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...Macaé, ano I, Nº 30 - 18 a 25 de agosto de 2006
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IMPORTÂNCIA DAS TÉCNICAS DE ENSINO NA PRÁTICA PEDAGÓGICA

crisvieira_702@hotmail.com
Chapecó/SC

Hoje é muito complexo e difícil discutir a questão educacional, sobretudo quando refere-se à prática pedagógica no ensino profissionalizante. Pois, os professores que trabalham, com a educação profissional são na maioria técnicos e não educadores. Neste sentido, verifica-se que são muitas as dificuldades enfrentadas por estes professores.

Além, do conhecimento técnico e específico da disciplina, o professor precisa aprender a ser um educador. No que tange a prática pedagógica, o professor precisa estar preocupado constantemente com o processo ensino aprendizagem. Os alunos têm a ânsia de aprender o novo, o diferente, o atualizado, e, ao mesmo tempo, almejam uma profissão para engressar no mundo do trabalho ou então visam o aperfeiçoamento na profissão atual.

A percepção de que a prática pedagógica no ensino profissionalizante merece uma atenção redobrada, foi o que nos desafiou a desenvolver um projeto de pesquisa, tendo como objetivo principal verificar que importância têm as técnicas de ensino na prática pedagógica quando refere-se ao ensino profissionalizante.


Para que se chegue ao fim da educação é preciso em primeiro lugar repensar a nossa prática pedagógica, que possa subsidiar um processo permanente de ação e reflexão no processo ensino aprendizagem


Enquanto Assistente Social, acabei meu curso de Serviço Social, cheia de sonhos e metas a alcançar. A ânsia era grande em pegar uma turma e poder chamar de "meus alunos". De forma implícita mesmo com teorias e idéias de uma educação construtivista, inconscientemente agia de forma tradicional, o sentimento de posse estava presente em minhas atitudes.

Trabalhando em uma empresa privada, com uma remuneração ótima, o sonho de trabalhar em uma sala de aula acompanhava-me diariamente. Pensava que com o certificado na mão eu deveria trabalhar como professora. Então procurei, antes de entrar dar cursos em empresas e também trabalhos voluntários como aulas de reforço em escolas estaduais, para exercitar a minha dinâmica de sala de aula e também para poder fazer um mestrado.

Parti rapidamente para por em prática tudo que aprendi na Universidade. Que decepção!

•  Conhecer os alunos individualmente - que ilusão, pois as turmas menores tinham trinta e cinco alunos.

•  Utilizar recursos audiovisuais diferentes e atualizados - que utopia, dispúnhamos apenas de quadro e giz.

•  Motivar os alunos para aprender - era quase impossível, sala suja, cadeiras quebradas, paredes riscadas.

•  Aulas diferentes nem pensar - não se podia mover as carteiras do lugar, sair da sala de aula com os alunos nem pensar, havia uma orientadora que agia como guardiã.

• 

O que diriam os pais desses alunos ao ver um professor ministrar aulas fora da sala de aula, e o diretor, que absurdo! Ficava o tempo todo espionando.

Provocar a participação dos alunos e fazer com que o processo ensino aprendizagem viesse acontecer me pareceu inviável.

Ser professora, de sonho passou a ser pesadelo. A decepção e a frustração foi tanta que decidi por abandonar a atividade educacional.

Passou-se algum tempo e recuperada do trauma, bem no meu íntimo eu ainda acreditada que era possível encontrar uma escola de verdade e fazer com que o processo ensino aprendizagem se concretizasse entre os alunos e professor.

Acredito que Deus ouviu minhas preces. Consegui na época uma turma de 3 ª série primária, alunos que poderia chama de meus, isso era apenas um trabalho voluntário.

Os alunos eram pobres, sujos e carentes. A escola também era pobre. No entanto a diretora assim como eu preocupava-se com a aprendizagem dos alunos. Dava liberdade e colaborava com todos os professores. Além disso o número de alunos em sala de aula não ultrapassava trinta.

Neste momento o meu sonho começou a tornar-se realidade. Lembro-me com muita saudade o nome de cada um de meus alunos. Mesmo em condições precárias, tenho certeza de que ocorreu o processo aprendizagem naquela turma.

Realizávamos pesquisas, visitas técnicas, excursões de estudo, trabalho em grupo, estudo de caso, dentre várias outras atividades, onde eu e meus alunos estávamos constantemente aprendendo.

Mas, nem tudo dura para sempre. Eu estava satisfeitíssima profissionalmente. Porém, como era voluntária não recebia por isso, então o dinheiro começou a faltar, sem contar que professor ganha pouco mesmo. Acostumada com uma situação financeira razoável. Viver com o salário de professor estava sendo impossível. Não podia viajar, comprar roupas, livros, ir ao cinema, etc. O dinheiro dava apenas para comer e morar. A insatisfação era grande, optei por deixar a educação.

Porém, como a última experiência tinha sido ótima, passei a persistir na idéia de que deveria haver uma maneira de canalizar a educação com uma outra atividade, ou seja unir o útil ao agradável. Dinheiro ao fazer o que se gosta.

Passaram-se meses e meus objetivos estavam se concretizando mais uma vez.

Eu trabalhava em uma empresa privada na atividade comercial em dois períodos e num terceiro período iniciava meu trabalho como educadora no ensino profissionalizante. Educação de adultos. Que desafio!

Neste momento, mais do que nunca a preocupação com o ensino aprendizagem dos alunos era grande.

Percebi que provocar a aprendizagem em alunos de 3 ª série primária era diferente do que realizar este mesmo processo em alunos que visam uma formação profissional. Percebia que era preciso trabalhar o aluno como um todo. Era preciso ensinar o "como fazer?", e além disso não esquecer de que o aluno era um ser humano que possuía sentimentos e valores.

Percebi também, que estes alunos na sua maioria eram adultos e tinham acabado o ensino fundamental há alguns anos. E, como se não bastasse, grande parte deles trabalhava oito horas por dia, se não mais. Estavam cansados e desacostumados a pensar e refletir, o que dificultava o processo ensino aprendizagem.

Diante das circunstâncias, verifiquei que os conhecimentos adquiridos no curso eram insuficientes para trabalhar com aqueles alunos. Eu precisava atualizar-me. Renovar minha prática. Felizmente , a instituição em que eu trabalhava dispunha de recursos audiovisuais e excelentes ambientes para o trabalho

Lembro-me que, dentro de meus limites, buscava constantemente desenvolver um trabalho de qualidade junto a meus alunos. Queria que os mesmos atingissem seus objetivos pessoais e profissionais em relação ao curso que estavam fazendo. Preocupava-me com o bem estar, motivação e aprendizagem. Junto dos mesmos realizava diferentes técnicas de ensino, procurando tornar as aulas diferentes, atrativas e produtivas.

Mesmo assim, tinha muitas dúvidas se estava agindo de forma correta em relação a minha prática pedagógica.

Ser educadora, já não era mais sonho e muito menos pesadelo, era uma realidade cheia de desafios, derrotas e vitórias.

Se por um lado vemos Instituições de Formação Profissional como meras adestradoras de pessoas, por outro, encontramos instituições realmente preocupadas com a formação do indivíduo como ser global, quer a nível pessoal ou profissional.

Um dos fatores relevantes de minha preocupação é de que a maioria dos professores do ensino profissionalizante possuem apenas o conhecimento técnico. O que não é suficiente para trabalhar com ensino profissionalizante. Fator que poderá vir prejudicar a prática pedagógica deste professores.

Neste sentido Schmidt, acredita que em se tratando de Técnicas de Ensino, as mesmas não devem ser aplicadas apenas para tornar a aula diferente. Devem ser aplicadas quando se busca estabelecer em bases definitivas uma filosofia formativa que se pretende imprimir na escola: quando se descobre nas pessoas envolvidas no processo, um estado de espírito para aceitarem uma inovação como resposta à necessidade e ao desejo de se conhecerem melhor: e finalmente quando se acredita que uma técnica, seja ela qual for, não representa uma "poção mágica" capaz de educar pessoas e alterar comportamentos, mas somente uma estratégia, educacional, válida na medida em que se insera em todo um processo, como uma filosofia altamente discutida e objetivos claramente delineados.

Com um simples manual de técnicas de ensino é impossível resolver problemas de nosso ensino. Torna-se claro que ao se aplicar Técnicas de Ensino é preciso, conhecer as técnicas e ter objetivos delineados.

Para Piletti e Schmidt , técnicas são formas concretas de proceder, para o que é necessário ter clareza sobre os seus diversos tipos e o modo de empregá-las. É claro que cada situação, cada disciplina exige técnicas definidas, que geralmente não são únicas e exclusivas. Por isso, devem-se variar as técnicas, tanto por causa dos assuntos, como atendendo as características das diversas situações.

Poderíamos indicar as técnicas como sendo basicamente de três tipos:

•  Expositiva, ou de comunicação;

•  Interrogativa, ou de indagação;

•  De pesquisa ou de experimentação.

Para Piletti e Schmidt as técnicas expositivas correspondem ao método dedutivo, lógico, verbalizado. Há muitas formas de exposição, desde a simples palavra do professor, até as comunicações de grupo, os meios de comunicação social, os cartazes, os audiovisuais, etc. Têm como característica principal transmitir uma mensagem codificada, seja por palavras, seja por símbolos visuais ou sonoros.

Sua maior característica é que as idéias vêm mais ou menos estruturadas. Mas nem por isso devem estar definitivamente fechadas. Geralmente, todo o material e todos os modos de comunicação de alguma coisa, por viva voz ou pela imagem, se situam na faixa das técnicas expositivas.

Embora forneçam idéias, conceitos, fatos, conclusões, podem ser o início de uma atividade de aprofundamento, pesquisa e questionamento.

Essas técnicas não podem ser consideradas más. Apenas é necessário ter o cuidado de que a decodificação, ou interpretação, não seja demasiado limitada ou condicionante. Podem com facilidade representar informações primeiras, ou conclusões de um tema. A comunicação pode ser individual, seja do professor, se de outra pessoa, seja por meio de imagens visuais, auditivas ou audiovisuais. Mas também pode realizar-se por meio de atividades de grupo. Situam-se aqui todas as técnicas grupais, que são socializadas.

No uso das técnicas expositivas tem que tomar cuidado de não prolongá-las , por que geralmente atingem apenas um ou dois sentidos, de preferência a audição e a visão, tornando-se assim facilmente cansativas e unilaterais. Após a exposição, visando ao aprofundamento e à aplicação dos conteúdos e das idéias comunicados

Segundo Piletti e Schmidt , estas técnicas implicam basicamente uma comunicação e aprofundamento dialogado dos assuntos. Estabelece-se o diálogo, ou o confronto entre diversas idéias ou opiniões. Uma das características dessa técnica é que não são meras informações ou generalizações, como geralmente acontece na técnica expostiva. Existe sempre um elemento da dúvida ou da indagação, que é respondido de várias formas, seja através da resposta oral, seja pela pesquisa ou reflexão. Assim, estabelece-se o diálogo e ás vezes a dialética. Tem em comum com a técnica expostiva, que é uma comunicação de pessoa à pessoa ou de um meio de comunicação para a pessoa.

Entretanto, vai além disso, por causa do trabalho individual ou coletivo de aprofundamento. A comunicação é apenas um dos passos apara a aprendizagem. E a comunicação geralmente não é afirmativa, uma simples informação, mas uma indagação, uma solicitação de reflexão e resposta.

A partir dessa comunicação, ou solicitação, é que se formulam os problemas, se colhem os dados, se tiram as conclusões. São questionamentos contínuos que se lançam a todo momento a todos os integrantes da situação ensino-aprendizagem e que os desafiam a ir mais longe. É necessário que haja muita reflexão e muita comunicação nessa técnica.

Podem-se usar, especialmente com as programações, os estudos dirigidos, as tarefa dirigidas, os trabalhos de grupo com roteiro, as tarefas, os exercícios, em que todos os resultados são colocados em contínua discussão e confronto.

Schmidt e Piletti referem-se a estas técnicas como sendo fundamentalmente individuais, embora também possam ser realizadas em grupo, especialmente se estes forem pequenos. Consiste no estudo, na procura dos elementos fundamentais de uma situação, na sua análise, na posterior síntese, e, finalmente, na comunicação dos resultados. Concluí-se daí que são técnicas de altos valor educativo e de grande rendimento, pois contêm em si todos os passos de qualquer atividade científica bem realizada. Poder-se-ia dizer que se identificam com os passos do método científico.

Podem ser usadas em laboratórios, ou em qualquer situação em que o aluno sozinho, ou auxiliado por outros, procura na realidade ou nos fatos, as informações e os dados de sua aprendizagem. Têm características próprias, de acordo com o objetivo do estudo. Se, por exemplo, no zoológico, no laboratório, ou em outro lugar ou com quaisquer recursos, onde se encontram os dados originais, ou reunidos para a finalidade da pesquisa.

A elas se juntam as técnicas da experimentação. Elas não se identificam exatamente como as da pesquisa. Geralmente são a aplicação de princípios aprendidos através de outras técnicas, seja de comunicação, indagação, ou da própria pesquisa. Um aluno que aprendeu noções de mecânica, no momento em que monta um rádio, está aplicando a técnica da experimentação. Ela se presta especialmente para o campo da profissionalização, mas não exclusivamente. É uma técnica de atividade, de produção, de aplicação.

Qualquer disciplina ou assunto pode prestar-se à técnica da experimentação. Na aprendizagem da língua nacional, por exemplo, a composição situa-se no campo da técnica experimental, embora o resultado seja uma comunicação.

Lidando com material, com dados e fatos concretos, que são analisados, usados e posteriormente integrados, é que se alcança a aprendizagem. Naturalmente, pertence à plenitude da técnica da pesquisa e experimentação o posterior uso ou aplicação, e também a comunicação. Aparece novamente com clareza que nenhuma técnica é boa se usada com exclusividade.

Ainda poderiam ser indicadas as técnicas mistas e as audiovisuais. As técnicas mistas caracterizam-se pela integração, numa mesma atividade, de várias técnicas ou métodos conjuntamente. O trabalho não é completo sem esta integração. Usam-se geralmente em atividades que apresentam aspectos teóricos e práticos, tais como o estudo de línguas, a aprendizagem das ciências ou da matemática, etc. Não são propriamente uma nova técnica, mas a integração numa atividade de técnicas variadas.

Ainda se poderiam indicar as técnicas audiovisuais. Mas também elas não se constituem propriamente numa nova técnica, senão apresentam aspectos parciais de outras técnicas, fornecem material ou recursos para o usos de outras técnicas que necessitam delas para maior concentração. Participam também das características dos recursos, pois dirigem-se mais à informação dos sentidos, do que propriamente ao aprofundamento dos conteúdos. Mas, como oferecem informações e provocam concentração da atenção sobre os mais variados aspectos dos temas em foco, podem-se chamar de técnicas auxiliares.

Para Schmidt assim como os métodos, também as técnicas necessitam ser integradas. A rigor, nenhuma delas sozinha é suficiente. Se nos ativemos apenas a um tipo, facilmente limitamos o resultado da aprendizagem a algum aspecto, seja informativo, reflexivo ou prático.

Não existe uma técnica [única, válida para todas as situações e aprendizagens. Qualquer situação pode comportar uma técnica principal e várias secundárias. Ás vezes se faz necessário que haja, ao mesmo tempo, o envolvimento de várias técnicas, ou então uma alternância ou variação de técnicas. O que valeria, por exemplo, a descoberta, se ela não fosse comunicada e analisada? Não teria segurança de que a descoberta, foi válida, pois não estaria sendo sujeita à avaliação. É indispensável que haja o feedback, forma de controlar os resultados e o próprio processo.

O indivíduo que realiza a experiência não tem condições suficientes para fazer essa avaliação, pois não estará consciente do erro, se não for alertado para ele. Sempre é necessária a correção. Poucas atividades ou aprendizagens são autocorretivas, embora a auto-avaliação seja necessária.

Chegamos, pois, a uma situação característica: geralmente se usam técnicas mistas, ou várias técnicas ao mesmo tempo ou sucessivamente, para garantir o resultado da aprendizagem. Nessas técnicas se inclui a descoberta, a comunicação, a indagação, a pesquisa, a experimentação. Ao mesmo tempo que alguém trabalha sozinho em uma ou outra dessas técnicas, ele sente necessidade de se comunicar, de trabalhar junto com outros. O método individualizado é importante, mas ao mesmo tempo se exige a comunicação, a socialização. De modo que temos como método característico da aprendizagem, não o individualizado, nem o socializado, mas o sócio-individualizado, nem o socializado. E, também, paralelamente constatamos que a melhor técnica é integrada ou mista.

Schmidt acredita que o critério principal para a decisão sobre qual o método ou técnica que se deverá adotar, deve ser o que atenda à situação concreta.. Um bom método ou técnica precisa atender às características, capacidades, objetivos, aspirações, necessidades e possibilidades, recursos e circunstâncias, não só do aluno, mas do seu ambiente e de todos os elementos envolvidos no processo da educação. Não são o aluno ou o professor sozinhos que determinarão qual será a técnica ou o método a serem utilizados, mas o conjunto de fatores que neles influem e os desafiam.

Cabe ao professor, a todo momento, julgar as situações e decidir, juntamente com os alunos. Quais os melhores procedimentos, métodos e técnicas a serem utilizados. Toda aprendizagem, conteúdo ou objetivo tem algumas características próprias, que não se repetem em outras circunstâncias.

Também se pode dizer que cada momento da aprendizagem exige tratamento particularizado. Uma boa técnica de iniciação num assunto pode não ser boa para o aprofundamento ou revisão. Daí a necessidade de estar alerta às características do momento, a partir de uma contínua avaliação, se possa adotar o método ou a técnica mais conveniente.

Quanto mais se conseguir integrar todos os aspectos da vivência, tanto melhor será a metodologia. Concretamente, cabe a todo momento ao professor estar atento a todos os elementos integrantes da situação ensino/aprendizagem, para que possa fazer as opções mais acertadas.

Pelo fato de na educação trabalharmos com pessoas. As quais são diferentes e complexas. Para tanto é preciso que repensemos a prática pedagógica para que não venha generalizar o uso de certas técnicas em sala de aula. Podendo interferir na liberdade, no comportamento, nos valores e na aprendizagem dos alunos. O professor precisa conhecer as técnicas e sua diversificação para tornar o processo ensino aprendizagem produtivo, ou seja, fazer com que o processo ensino aprendizagem ocorra. Além disso, o professor precisa adequar o conteúdo ao tipo de técnica específica par não correr o risco de fracassar é o que pensa Schmidt.

Conforme as idéias de Piletti e Schmidt, a escolha dos métodos e técnicas de ensino supõe a definição da situação de aprendizagem. De acordo com as pessoas e as situações, deverá ser escolhida a metodologia. Se alguém, por exemplo, quiser adotar a proposta construtivista, ele deverá dispor de material e procedimentos diferentes do que se quiser dar uma aula expositiva, de debate em grupo ou de pesquisa.

Sem esta determinação dos objetivos, dos conteúdos e da situação concreta das pessoas que estão aprendendo, não se pode adotar uma metodologia. Por outro lado, quanto mais os alunos estiverem avançados em aprendizagem e em idade, mais se deverá variar a metodologia, dando-lhes oportunidade de aprender de diversas maneiras as mesmas coisas. Um método único, por bom que seja com o tempo se mostra ineficaz e contraproducente. A aprendizagem não é uma coisa mecânica que se realiza sempre da mesma maneira. Especialmente, considerando, que as aprendizagens não são apenas de matéria, ou conteúdos definidos, mas que muito mais importante são as aprendizagens de valores, de praticarem essas aprendizagens de maneira mais adequada às características da situação. Se a aprendizagem se limitasse apenas a aprender a ler e escrever, seria relativamente fácil escolher uma metodologia mais adequada. Mas, como se trata de aluno adquirir hábitos de pensamento, de decisão, de relacionamento, devem-se criar situações em que ele tenha a oportunidade de exercer essas ações.

A metodologia, portanto, depende de muitas circunstâncias que precisam ser tomadas em consideração, para que exista verdadeira aprendizagem, isto é, educação e não um mero treinamento e ou aquisição de alguns conhecimentos desconexos de algumas coisas. Quanto mais a educação se realizar numa situação ampla e aberta, com múltiplos relacionamentos e inter-relacionamentos e diversificados métodos e técnicas, melhor ela contribuirá para criar uma pessoa instruída, culta, preparada para enfrentar as mais diversas situações reais da vida de todos os dias e de todas as ocasiões. Cabe ao professor provocar ou propiciar situações tais que os alunos se sintam desafiados a procurar respostas e ele poderá talvez ajudar a aprender uma porção de conhecimentos teóricos, mas não ajudará muito a aplicar esses conhecimentos na vida prática de todos os dias.

De qualquer forma, cabe ao professor organizar, de alguma maneira, a situação de aprendizagem. Mesmo que ele deixe os alunos escolher a sua metodologia, ou o seu modo de trabalhar, precisa ele encaminhá-los e acompanhar de perto todo o desenrolar da atividade, para que não se desvie e para que se alcance o resultado almejado pelos alunos e por ele mesmo. Deixar tudo correr livremente não dá resultado conveniente de aprendizagem. Talvez os alunos se divirtam brincando, mas a situação de aprendizagem não existe para a diversão, senão para a aquisição de resultados, embora eles possam ser adquiridos de forma agradável e até divertida. Mas o objetivo da atividade não é a diversão, senão a aprendizagem.

A variação de métodos e técnicas, especialmente quando os alunos participam da sua escolha, pode facilitar a aprendizagem e torná-la mais agradável. Por isso mesmo, não deve ser o professor que escolha sempre o modo de trabalhar, mas ele deverá fazer a sua escolha em acordo e com a colaboração dos alunos. Nesse caso, qualquer metodologia pode ser boa para a aprendizagem.

Sabendo-se que nenhuma aprendizagem é definitiva, pois ela é um processo contínuo e inconcluso, não se deve esperar que a aplicação de determinado método alcance todos os objetivos desejados ou propostos. Mas cada atividade realizada deve contribuir para trazer o aprendiz mais próximo do resultado esperado.

A aprendizagem é uma viagem sem fim, embora com paradas e mesmo mudanças de rumo, mas sempre em direção ao objetivo desejado, embora nem sempre suficientemente claro. Qual o veículo que será usado, depende de muitas circunstâncias. Nem sempre o veículo teoricamente melhor ajuda a chegar ao fim desejado. São as circunstâncias que vão determinar qual o veículo, ou método a ser adotado. Um carro pode ser bom para andar em estradas, mas, de vez em quando, se tenha que andar em lombo de burro, onde não existam estradas, ou em barco, se tivermos que atravessar uma corrente de água. Se quisermos chegar, devemos usar aqueles meios e aqueles métodos que melhor nos levem para o objetivo desejado. Não existe método melhor nem pior, mas existem os adequados e os inadequados. Cabe à prudência do professor adotar aqueles que lhe parecem mais adaptados à situação concreta de seus alunos.

BIBLIOGRAFIA

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