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...Macaé, ano I, Nº 29 - 11 a 18 de agosto de 2006
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Luta Armada

Um sonho dilacerado por 35 balas

"Era mau aluno,
treinava judô.
Sorriso moleque,
morreu em pedaços,
35 balaços."

Celso Lungaretti

O assassinato de Eremias Delizoicov, é um dos mais estúpidos cometidos pela ditadura militar, aqui no Brasil. Se é que exista assassinato inteligente...

Mais o fato é que Eremias era mais um daqueles jovens sonhadores que pegaram em armas para lutar contra a ditadura militar. Ele era militante da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária).

Boa praça, Eremias era um excelente filho, estudava bastante, tocava violão, fazia judô e ainda adequava os seus horários de forma que pudesse ajudar seu pai no comércio.

No colégio MMDC em São Paulo, Eremias e mais alguns colegas, entre eles o ex-guerrilheiro Celso Lungaretti, começam a militar no movimento estudantil. Eremias lê muito, e isso faz com que ele já esteja certo de suas convicções políticas.

A decretação do AI-5, é um passo para muitos jovens caírem na clandestinidade. Eremias e o seu grupo de estudos, já "namoravam" a militância em várias organizações de esquerda. E depois de muitos contatos, eles ingressam na VPR.

Logo vem a necessidade de cair na clandestinidade. Eremias devido à militância no movimento estudantil e o já recrutamento na VPR, cai na clandestinidade, com o codinome de "Zequinha", ele passa a viver cumprindo funções para a organização e tentando derrubar o regime militar pelas armas.

Será que um estudante secundarista de 18 anos representava tanto perigo assim para a sociedade? Enquanto há vários assassinos e traficantes soltos pelo país. Tudo bem que a época é outra, os tempos mudaram. Mais o país é o mesmo, e a injustiça continua reinando nessa selva de pedra.

E agora? Cercaram o Aparelho.

Chega o "grande dia". Esse dia é 16 de outubro de 1969. Os agentes do DOI-CODI/RJ cercam o aparelho de Eremias, que ficava na rua Tocopi, 59, em Vila Cosmos, Rio de Janeiro. Ele morava junto com o ex-sargento do exército Jose Araújo Nóbrega, também militante da VPR.

Havia ali um aparato enorme da repressão. Eram dezenas de homens armados que pediam para os moradores se afastarem porque haviam "terroristas" perigosos morando naquela casa.

E assim os policias desferem rajadas de metralhadora, jogam bombas e invadem o aparelho onde Eremias encontrava-se sozinho. Muito gás. Um barulho enorme e Eremias não sabia o que fazer, estava meio cego por causa do gás, e de repente ele sente uma mão entrelaçar o seu pescoço. Era um agente da repressão que lutava judô e tinha 140 quilos. Ele deu uma gravata em Eremias, que sentido aquela mão o sufocar deu um tiro com o seu revolver no braço do assassino. Logo o brutamontes larga Eremias, e a repressão lhe dá alguns tiros.

Foram "só" 35 tiros que Eremias levou de um grupo de dezenas de policias.

Um jovem de 18 anos, cercado e meio cego por causa do gás. Era esse o "terrorista" perigoso, o homem que deveria ser eliminado, por representar um grande perigo para o país.

Termina assim a historia de Eremias Delizoicov.

Morto com 35 tiros.

E hoje nós refletimos e vemos que rumo nosso pais tomou. Francamente caros leitores, espero que esse rumo seja melhor, e menos desastroso do que o rumo que o pais deu a Eremias Delizoicov.

Ciro Campelo Oliveira - 24 anos
Contato: ciro_campelo@hotmail.com


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