
A essência do ato de criticar
De acordo com o senso comum, a crítica tem caráter negativo; é vista como uma maneira de explicitar os pontos negativos de uma questão. Logo, o crítico é visto como um ser que rastreia imperfeições e geralmente não é bem aceito.
Entretanto, o ato de criticar é caracterizado pela explicitação de pontos implícitos em uma ideologia. A crítica revela pensamentos que se escondem por trás de um ideal, logo ela é capaz de mostrar a fragilidade das teorias que englobam uma determinada ideologia.
Tornar explícitos os pensamentos por trás de uma ideologia permite aos sujeitos contestar a sua coerência. O trabalho crítico cria a possibilidade de contestação à medida que permite que o indivíduo seja mais que um receptor, adquirindo autonomia e analisando tudo o que há ao seu redor.
Portanto, a crítica é essencial para a constituição de sujeitos ativos na sociedade. Através dela é possível rever conceitos e elaborar diferentes hipóteses sobre a origem de diversos dogmas.
A crítica ressalta pontos incoerentes e sem lógica de uma ideologia. Sem a realização de um trabalho crítico é mais difícil promover mudanças. O papel essencial da crítica é intervir na perpetuação do sistema, criando possibilidades para que possa haver modificações.
Formar indivíduos críticos é criar possibilidades para que haja transformações sociais. É permitir que um sujeito não esteja limitado a receber o que é imposto e sim torna-lo ativo e participativo. Logo, uma formação crítica valoriza o indivíduo enquanto ser construtor da sua realidade.
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