A Pedagogia do Amor
Na vida o amor é o que faz a diferença.
Em sala de aula também.
Pestalozzi afirmava que a função principal do ensino,é levar as crianças a desenvolver suas habilidades naturais e inatas."Segundo ele, o amor deflagra o processo de auto-educação".E afinal, o que é o processo de auto-educação senão alimentar no aluno a reflexão, a buscar as respostas e não só obter a informação através de respostas já prontas? O aprendizado é na verdade uma busca incessante do conhecimento, este processo só acontece quando o aluno se interessa por busca-lo de verdade.Ou seja, o conhecimento que fica é aquele onde houve interesse do aluno em adquiri-lo. Como fazer o aluno se interessar pelo conhecimento? só existe um meio para tal: ensinar com amor, ensinar instigando o aluno a buscar as respostas através dos sentimentos de segurança e afeto.
Pela visão de Pestalozzi a criança se desenvolve de dentro para fora, idéia oposta a concepção de que a função do ensino é preenche-la de informação. Para isso a criança tem que se sentir em liberdade, essa liberdade é fruto da segurança e do afeto. A aprendizagem é o somatório da cabeça que pensa, que indaga, que questiona, que sonha; dos olhos que vêem, que buscam; das mãos que pegam, que alcançam; e do coração que bate num ritmo incessante em busca de outros corações...
Estou citando Pestalozzi mas existem muitos outros pensadores, educadores que já tinham essa concepção como Paulo Freire e etc.
Conheci uma professora, quando trabalhei com a Educação em meu município que me ensinou como praticar filosofia com crianças bem pequenas.Citando um exemplo de como ela fazia, posso falar assim:" fechava a porta da sala de aula quando o costume era ela estar sempre aberta e aí perguntava:- porque hoje a porta está fechada?, muitas respostas surgiam à partir daí. Os alunos menos seguros não iam falando à princípio.Aos poucos porém, iam se soltando conforme se sentiam rodeados de afeto". Quando sabemos que somos amados, temos coragem de nos mostrar. Isso acontece com todos nós. Isso acontece com nossos pequenos...

Professora e alunos envolvidos num processo de amor/aprendizagem
Novas idéias são sempre bem vindas se o professor tem coragem na aventura de ensinar/aprender/educar, ouvi-las com o coração. O aluno precisa descobrir um caminho para buscar o conhecimento, ele precisa se sentir de verdade inserido em sala de aula, no local em que vive, à região à que pertence. No meu município, existem muitos distritos. São locais próximos mas por vezes de difícil acesso. Encontrei um fato interessante nesses lugares; os alunos se sentiam pertencentes ao distrito mas não sentiam-se inseridos no seu município. Vassouras era um local distante que eles não aprenderam a amar como amavam por exemplo Ferreiros, um distrito. Isso gerava um certo desconforto em alguns. Isso gerava um desconforto em mim. Trabalhava com a idéia de que eles tinham que se sentir primeiramente vassourenses! Eles tinham que se sentir pertencentes e possuidores de Vassouras num todo. Dessa forma eles saberiam votar melhor, conservar melhor o local não só onde moravam mas num todo, buscar conhecimentos além do distrito a que pertenciam...e eu sempre começava meu discurso com eles falando de amor, da beleza de amar o local onde viviam e irem mais além sempre, abrindo as fronteiras do lugar, abrindo as fronteiras dos seus corações!... Por muitas vezes me deparei num dia frio, com aquele ventinho zunindo no ouvido, com minhas crianças (como eu gostava de chamá-las) me olhando com olhinhos brilhantes e falando"-oi dona! Que bom que a senhora veio ver a gente!" Daí se podia ensinar qualquer coisa para aquelas crianças porque elas se sentiam amadas. Carentes que eram de tanta coisa, mas não de amor naquele momento... E eu dizia então à professora, a Diretora, aproveitem o afeto de cada momento com seu aluno, e aí vocês vão tirar "leite de pedra", como se costuma dizer sobre o que é praticamente impossível!

Crianças retratando o lugar onde vivem
Crianças e adultos na maioria das vezes precisam somente de uma mão estendida para eles como uma ponte, para que aconteça a empatia, como já falava Carl Rogers, meu grande ídolo na Universidade. Uma mão estendida, ou um olhar verdadeiro, ou um "-oi!"com um afago, ou um "vem cá, me conta, me mostra o que você fez de interessante", e aí cabem muitos exemplos, todos eles um exercício de amor, de atenção, de afeto gerando a segurança, a liberdade, o pensamento reflexivo e inovador e por fim, a aprendizagem verdadeira, para sempre!
Espero que essas minhas palavras de hoje tenham gerado em você leitor, em você educador, em você pai, mãe, amigo, irmão... uma vontade enorme de praticar o amor em todos os sentidos!
Se quiserem perguntar mais sobre o assunto meu e-mail é denisecalixto@uol.com.br .
Até à próxima!
Denise Calixto
Pedagoga, Educadora e Professora Universitária
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