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'...Macaé, ano I, Nº 34 - 15 a 22 de setembro de 2006
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SEMANA FARROUPILHA

UM MARCO NA HISTORIA DO RIO GRANDE DO SUL

Setembro tem uma grande importância para o Rio Grande do Sul: 20 de setembro é a data máxima do povo gaúcho, quando é reverenciada a Revolução Farroupilha. É o marco da história e da formação política da sociedade rio-grandense e foi transformada em feriado, por decisão da Assembléia Legislativa, a partir de Lei aprovada no Congresso Nacional, em 1996.

Esta semana a Chama Crioula foi acesa em vários pontos do Estado, dando continuidade às comemorações da Semana Farroupilha que iniciaram na quinta-feira, dia 13, e se estenderão até o dia 20.

A história das comemorações da semana farroupilha teve seu inicio no Sul no ano de 1947, a partir da criação do Departamento Tradicionalista, organizado por estudantes da famosa Escola Pública Estadual Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, liderado por João Carlos Paixão Cortes. Na capital gaúcha, neste período, se ergue, no Parque Maurício Sirotsky Sobrinho, entre prédios residenciais e públicos, uma espécie de vila, com cerca de 400 barracas e galpões de madeira, denominada "Ronda Crioula".

O nome Ronda Crioula foi buscado na campanha, onde, quando se cuida do gado nas tropeadas, os gaúchos ficam sempre em redor deles, cantarolando, assobiando, tocando violão, que assim faziam para acalmar os bois. Um fogo, aceso a certa distância do gado, fica, igualmente rodeados de gaúchos que esperam para fazer a sua ronda, ou seja, vão substituir os companheir os que estão observando o gado.

Completando 54 anos, desde 1947 a Ronda Crioula reúne integrantes de CTGs - Centros de Tradições Gaúchas, piquetes e milhares de pessoas, que visitam e celebram a data, ao redor do fogo de chão, com churrasco e chimarrão, poesia, música e dança, relembrando a história e contando causos.

Como ponto máximo, encerrando as comemorações, os desfiles a cavalo ou em charretes reúnem, em todo o Estado, milhares de gaúchos, trajando as vestimentas típicas - os homens: bombachas, botas, lenços e chapéus de aba larga; as mulheres: vestidos de prenda, rodados e coloridos, e com belas flores nos cabelos. Em clima de união, de clamor cívico e consciência viva, os gaúchos dão uma profunda demonstração de igualdade, integração do campo e da cidade e de respeito a sua história, reverenciando seus antecedentes, unindo gerações e etnias.

È importante neste momento relembrar o que foi a Revolução Farroupilha, que iniciada em 20 de setembro de 1835, e que durou cerca de 10 anos, envolveu sucessivos combates. Segundo os historiadores, cerca de 20 mil homens e mulheres em luta, resultando na morte heróica de aproximadamente 3.500 pessoas, em sua maioria revolucionários.

Unindo e mobilizando os farrapos, sob a liderança de homens e mulheres do porte de Bento Goançalves, Giuseppe Garibaldi, David Canabarro, Antônio da Silva Neto, Domingos Crescêncio e Anita Garibaldi, estava o sentimento de rebeldia contra a centralização do Poder Federal, que se manifestava, de forma especial, na espoliação econômica da região. Entre as principais causas do levante, estavam a penalização dos produtos agropecuários, especialmente o charque, com altos impostos e, também, a expropriação e desvio dos recursos acumulados no Estado, até mesmo para pagar dívidas federais junto à Inglaterra.

Mas, além disso, a Revolução Farroupilha transformou-se em um momento de construção e afirmação dos princípios sociais, políticos, econômicos, culturais, e, talvez, principalmente ideológicos, que orientam a sociedade gaúcha até hoje. Apesar da guerra, do ataque constante do poder imperial, os rebeldes farrapos mantiveram a atividade econômica, desenvolveram as estruturas de poder, tanto civil quanto militar, e introduziram revolucionárias práticas democráticas.

Em 1837 e 1838, libertaram os escravos, que haviam participado da revolução; reduziram os impostos sobre exportação e restabeleceram o imposto sobre importação de gado; criaram uma fábrica de arreios e outra de curtir couros e promoveram o recenseamento da população. Ainda, dentre as medidas mais importantes, institui-se a Assembléia Constituinte e o sistema eleitoral baseado no sufrágio universal, com voto obrigatório e apuração perante o povo reunido.

Mas vamos, agora falar um pouco das danças do Rio Grande do Sul, já que esse estado é rico pela sua cultura e sua tradição.

Como capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre tem o folclore gaúcho como cartão de visita. Homens fortes e trigueiros que vestem bombachas e calçam botas de couro fazem par com mulheres de longas saias coloridas e flores nos cabelos trançados. Os gaúchos e prendas - espécies de anfitriões oficiais - convivem com outros espécimes folclóricos.

As culturas alemã e italiana, por exemplo, se encontram igualmente bem representados na cidade, que possui dezenas de núcleos de tradição étnica dos colonizadores, além dos afamados Centros de Tradição Gaúcha (CTGs). O Rio Grande do Sul é um mostruário de tipos humanos, devido a sua antiga condição de Meca dos imigrantes.

Nas colônias - principalmente nas italianas e alemãs - existem gaúchos que só aprendem o português na idade escolar. O morador dos campos da fronteira e da região missioneira, no entanto, tornou-se símbolo da estampa oficial do sul. Apelidado de"pelo-duro", pela descendência lusa com miscigenação indígena, é geralmente moreno. Sua língua é quase um dialeto entremeado de palavras castelhanas. Fala pausadamente e ri com economia, mas torna-se afável quando acolhe forasteiros. Na intimidade pode tornar-se conversador e até fanfarrão.

Os bailes gaúchos são animadíssimos. As mulheres têm fama de belas e donas de forte personalidade, apesar de discretas. Danças típicas e os Centros de Tradição Gaúcha são associações civis que cultuam o tradicionalismo. Dentro dos CTGs acontecem os bailes - fandangos - gaúchos. O apelido fandango foi herdado das danças portuguesas, mesclas de canto e sapateado.

Hoje os ritmos mais tocados são os aparentados da valsa (rancheira, chote, vaneira e bugiu) - e os pares dançam juntos. Os grupos de dança folclórica também executam bailados típicos como a Tirana, Balaio, Pezinho e o Pau de Fita, onde fitas coloridas vão sendo trançadas em um poste pelos pares. A chula - um desafio masculino de sapateado - e a dança dos facões, que simula uma luta, são igualmente populares.


Por tanto se você puder visitar o Rio Grande do Sul neste mês, você terá a oportunidade de conhecer e também aprender e até dançar as danças do Rio Grande do Sul, pois este estado é rico em suas tradições e suas danças e suas músicas, além de ser um povo hospitaleiro que recebe a todos com muito carinho.


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