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'...Macaé, ano I, Nº 37 - 6 a 13 de outubro de 2006
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A QUESTÃO DA FOME PODE MUDAR O RUMO DE UM PAÍS.

Cristina Vieira
Assistente Social
Porto Alegre_RS

Como salienta Alberto Garuti, "Resolver o problema da fome não depende só dos países em desenvolvimento".

Podemos observar que na Conferencia Mundial de 1974, as Nações Unidas determinaram que "todo homem, mulher, criança, tem o direito inalienável de ser livre da fome e da desnutrição...". Isso parece meio ideológico, já que sendo assim, deveria haver um objetivo de garantir o acesso por partes de todos, a alimentação para uma vida sadia e ativa.

Analisando esse dado podemos salientar que estamos muito longe desse objetivo.

As causas deste problema precisam ser resolvidos, pois uma pessoa faminta perde sua liberdade, ou seja, não é uma pessoa livre. Isso fica claro até mesmo no processo eleitoral que ocorreu no dia 01 de outubro de 2006, onde as pessoas que passam por dificuldades em relação a falta de condições de alimentação são mais sucessíveis a manipulação, por que precisam da alimentação que muitas vez é fornecida como forma de beneficio, e não como forma de direito.

Tanto se falou sobre a questão da fome, porém ainda não chegamos a pontuar realmente as causas desta catástrofe mundial.

Muitas pessoas falam que a fome é causada pela falta de condições que o mundo tem de produzir alimentos suficientes; será mesmo??? Creio que não. Porque temos recursos suficientes para alimentar a humanidade inteira; então onde está o problema? O Problema está no numero de pessoas, ou seja, somos "demais"... Também não é verdade, isso é mais um mito que a mídia tenta nos mostrar. Pois podemos aqui citar como exemplo paises como a China que são super populosos, e todos os seus habitantes tem no mínimo algum alimento.

Outro mito, é que no mundo há poucas terras cultiváveis, piada......Pois podemos ver através da imagem de satélites que há terra suficiente, o que ocorre é que não são cultivadas, no sentido de fornecer alimento para o país. Nesta questão entra outra história, que é a falta de incentivo por parte do governo para a agricultura.

Então o que realmente é verdade com relação a fome?

Podemos citar que a maior de todas é a questão das monoculturas, ou seja, como cita Alberto Garuti, "O produto nacional bruto (pib) de vários países depende, em muitos casos, de uma cultura só, como acontecia, alguns anos atrás, com o Brasil, cujo único produto de exportação era o café. Sem produções alternativas, a economia desses países depende muito do preço do produto, que é fixado em outros lugares, e das condições climáticas para garantir uma boa colheita"

Outra questão levantada por Alberto Garuti é com relação as diferentes condições de troca entre os vários países, ele salienta: " alguns países, ex-colônias, estão precisando cada vez mais de produtos manufaturados e de alta tecnologia, que eles não produzem e cujo preço é fixado pelos países que exportam. Os preços das matérias-primas, quase sempre o único produto de exportação dos países pobres, são fixados, de novo, pelos países que importam".

Outro problema são as multinacionais; também citadas por Garuti: como sendo organizações em condições de realizar operações de caráter global, fugindo assim ao controle dos Estados nacionais ou de organizações internacionais. Elas constituem uma rede de poder supranacional. Querem conquistar mercados, investindo capitais privados e deslocando a produção onde os custos de trabalho, energia e matéria-prima são mais baixos e os direitos dos trabalhadores, limitados. Controlam 40% do comércio mundial e até 90% do comércio mundial dos bens de primeira necessidade".

A mais complicada de todas é a questão da dívida externa, conforme a Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a dívida está paralisando a possibilidade de países menos avançados de importar os alimentos dos quais precisam ou de dar à própria produção agrícola o necessário desenvolvimento. A dívida é contraída com os bancos particulares e com Institutos internacionais como o Fundo Monetário e o Banco Mundial. Para poder pagar os juros, tenta-se incrementar as exportações. Em certos países, 40% do que se arrecada com as exportações são gastos somente para pagar os juros da dívida externa. A dívida, infelizmente, continua inalterada ou aumenta. (AlbertoGaruti).

Outro denominador são os conflitos armados, pois é neste caso, que o dinheiro necessário para providenciar alimento, água, educação, saúde e habitação de maneira suficiente para todos, durante um ano, corresponde a quanto o mundo inteiro gasta em menos de um mês na compra de armas.

Salienta ainda mais Garuti, os conflitos armados presentes em muitos países em desenvolvimento causam graves perdas e destruições em seu sistema produtivo primário.

As desigualdades sociais, que marca a luta contra a fome é, também luta contra a fome pela justiça social. As elites que estão no governo, controlando o acesso aos alimentos, mantêm e consolidam o próprio poder. Paradoxalmente, os que produzem alimento são os primeiros a sofrer por sua falta. Na maioria dos países, é muito mais fácil encontrar pessoas que passam fome em contextos rurais do que em contextos urbanos.(Garuti).

Outro ponto levantado por Garuti é a questão do Neo-colonialismo, segundo ele em 1945, através do reconhecimento do direito à autodeterminação dos povos, iniciou o processo de libertação dos países que até então eram colônias de outras nações. Mas, uma vez adquirida a independência, em muitos continuaram os conflitos internos que têm sua origem nos profundos desequilíbrios sociais herdados do colonialismo.

Em muitos países, ao domínio colonial sucederam as ditaduras, apoiadas pela cumplicidade das superpotências e por acordos de cooperação com a antiga potência colonial. Isso deu origem ao neocolonialismo e as trocas comerciais continuaram a favorecer as mesmas potências.

Ele salienta também que quando um país vive numa situação de miséria, podemos dizer que, praticamente, todas essas causas estão agindo ao mesmo tempo e estão na origem da fome de seus habitantes. Algumas delas dependem da situação do país, como o regime de monocultura, os conflitos armados e as desigualdades sociais. Elas serão eliminadas, quando e se o mesmo país conseguir um verdadeiro desenvolvimento. Mas outras causas já não dependem do próprio país em desenvolvimento, e sim da situação em nível internacional. Refiro-me às condições desiguais de troca entre as várias nações, à presença das multinacionais, ao peso da dívida externa e ao neocolonialismo. Isso quer dizer que os países em desenvolvimento, não conseguirão sozinhos vencer a miséria e a fome, a não ser que mudanças verdadeiramente importantes aconteçam no relacionamento entre essas nações e as mais industrializadas.

Sendo assim, no caso especifico do Brasil o problema da fome tem suas raízes focado no processo histórico-político da formação da nossa economia, tendo suas origens no período colonial (séculos XVI ao XIX), relacionado com a prioridade do mercado exportador de matéria-prima (açúcar, tabaco, ouro, diamante, algodão, café) sobre o mercado interno (mandioca, feijão e milho) e da concentração da riqueza da colônia nas mãos de poucos proprietários. Inicialmente a população que tinha como base à cultura da cana de açúcar e o trabalho escravo se fixou ao longo do litoral. No século XVII, com o desenvolvimento da pecuária e da cultura de subsistência, foi acontecendo a interiorização do povoamento.

Pois Até então, como menciona Paulo de Medeiros Rocha, a população conseguia manter um bom nível de auto-suficiência alimentar. A partir do êxodo no sentido da Capitania das Gerais, com o início do Ciclo da Mineração aconteceu à importação de gêneros alimentícios de outros locais, em decorrência de dificuldades no transporte e conservação dos alimentos. Esse novo cenário de deficiência de abastecimento dos gêneros teve como conseqüência à elevação dos preços, a fome e distúrbios da ordem social - tanto os pobres como os senhores de engenho se sentiram prejudicados, uma vez que a alimentação da mão de obra escrava se problematizava.

A fome é um problema para várias discussões, porém que ela reflete na organização social e política do Brasil é um fato inquestionável.

Por isso, neste segundo turno, nos brasileiros, homens e mulheres que lutamos por uma sociedade mais justa e com oportunidades de trabalho e de emprego para todos; devemos pensar muito bem, pois essa é o momento de avaliar quem estará a frente do país para conduzir essas situações e outras que fazem de nosso pais um pais do terceiro mundo.

Temos o poder na mão, ou seja na ponta do dedo, vamos pensar e refletir o que realmente é melhor para o Brasil... Se é dar o peixe ou ensinar a pescar. Eu fico com a segunda opção, pois se ensinamos a como pescar essa população não ficará mais sendo usada como massa de manobra pois saberá como buscar a sua liberdade e só assim terá condições de pensar com a cabeça e não com o estomago.


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