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...Macaé, ano I, Nº 24 - 7 a 14 de julho de 2006
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Carlos Lamarca, O Desertor!

Ciro Campelo Oliveira
ciro_campelo@hotmail.com
Vitória ES - 24 anos

Muitas pessoas execram o Capitão Carlos Lamarca, por ter sido um desertor, por ter abandonado o exército brasileiro e é acusado de muitos por traição. Bem, é a opinião deles não é? Por mais absurda que sejam, elas existem.

Mais vamos analisar friamente, caros leitores. Qual foi o exército que o Capitão desertou?

Eu respondo: Foi um exército que matava civis, um exército que espancava e matava estudantes, um exército que reprimia toda e qualquer forma de expressão, um exército que batia em operários que ganhavam uma miséria para sustentar suas famílias... etc

E você meu caro leitor? Se imagine nessa situação, batendo em estudantes, reprimindo greves que eram legitimas diga-se de passagem, matando e batendo em estudantes, esses que queriam por sua vez "Grêmios Livres", eram garotos de 17 anos, como o Edson Luis, morto em uma manifestação no Rio em 1968.

Agora entra em cena a dignidade e a moral de um homem. Calos Lamarca, após ver uma miséria terrível no canal de Suez e fazendo parte desse exército de assassinos o Capitão, melhor atirador do exército resolve desertar e lutar por um país livre, lutar para acabar com a tortura e com a desigualdade no nosso pais, então Carlos Lamarca, Darcy Rodrigues, Carlos Roberto Zanirato e mais alguns companheiros deixam a farda de lado, e deixam o quartel de Quitaúna com mais de 50 fuzis FAL, e caiu na clandestinidade entrando na VPR (Vanguarda Popular Revolucionária ).

Ele e seus companheiros entram de cabeça na luta, e pegam em armas pra libertar o país, além de Carlos Lamarca, muitos estudantes, operários, militares e intelectuais se engajaram nessa luta que resultou em centenas de desaparecidos, e muitos mortos e muitas mais muitas pessoas mesmo sofreram torturas nas mãos do militares e de "policias" civis e militares da época desses nós não falamos porque não merecem a Honra.

Muito bem! Lamarca deserta em janeiro de 1969 e tem uma vida até longa na clandestinidade, onde foi marcada por ações incríveis como o roubo do cofre do Adhemar, a fuga do Vale do Ribeira, o seqüestro do embaixador alemão ( ele não participou mais ajudou com Joaquim Câmara Ferreira e Devanir José de Carvalho a elaborar a lista dos 40 presos ), e o seqüestro do embaixador suíço, esse sim comandado por ele mesmo.

Após a libertação do embaixador suíço em janeiro de 1971 a VPR estava em frangalhos, e por manter a posição de não matar o embaixador suíço ele entrou em conflito com muitos militantes da VPR e com a crise instalada na organização ele pede o desligamento e vai para o MR8 ( Movimento Revolucionário 8 de Outubro ) e sendo um dos homens mais procurados do pais Lamarca fica sem ter como ficar no Rio ou até mesmo em São Paulo e vai para a Bahia, afim de montar lá no sertão um foco guerrilheiro.

Após alguns meses é morto em setembro de 1971 pelo então Major Newton Cerqueira, que acreditem vocês, matou um homem magro , possivelmente com doença de chagas e deitado embaixo de uma árvore.

Foi desse exército que Lamarca desertou meus amigos, de um exército de covardes como esse major que acreditem vocês foi secretário de segurança do Rio de Janeiro, ainda bem que nessa época a ditadura já tinha acabado e eles não podiam mais matar livremente como antes.

Carlos Lamarca merece todo nosso respeito e admiração sim, porque foi um homem digno que preferiu morrer na luta do que fugir dela.

E hoje estamos aqui estreando como colunista em O REBATE e resolvemos deixar aqui a nossa justa homenagem a esse grande Brasileiro.

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