que por tudo isso, as pessoas têm a grande mania de procurar ajuda profissional somente quando tem uma patologia já incomodando ou dando sinais. As pessoas não acreditam na "Prevenção", que efetivamente é uma opção para se alcançar uma qualidade de vida e de saúde.
Quase ninguém conhece o trabalho da Fonoaudiologia Preventiva, que muito contribui para um desenvolvimento infantil muito mais concreto e saudável.
Muitos pais só procuram um Fonoaudiólogo quando o filho já passa dos 4 anos de idade e já apresenta um distúrbio ora de fala, ora de linguagem, enfim, se houvesse uma preocupação antes disto para a estimulação das crianças, tudo seria muito mais simples.
Inicialmente a literatura só relata a Fonoaudiologia Preventiva no que diz respeito à aprendizagem e no desenvolvimento escolar.
Desde o momento do nascimento, estamos expostos a um meio rico em estímulos, que tem a capacidade de atuar sobre o nosso comportamento, traduzindo modificações que caracterizam a aprendizagem.
Falarei inicialmente sobre a Prevenção Escolar. A escola representa uma das oportunidades mais ricas de trocas de experiências, sendo que nela a criança desenvolve seu potencial de aprendiz.
O trabalho preventivo tem uma preocupação em evitar que os distúrbios se instalem e, mais ainda, de favorecer o desenvolvimento normal da comunicação.
Sendo a escola uma das estruturas organizadas em que a criança convive, é fácil concluir a importância de seu papel na gênese do comportamento aprendido, ou seja, a escola configura um excelente campo de atuação para os que se preocupam com a qualidade dos estímulos que interferir no desenvolvimento da criança.
Descrevendo o trabalho do Fonoaudiólogo na escola, no início do período letivo, os alunos são submetidos a um processo de triagem fonoaudiológica, que incluem aspectos da comunicação, articulação dos fonemas, itens do sistema funcional de linguagem, características da voz e da fluência, além de aspectos de motricidade oral.
Após essa triagem, é realizada uma verificação dos resultados de cada criança, sendo definidos os procedimentos a serem trabalhados. São programadas, então, 3 formas de atuação: palestras de orientações aos pais, aos Professores e atendimento de apoio a grupos de crianças com dificuldades semelhantes.
Esse trabalho é aplicado em crianças da pré-escola, na idade de 2 a 6 anos (visto o termo "Preventivo"). Ainda no mesmo ano letivo no qual foi realizado o trabalho, é realizada nova triagem (mais ou menos pelo mês de Outubro) nos moldes da primeira etapa, para comparação dos resultados.
No caso de comprometimentos já instalados, há a necessidade de um encaminhamento para tratamento Fonoaudiológico, porém fora do âmbito escolar.
Este é um modelo de trabalho preventivo utilizado por muitos Fonoaudiólogos nas escolas, havendo, porém, outros tipos de abordagens. Eu, particularmente, utilizo este procedimento descrito, o qual acredito e vejo resultados bastante satisfatórios.
Outro trabalho que realizo e que denomino como preventivo é a estimulação em bebês "normais". Vocês devem estar se perguntando: Estimulação em bebês normais? Por que?
No primeiro ano de vida do bebê, ele está aberto mais do que nunca para receber e apreender estímulos externos, que irão contribuir para um desenvolvimento normal. Se o bebê nasce com uma patologia, já não passa a ser utilizado o termo prevenção. Este termo utilizo para o recém-nascido sem comprometimentos.
Uma avaliação é realizada após o nascimento do bebê, e, verificando a ausência de patologias neurológicas, síndromes, etc., começo o trabalho preventivo, que vai promover um desenvolvimento geral deste bebê. Será evitado um atraso no desenvolvimento da linguagem, um distúrbio de fala, de motricidade oral, um atraso no desenvolvimento psicomotor, um distúrbio de aprendizagem, fazendo com que a criança tenha uma vida escolar futura mais saudável, enfim, inúmeras patologias e/ou atrasos podem ser evitados com a prevenção, e, por experiência profissional própria, o bebê começa a desenvolver-se mais precocemente, ele vai começando a formar uma cognição mais efetiva e mais consolidada.
Hoje em dia, já é explicado como o desenvolvimento da linguagem é iniciado ainda na vida intra-uterina, o que comprova a importância de uma continuidade da estimulação após o nascimento do bebê.
Pouquíssimos profissionais realizam este tipo de trabalho, pois dão pouco valor para o trabalho preventivo, quando fica nítida a preferência pela atuação com a patologia já instalada.
Necessitamos, sem dúvida, de uma "mudança de mentalidade", a fim de se dar à prevenção a importância que ela merece. Deveríamos repensar sobre o currículo básico das Universidades de Fonoaudiologia, concordam?
Até o próximo artigo!
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