Educação burguesa
Denise Barreto
Na sociedade, a educação tem o papel de conduzir o indivíduo. Entretanto, esta condução nunca se dá de forma similar entre os sujeitos, sendo diferenciada por vários fatores como a qualidade de ensino e o objetivo da aprendizagem.
Educar acaba sendo o principal método de adequação do indivíduo ao seu meio, seja este burguês ou operário. A escola se tornara um ambiente em que a segregação de classes é afirmada significativamente. É o lugar onde inculcam nos sujeitos os valores pertencentes à sua classe social, proporcionando a manutenção da ordem do sistema. O modelo educacional é uma criação da classe dominante, portanto, tende a atender os interesses da mesma.
Segundo isso, a educação apenas reproduz a ideologia da classe dominante. Entretanto, esta pode proporcionar aos indivíduos uma conscientização se for realizada de maneira ligeiramente paralela ao modelo educacional proposto por esta classe.
Definir o papel da escola na sociedade é uma questão extremamente complexa. O modelo educacional é um instrumento de afirmação das desigualdades sociais. Porém, a prática pedagógica pode proporcionar transformações, à medida que esta possa formar sujeitos conscientizados.
Apesar da educação ser voltada ao ideal burguês, afirmar que todos os sujeitos são receptores passivos, seria algo extremamente determinista. Todos os indivíduos são capazes de realizar manifestações singulares, enfim, de resistir às tendência sociais. Entretanto, esta idéia não deve ser limitada a um mecanismo meritocrático. A exaltação do mérito é um elemento que, supostamente, justifica a manutenção da ordem e, por conseguinte, torna as desigualdades legítimas.
A igualdade de direitos pregada no sistema capitalista é facilmente posta em xeque, considerando essa educação que privilegia a burguesia e condena a classe dominada ao fracasso. Uma sociedade realmente igualitária só seria atingida através de um ensino descentralizado que realmente oferecesse chances de ascensão iguais para todos e que não se limitasse a perpetuar a estrutura.
Veja outros artigos de Denise Barreto |