O PERFIL DA MULHER ATUAL
Cristina Vieira
Porto Alegre (RGS)
crisvieira_702@hotmail.com
A intenção com esse artigo é abordar as mudanças na vida das mulheres em decorrência de sua participação no mercado de trabalho, ou seja, os problemas de saúde, a jornada dupla de trabalho, a educação dos filhos as separações familiares e até mesmo a nova reestruturação da família.
Hoje não podemos definir o termo família como anteriormente; porém vale ressalta o que significa a palavra “família”. Ela é derivado do latim “famulus”, que significa “escravo doméstico”, este termo foi criado na Roma Antiga para designar um novo grupo social que surgiu entre as tribos latinas, ao serem introduzidas à agricultura e também para a escravidão legalizada.
Com a Revolução Francesa surgiram os casamentos laicos no Ocidente e, com a Revolução Industrial, tornaram-se freqüentes os movimentos migratórios para cidades maiores, construídas em redor dos complexos industriais.
Estas mudanças demográficas originaram o estreitamento dos laços familiares e as pequenas famílias, num cenário similar ao que existe hoje em dia. As mulheres saem de casa, integrando a população ativa, e a educação dos filhos é partilhada com as escolas.
Neste sentido o número de mulheres que sustentam o domicílio, responsáveis por, pelo menos, 70% das despesas do lar, está em crescimento no País.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que essas mulheres já somam 2,7 milhões e trabalham, na maior parte, nos segmentos de serviços domésticos, educação, saúde e administração pública.
Mas voltando ao nosso assunto central, a mulher na idade dos 30 anos está em seu auge biológico. Porém deve ficar atenta também que, é também a partir dos 30 anos que o metabolismo feminino começa a ficar mais lento, preguiçoso é a definição mais correta para esse termo.
A corrida contra o envelhecimento e prevenção de doenças deve ser levada mais a sério ainda, porque uma vida boa aos 80 anos é conseqüência de uma prevenção desde a juventude. Neste caso os tão conturbados exercícios que são muitas vezes negligenciados aos 20 anos, e, se tornam quase uma obrigação quando se chega aos 30, ainda mais e, após uma gravidez.
De vinte anos para cá, o número de mulheres que engravidam pela primeira vez após os 30 anos de idade triplicou no mundo. É o que podemos definir como a “era do casal moderno”, ou seja, procuram estabilidade nas relações afetivas e financeiras para depois vir à dedicação familiar.

Essa mulher moderna está bem mais ocupada e não procura mais um marido para “apenas ser casada” e sim para ter um companheiro para dividir emoções, decepções, conquistas e realizações. É um relacionamento de troca.
Sendo assim tem que se balancear a Mulher-criança, mulher-adolescente, mulher-madura, mulher-mulher, que assume papéis diversos. Heroínas do viver, quando o viver é prova de flexibilidade. Mulher-mãe, sedutora, intelectual, espiritualizada, facetas de um mesmo ser que aparecem e desaparecem no jogo de luzes e sombras. Escolhe, enterra, desenterra, descobre, mistura possibilidades.
Anteriormente a mulher era vista como sendo a grande geradora, ou seja, como poderes de criar, cooperar, plantar e colher frutos para alimentar, nutrir. Mais tarde, transformou-se em "propriedade". Quando descobriram a competição pela escassez, o Sedentarismo, as armas, e que o compartilhar das sementes e do sexo era necessário para gerar novas vidas, tornou-se cativa.
Porém com a evolução, houve a necessidade da participação da mulher no âmbito público através do trabalho. Isso quer disser que o suor nas fábricas marca a Revolução Cultural e a tão falada Revolução Industrial.
Onde novos tempos, novos papéis emblema da Dupla... Tripla jornada de Trabalho. Do espaço doméstico volta-se também para o espaço público, domínio masculino. Surge a necessidade do delimitar, rompendo os limites, regras anteriores. Na década de 60 surge o Movimento Feminista, buscando desmoronar barreiras e diferenças ... rever papéis, direitos, costumes. Esse movimento marca a luta das mulheres pela igualdade; de condições, de direitos, de efeitos, de papéis, de salário é até mesmo de respeito.
A partir deste momento a mulher começa a buscar definir seu papel na sociedade; mas que papel são estes: como assumir-los? Quando? Onde? Como? Então começa uma nova fase, onde temos a mulher executiva, mulher política, mulher afeto, mulher mãe, mulher que busca reconhecimento profissional mas que também sonha com um relacionamento amoroso saudável e feliz.
Porém, que fique bem claro que nem todos os homens salvo exceções compreende essa nova mulher que teve que se adaptar a nova realidade, ou seja alguns começam a competir com a mulher no afã de ter que ser melhor do que ela pelo simples fato dela ser mulher é ele homem. Então onde está a diferença, o limite? Mulher e homem, como sair da competição pelo mesmo espaço; como podemos ser diferentes na igualdade? E o principal sair do mito de papeis pré-estabelecidos, e tento que construir realidades peculiares a cada relação. É não esta sendo uma tarefa fácil, porem já foi bem mais difícil, hoje as mulheres conseguiram um reconhecimento profissional, porém ainda não chegamos em um denominador comum com relação ao foto de como alcançar os matizes do viver, ou seja, cooperar, plantar e colher frutos da simplicidade, saindo da complexidade do competir, retomando a possibilidade do dividir do somar e pode com isso criar, metamorfoseando novas gerações, ideais, diferenças, semelhanças, territórios divididos, compartilhados, negociados, isso é possível, pois cada tem um ritmo diverso à vida. Algumas vezes estamos mais "elétricos", outras mais lentos. Porém, temos um ritmo próprio, adaptável às diversas situações de vida, mais flexível ou não dependendo de como somos.
Depois deste breve relato sobre a questão da luta da mulher para conquistar seu espaço na sociedade capitalista, vamos abordar os problemas que essa luta trouxe para o corpo da mulher, ou seja, as alterações na saúde da mulher.
Pois como teve que fazer uma alteração em seu ritmo de vida, cabe resaltar que deve haver uma atenção a este ritmo próprio e pessoal é uma das variáveis que nos permite estar bem ou não conosco mesmos. O processo de saúde ou doença que criamos depende diretamente de como nos relacionamos com nosso próprio ritmo e também do respeito a ele.
Neste sentido quando abordamos a palavra ritmo indiretamente nos referimos ao processo de Stress. Este processo tão comum em nossa sociedade é inevitável. Esse processo vem desta a Idade da Pedra, pois também era muito comum, já que o homem naquele período também tinha que assegurar a sua sobrevivência. È hoje a nossa sobrevivência também é uma luta diária e constante. Podemos verificar isso nas próprias manchetes dos jornais, o cotidiano sobrecarregado de problemas e decisões nos leva ao universo do Stress.
Sendo assim o Stress é uma reação do organismo a estímulos externos ou internos, relacionados a necessidade de luta ou fuga. No entanto há o Stress positivo e o Stress negativo. Positivo, é aquele Stress que nos impulsiona a realizar e a concretizar coisas e nos possibilita um nível adequado de Adrenalina. Sendo este necessário à concretização, pois está associado diretamente ao impulso para buscar a realização de algo. Já o stress negativo gera um nível excessivo de Adrenalina que ocasiona um colapso em nível corporal, físico ou emocional, atuando de modo a desequilibrar todo o nosso funcionamento. O que podemos destacar do Stress positivo ou negativo estão associados a como nos relacionamos com nosso ritmo interno, o quanto temos conhecimento dele e o quanto o respeitamos. Cabe anos saber o nosso ritmo, e respeitar o próprio ritmo significa buscar uma adequação daquilo que nos é exigido pelo meio externo ou interno.
A doença surge muitas vezes como um alerta do corpo à necessidade de mudar o ritmo. Os sintomas nunca são puros sintomas, senão amostras de algo maior que nos está acontecendo. Funcionam como um alerta àqueles que aprendem a ouvi-lo. O corpo é um grande sábio. O nosso único mal é que somos educados de modo a não ouvi-lo ou respeitá-lo. E assim, nosso ritmo que está bem dentro de nós é desrespeitado a cada momento, criando novos desequilíbrios e doenças (físicas, emocionais ou mentais).
Falando em respeitar os limites devemos citar a questão do prazer pois é necessário à vida. Buscar coisas que tragam prazer, é algo essencial à vida. E poder transformar o nosso viver diário, o modo como realizamos as coisas é fundamental. Pois, o prazer é a expressão máxima do respeito àquilo que somos, necessitamos. é lógico que nem sempre estamos em estado de prazer, inclusive para alcançarmos o prazer, algumas vezes passamos por momentos de desprazer.
Porém, a grande chave é como passamos por estes momentos e o que construímos com cada um deles.
O Stress negativo nos paraliza, seja através de um colapso nervoso, parada cardíaca ou reações emocionais fortes, tais como a Depressão, as Crises de Pânico. São diversas as suas formas de expressão.
Nas últimas décadas, foi criado em todo o mundo o mito de que os problemas do coração são característicos de homens e que as mulheres não precisam se preocupar com eles. Isso até fazia sentido no tempo em que elas levavam vidas predominantemente domésticas e podiam se dedicar com exclusividade à família. "Há 30 anos, quando uma mulher enfartava, todos os cardiologistas corriam para ver. Era um extraterrestre, uma coisa fora do normal, um caso raríssimo", lembra Carlos Alberto Pastore, diretor do Instituto de Cardiologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e professor da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).
De lá para cá, muita coisa mudou. As mulheres se emanciparam, entraram no mercado de trabalho, conquistaram posições de destaque. Passaram a ser as principais responsáveis por muitas famílias. Acumularam as cobranças de profissional competente, mãe responsável, dona-de-casa eficiente e mulher atenciosa. Apressadas, não têm tempo para praticar uma atividade física nem para se alimentar adequadamente. Mais livres, saem à noite, bebem e fumam. E o coração não agüenta essa mudança radical. "As mulheres estão se equiparando aos homens em tudo, inclusive nas doenças", diz Pastore. Segundo dados da American Heart Association, há dez anos aconteciam nove infartos em homens para cada caso feminino nos Estados Unidos. Hoje, são seis casos masculinos para cada quatro mulheres com doença coronariana. Em 2002, as doenças coronarianas causaram a morte de 241.622 mulheres nos EUA, enquanto o câncer de mama respondeu por 41.514 óbitos.
De acordo com dados da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia), na cidade de São Paulo, a relação de mortalidade por doença arterial coronária entre homens e mulheres era de dez homens para cada mulher em 1970. Em 2002, a proporção já era de 2,45 casos masculinos para cada feminino.
Para esse novos dados é que a medicina esta procurando definir o perfil da mulher atual; sabemos hoje que ela trabalha muito e também tem uma vida bem sedentária e isso levou ao aparecimento de doenças que até então eram somente características masculinas.

Outro fato muito complicado que esta aumentando os índices é o fator de tabagismo pois esse é um dos grandes vilões das doenças cardiovasculares, dados da pesquisa Corações do Brasil, da SBC, apontaram um salto na proporção de mulheres fumantes no país. Ela passou de 10% para 20,5% da população na última década. Inversamente, a fatia de homens tabagistas caiu de 38% para 28%.
Como se não bastasse o tabagismo, o diabetes, a pressão sangüínea, a idade, o sobrepeso e a obesidade, o sedentarismo e as taxas elevadas de colesterol e triglicérides figuram como os fatores de risco para o desenvolvimento de uma doença cardiovascular, além da hereditariedade.
Isso demonstram o que falamos anteriormente com ralação ao ritmo acelerado de vida serve de mola para os estragos na saúde .
"A mulher de hoje anda sem tempo para se cuidar, para se curar e para fazer a manutenção do seu corpo. O estresse interno multiplica o estresse externo, e ela vira um barril de pólvora com o pavio cada vez mais curto", comenta Marcos Sleiman Molina, cardiologista e doutorando em cardiologia pela USP.
" As mais novas fumam mais, os lares e casamentos desfeitos despejam sobre as mais velhas a carga integral da família. Muitas vivem com sinais de depressão incipiente, com o humor prejudicado, sem conseguir ver beleza nas coisas, fadigadas. A doença cardiovascular é a conseqüência matemática disso tudo", completa Molina.
Esses dados infelizmente é uma realidade nacional, pois em recente pesquisa feita com a população de Porto Alegre capital do Rio Grande do Sul podemos constatar que o alto índice de mulheres com hipertensão arterial e também com problemas de diabetes, sem mencionar o fator de obesidade e também de tabagismos.
Sendo assim, cabe a nos salientar que o preço pago pela ascensão da mulher esta de certa forma prejudicando em sua saúde, porem será que esse dado não seria um demonstrativo de que a mulher levou tão a serio a disputa de poder com o homem a ponto de perder sua identificação genética. Falo isso no sentido das doenças que são características masculinas e que agora passaram a ser uma característica feminina.
Esse é assunto para muitas discussões porem a situação é grave e merece uma repensar sobre o assunto pois não basta “ter” o mais importante é o “ser”, independe do que a sociedade nos possa apregoar; a mulher será sempre mulher, e como tal é o vaso frágil. Resta saber se elas querem ser tratadas como vaso frágil?
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