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...Macaé, ano I, Nº 22 - 23 a 29 de junho de 2006
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O DNA DO PROBLEMA SOCIAL EM QUESTÃO OS MORADORES DE RUA

Cristina Vieira
Assistente Social /Chapecó SC
Crisvieira_702@hotmail.com

Rua é opção pra quem não tem apoio social

Um fato que me chamou muito a atenção quando cheguei em Porto Alegre foi a quantidade de pessoas que moram na rua, que vivem na rua, que sua vida pautada na calçada, alimentando-se de restos ou até mesmo fazendo comida em latas improvisadas com tijolos e fogo em baixo para cozinhar ou até mesmo aquecer a comida. São famílias que são constituídas na rua, mulheres filhos e maridos, é uma realidade diferente que merece uma analise e uma reflexão, já que não observo isso na cidade de onde vim, pois a cidade que Santa Catarina da parte oeste de SC, especificamente Chapecó, não vemos este tipo de coisa, podemos até justificar que não uma capital mas é uma cidade de 190.000 mil habitantes isso somente na zona urbana. O que significa que é bem menos populosa que Porto Alegre que tem 1.416.363 habitantes. Será que a raiz do problema está nesta diferença populacional? Ou será que falta uma estrutura para esse contingente da população que se vê a margem da sociedade excluída.

O que pretendemos abordar com esse tema são possibilidade de reverter a situação de desfiliação a que está submetida à população das ruas dos grandes centros urbanos.

Através deste levantamento podemos elaborar algumas reflexões que podem contribuir para a discussão e para a ação de profissionais de diversas áreas do conhecimento que estão comprometidos com o resgate da condição de sujeitos e com a construção de políticas públicas voltadas para a população de rua.

Ou seja, o resgate da cidadania da dignidade destas pessoas que são tão seres humanos como qualquer um de nos, o que não podemos deixar acontecer é que a realidade que vemos todos os dias através do vidro do carro ou do ônibus se torne normal, porque não é normal; ver o ser humano em total degradação sem condições mínimas de vida como animal que revira o lixo dos outros em busca de algo para satisfazer a sua pequena necessidade de alimentação. E nos quantas vezes vemos este quadro dramático, e ficamos em alguns casos, com pena em outros casos questionamos que tais seres são vagabundos, ladros, mal feitores que pode nos oferecer perigo. Agora eu pergunto que perigo uma pessoa desta pode nos oferecer? Não são eles que superfaturam a compra de ambulâncias não são eles que levam dinheiro na cueca, não são eles que nos Impõem impostos absurdos que nos sufocam e fazem com que pagamos todos os seus luxos e deleitos e não são eles que compram avião com o dinheiro que pode ser usado para educação para saúde para habitação; não são eles que fazem conchavos políticos com criminosos para amenizar o caús.

Então quem são eles? Pelo que podemos constatar são vitimas de um quadro social que a cada vez mais esta aumentando, são pessoas que antes eram pequenos agricultores que sem incentivo saíram da lavoura e vieram para a cidade em busca de uma vida melhor e sem escolarização e sem a experiência acabaram na rua onde hoje é o seu lar. São homens e mulheres simples que acabam enlouquecendo para poder sobreviver a cada dia a vida na rua, a noite é o frio e a chuva.

A solução so pode estar em um lugar, no poder que ainda temos, o poder do voto, será? Quantas pessoas vendem seu direito ao voto por uma cesta básica, por um pequeno agrado; devemos culpa-los por isso? Não; pois são vitimas de um sistema dês-humano e extremamente nevasto, tanto quando o holocausto, so que nossos algozes hoje tem algo diferente, o dom da palavra da emoção, são extremamente preparados por uma rede de marketing que os transformam em encanadores de pessoas perfeitos, que ironia......

Basta andar pelas ruas dos grandes centros urbanos, com um pouco de atenção, para constatar os efeitos deletérios do fim da sociedade salarial sobre a vida dos cidadãos (Castel, 2004). É notório o aumento da população de rua. Na última década, o empobrecimento progressivo da população contribuiu para esse aumento, ampliando o contingente social que vive em situação de miséria ou de inutilidade social (Castel, 2004).

Cair na rua é a expressão usada por essa população para simbolizar a ruptura que a leva às ruas e que a torna invisível, aos olhos de quem transita pelos grandes centros urbanos. Cair na rua tem sido a única alternativa de sobrevivência de pessoas que perderam o trabalho nas últimas décadas. É sabido que o aumento crescente do desemprego tem como decorrência um efeito em cascata de crescimento da população em situação de rua. Assim, cair na rua é também uma maneira de passar para o outro lado da sociedade capitalista, no qual o reconhecimento dos sujeitos como atores sociais não está necessariamente relacionado à capacidade produtiva, mas à capacidade de desenvolver estratégias de sobrevivência em situações de violência. A condição de morador de rua expõe o sujeito ao enfrentamento de carências de toda ordem, além de exigir que ao mesmo tempo ele se adapte a outras referências de vida social bastante distintas daquelas anterioriormente vividas (Vieira et al., 1994).

O que podemos constatar é que esse movimento de adaptação aos espaços das ruas ocorre em três momentos distintos, a saber: ficar na rua, estar na rua e ser da rua. Essa variação semântica parece traduzir um movimento de adaptação que vai do transitório ao permanente na relação com o espaço público.

Ao cair na rua o sujeito ainda preserva alguns vínculos com o "outro lado" que lhe permitem conseguir trabalho, mantendo contatos com alguns colegas e também com alguns parentes. Estabelecendo-se em albergues, pensões e alojamentos, pode-se dizer que, neste primeiro momento, o indivíduo fica na rua, uma vez que ainda preserva uma rede de relações de suporte. Com o passar do tempo, transforma-se a relação com o espaço das ruas e um processo de progressiva identificação com outros sujeitos cujas rotinas lhe são semelhantes permite que se estabeleça uma nova rede de relações que vai, aos poucos, substituir as antigas redes sociais. A familiaridade progressiva com o novo ambiente diminui o sentimento inicial de ameaça e vulnerabilidade, à medida em que o cotidiano e as alternativas de sobrevivência do espaço urbano vão compondo o dia a dia do sujeito. A rua e seus moradores tornam-se progressivamente mais importantes como referência para o sujeito e, dessa forma, um novo cotidiano se estrutura a partir desse novo referencial. Pode-se dizer, então, que este sujeito está na rua. A desvinculação gradativa das redes sociais de suporte e a adesão aos códigos das ruas permite uma articulação do cotidiano em torno desta nova realidade.

O espaço das ruas se constitui como local de moradia e de trabalho, neste momento o sujeito passa a ser da rua. Dessa forma o sujeito cumpre progressivamente o processo que Castel (1995) denomina de processo de desfiliaçã o. Esse processo se estabeleceria como conseqüência da crise contemporânea em torno das relações de trabalho (e o alto índice de desemprego) e definiria um movimento que levaria o sujeito de um pólo de inclusão social (com moradia, com saúde e com trabalho) para uma situação de perdas de direitos sociais e de progressivas rupturas de redes sociais.

Viver a rua como um espaço de moradia e trabalho tende a levar os sujeitos a permanecerem em lugares com maiores possibilidades de captação de recursos que favoreçam a própria sobrevivência.

O dia a dia dessa população gira basicamente em torno de dois eixos: a busca por meios de sobrevivência ("bocas de rango" para alimentação, associações para cuidados com a higiene pessoal, albergues para descanso e segurança noturnos, por exemplo) e a busca por trabalhos temporários, como bicos na construção civil, ou o recolhimento de materiais recicláveis para venda.

Por outro lado, a utilização constante dos equipamentos de auxílio que tendem a suprir as necessidades vitais dessa população parece favorecer uma situação de progressiva fixação nas ruas. Essa relação de dependência dos equipamentos de auxílio tende, também, a interferir em aspectos ligados ao desenvolvimento da autonomia dos sujeitos, fragilizando sua auto-estima e contribuindo para a fragmentação da identidade de pessoas que romperam seus vínculos sociais de referência (Domingues Jr., 2003).

Viver na rua não significa necessariamente viver sem dinheiro mas, sobretudo, significa adquirir o essencial para a sobrevivência sem passar pelo mercado. Não significa a eliminação de trabalho, mas o abandono do compromisso constante e cotidiano do emprego, substituído por outras formas de trabalho. Também não significa viver sozinho, mas estabelecer novos vínculos com diferentes pares.

Assim, viver na rua é também transitar pela possibilidade de gerar renda como estratégia para agregar valor à própria existência.

Será que o desemprego é hoje a principal causa para uma pessoa decidir ir morar na rua? Pelo que podemos observar em contato com essa população na cidade de Porto Alegre não bem assim. É uma delas mas não a única. Geralmente vai para a rua quem, em algum momento da vida, se viu diante de uma situação de perda total de condições materiais, de apoio moral e social.

Quando passei a abordar esse tema a idéia que se tinha de quem morava na rua era de alguém doente, sem família e recursos. Ou seja, época famílias que vinham de outras cidades procurar emprego nas grandes cidades, não encontravam e depois acabavam morando na rua. Hoje em dia não se pode apontar um único motivo. A rua é um lugar de muita diversidade. Mas é claro que na favela muitas vezes você encontra situações mais favoráveis para as pessoas zerarem suas condições materiais. É muito fácil e comum, por exemplo, acontecer um acidente e ela perder sua casa e todos os bens adquiridos ao longo da vida. E aí acaba indo morar na rua. O que podemos citar como um incêndio em favelas que houve aqui em Porto Alegre no ano de 1999.

Essa população já morava em condições precárias mas teve que sair às pressas e ficou abrigada em escolas conforme ia chegando. No início a mobilização foi muito grande. Essa é uma solução sempre emergencial mas depois começa a pressão para eles saírem. As pessoas que recebem ajuda de familiares, amigos e do próprio governo, ainda conseguem voltar. E os outros vão para rua. Existem ainda casos de pessoas que se instalam em áreas de risco esperando que aconteça algo para depois ganhar uma casa em outro lugar.

Esse assunto há muito o que se fala e também se escrever, porém vamos deixar esse tema para um novo artigo, onde procuraremos abordar com mais abrangência esse tema que a cada dia torna-se mais visível em todas as grandes cidades, algo que nos chocam inicialmente porém é algo que precisa ser analisado estudado no sentido de busca de soluções através de políticas públicas com eficácia e eficiência, porque não adianta tirar o morador de rua e dar-lhe uma casa é preciso dar condições dele se manter nesta casa, ou seja, precisamos é de emprego para que essa população possa com isso resgatar a sua dignidade e a sua auto-estima.

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