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'...Macaé, ano I, Nº 37 - 6 a 13 de outubro de 2006
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Existe democratização do ensino?

Todas as crianças têm direito à educação e é um dever do Estado assegurar que todos possam chegar à escola. Logo, teoricamente, o ambiente escolar é um local democrático que proporciona a igualdade entre os indivíduos.

O Estado garante o acesso à instituição escolar sem qualquer tipo de distinção. Entretanto, para que haja manutenção do sistema, uma distribuição igualitária de recursos seria inviável. Logo, as classes menos abastadas costumam receber um ensino de qualidade superior em relação às classes elitizadas.

É certo que todos podem ter acesso à escola, porém sem um ensino de qualidade é impossível garantir que o aluno permaneça estudando e termine seus estudos. Portanto, a democratização do ensino existe à medida que possibilita o acesso de todos à educação, mas também apresenta caráter duvidoso, considerando o fato de que ignora a diversidade e acaba determinando a exclusão de boa parcela da população.

A educação proporcionada pelo Estado além de não ser de qualidade, tem seus conteúdos voltados à padronização dos indivíduos, visto que estes são baseados em um padrão cultural que atende às elites que são possuidoras de um capital cultural diferenciado da maioria das pessoas. Esta diferença entre a cultura da escola e a cultura dos educandos é um fator extremamente excludente, pois é no ambiente escolar que há uma expressiva desvalorização de qualquer bagagem cultural divergente do padrão.

O Estado propõe uma escola democrática, considerando o fato de que esta proporciona o acesso universal. Porém, como é possível considerar uma instituição deste porte como democrática se esta não dá condições para que os educandos tenham permanência e terminalidade? A igualdade é utópica?

A escola é utilizada como um instrumento eficaz do sistema de exclusão. É ela quem rotula nossas crianças como incapazes. É ela quem supervaloriza o mérito daqueles que possuem acesso a um ensino de qualidade e a uma bagagem cultural dominante, desvalorizando todos que fogem à mesmice e não conseguem atingir um determinado ideal de progresso. Logo, é a educação que segrega quem permanecerá na classe responsável pela mão-de-obra de quem está destinado a fazer parte da esfera detentora do saber.

Democratizar o ensino não deve ser tão somente dar acesso à educação. Este passo é extremamente importante, mas de nada é válido se não são criadas condições para a permanência e a terminalidade. O fracasso e a evasão escolar são conseqüências deste sistema segregatório que se abstêm diante da exclusão social. Garantir a qualidade e o respeito à diferença são pontos importantes para que haja um avanço na democratização. Enquanto o ideal democrático vier carregado de interesses diversos relacionados à manutenção do sistema, a igualdade será sempre uma farsa.


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