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'...Macaé, ano I, Nº 34 - 15 a 22 de setembro de 2006
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TEXTOS DE CIDA GARCIA

Acompanhar a evolução da Arte tem a ver com nossa própria evolução neste mundo, das mudanças, das leituras várias que fazemos das possibilidades que nos acenam.

O que queremos, o que tentamos alcançar?

A beleza estética seria hoje o propósito da nossa linguagem, o objeto da nossa busca?

Hoje busco mais....

O suporte que a sustenta não é mais a base para algo que desperte o encantamento.

Quero a provocação, quero convocar o outro no sentido de dividir comigo, dúvidas, questionamentos que levariam á busca para a reflexão.

Não mais algo estático, decorativo, mas algo vivo, intrigante e instigante.

Quero o belo e o feio cumprindo sua função social, atingindo o ser humano, o próximo para uma chamada, uma convocação para a guerra ou para a paz.

Que minha obra ostente bandeiras, remexa conceitos, traga uma visão nova que dirá que o senso estético está na sua capacidade de reagir ao apelo que lhes faço...apelos visuais brotados do meu relacionamento com o mundo á minha volta.

Libertados de mim, dirão algo ao meio, viverão sua própria experiência....

Meus movimentos ganharam um ritmo intenso.

Linhas cortam o espaço criando curvas nunca antes existentes.

Meu irmão se diz agredido pela minha arte, minhas cores fortes fazem com que ele se sinta incomodado.

Vejo-as hoje como meus caminhos, minhas buscas frenéticas.

Um artista de Belo Horizonte disse certa vez que sou uma kamikaze, vou de peito aberto para a luta, bato de frente.

Não me dou por vencida e meus quadros retratam isto na confusão, no emaranhado de linhas, que nelas são entrelaçadas, as vezes se confundem mas não perdem o alvo.

O incomodo talvez seja pelo fato de querer desembaraça-las, criar linhas paralelas ou únicas, rebaixar as cores, suavizar minha vida.

Impotente diante de tal possibilidade, se irritam, minhas estradas não tem pistas para quem por elas trafegam.

Eu tenho o mapa, abro as portas que elas contém.

Essas passagens, janelas me dão acesso ao outro lado...á nuances calmas, suaves.

Breve abastecimento....de novo a estrada...

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