
TEXTOS DE CIDA GARCIA 
Acompanhar a evolução da Arte tem a ver com nossa própria evolução neste mundo, das mudanças, das leituras várias que fazemos das possibilidades que nos acenam.
O que queremos, o que tentamos alcançar?
A beleza estética seria hoje o propósito da nossa linguagem, o objeto da nossa busca?
Hoje busco mais....
O suporte que a sustenta não é mais a base para algo que desperte o encantamento.
Quero a provocação, quero convocar o outro no sentido de dividir comigo, dúvidas, questionamentos que levariam á busca para a reflexão.
Não mais algo estático, decorativo, mas algo vivo, intrigante e instigante.

Quero o belo e o feio cumprindo sua função social, atingindo o ser humano, o próximo para uma chamada, uma convocação para a guerra ou para a paz.
Que minha obra ostente bandeiras, remexa conceitos, traga uma visão nova que dirá que o senso estético está na sua capacidade de reagir ao apelo que lhes faço...apelos visuais brotados do meu relacionamento com o mundo á minha volta.
Libertados de mim, dirão algo ao meio, viverão sua própria experiência....
Meus movimentos ganharam um ritmo intenso.
Linhas cortam o espaço criando curvas nunca antes existentes.
Meu irmão se diz agredido pela minha arte, minhas cores fortes fazem com que ele se sinta incomodado.
Vejo-as hoje como meus caminhos, minhas buscas frenéticas.
Um artista de Belo Horizonte disse certa vez que sou uma kamikaze, vou de peito aberto para a luta, bato de frente.
Não me dou por vencida e meus quadros retratam isto na confusão, no emaranhado de linhas, que nelas são entrelaçadas, as vezes se confundem mas não perdem o alvo.
O incomodo talvez seja pelo fato de querer desembaraça-las, criar linhas paralelas ou únicas, rebaixar as cores, suavizar minha vida.
Impotente diante de tal possibilidade, se irritam, minhas estradas não tem pistas para quem por elas trafegam.
Eu tenho o mapa, abro as portas que elas contém.
Essas passagens, janelas me dão acesso ao outro lado...á nuances calmas, suaves.
Breve abastecimento....de novo a estrada... |