Meus queridos amigos, há poucos dias encaminhei a entrevista de Chico
Buarque para Vcs, em defesa de Lula. Encaminho agora a outra perspectiva.
De acusação ! Aproveito para dizer que estou muito contente com o apoio
dos amigos e colaboradores verdadeiramente atuantes(mais de uma centena) na
divulgação de minha candidatura, quer pela Internet quer distribuindo meus
panfletos.
Vamos redobrar os esforços a partir de agora, quando entramos na reta final
da campanha. Meus amigos/as estão pensando em organizar um chop, entre 18
e 21 horas, no próximo dia 21, provavelmente no Posto 6. Vcs poderiam
comparecer ? Eu ficaria muito contente com a presença de Vcs que têm dado
um brilho especial à minha candidatura.
Bjs com carinho, Ceci .
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Lula adotou ética de Collor, diz Cristovam
"Talvez por isso mesmo, o Collor vai votar no Lula", afirma pedetista, que
acusa presidente de ser conivente com escândalos. Candidato, que tem 1% nas
pesquisas, enxerga em Lula a "tentação de passar por cima do Congresso" com
medidas antidemocráticas
Eliane Cantanhêde (Colunista da FOLHA) - O candidato do PDT à Presidência
da República, Cristovam Buarque, disse ontem que o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva "usurpou a Bolsa-Escola, usurpou a política econômica do
Fernando Henrique [Cardoso] e usurpou a ética do [Fernando] Collor". E
ironizou: "Aliás, talvez por isso mesmo, o Collor vai votar no Lula". Para
Cristovam, Lula foi "omisso ou conivente" diante dos escândalos que
surgiram no seu governo, como o mensalão, e não terá condições de liderar
um pacto nacional -ou "concertación", como prefere o governo- com as forças
políticas, inclusive as de oposição. Em entrevista à Folha, Cristovam
previu um panorama sombrio no caso de reeleição de Lula. Falou em "calote
na economia", na "tentação de passar por cima do Congresso" e na
possibilidade de "tomar medidas que desrespeitem as regras da democracia".
Pernambucano, 62, Cristovam Buarque foi reitor da Universidade de Brasília
e governador do Distrito Federal pelo PT. Hoje, é senador pelo PDT, com
mais quatro anos de mandato, e tem em torno de 1% das intenções de votos,
segundo o Datafolha. Seu lema de campanha é a educação.
FOLHA - Por que o sr. decidiu ser candidato a presidente, mesmo depois de
perder a reeleição para o governo do DF e de ser demitido do MEC por Lula?
CRISTOVAM - Quem tem uma causa não desiste. Além disso, na eleição
seguinte, eu fui o senador mais votado no DF e até hoje ninguém teve tanto
voto quanto eu tive aqui. Quanto ao MEC: essa pergunta tinha de ser feita
ao presidente Lula. Só não foi por mensalão, por corrupção nem por traição.
Quando assumi o ministério, eu peguei o programa do Lula e o levei a sério,
pensei que era para valer, decidi executar tudo, mas todos os projetos
ficaram engavetados na Casa Civil. Eu levei a sério o programa do governo
Lula, mas todo mundo sabe que o próprio Lula não levou.
FOLHA - A forma de sua demissão, por telefone, diz algo sobre a
personalidade do Lula?
CRISTOVAM - A minha demissão e a substituição do seguinte [Tarso Genro]
para presidir o PT, e por um secretário-executivo que virou quase um
interino por quatro anos, demonstram o desinteresse pela educação. E tudo o
vem sendo feito na área é para o ensino superior. Por quê? Porque tem uma
força corporativa por trás. Não tem sindicato de analfabeto, tem? Então, a
secretaria para a erradicação do analfabetismo, Lula fechou depois que eu
saí. Lula não compartilha da idéia de que o povo se liberta pela educação.
FOLHA - A sua candidatura não tem uma característica muito personalista,
não partidária?
CRISTOVAM - Fui escolhido por dois terços dos votos da convenção, o que é
raro, e além disso a minha bandeira é a do PDT: a educação. O que
identifica [Leonel] Brizola? É a educação e a defesa da nação brasileira. É
preciso lembrar que, em 1989, meu primeiro voto não foi no Lula, foi no
Brizola.
FOLHA - E o 1% nas pesquisas? O sr. contava com isso?
CRISTOVAM - Eu queria estar muito acima, claro. Quero, de fato, ser
presidente do Brasil. O eleitor está mais preocupado com o aqui e agora,
com a podridão que há na superfície da política e com a violência no
Brasil. Mas eu quero mudar o Brasil, derrubar o muro entre incluídos e
excluídos que impede o Brasil de se tornar uma nação desenvolvida. Só há um
caminho: a educação.
FOLHA - O Lula já está reeleito?
CRISTOVAM - Não acho. Ainda faltam três semanas e, se reeleito, o Lula vai
dar calotes nas promessas, como certos aumentos salariais, o aumento da
Bolsa-Escola, digo, da Bolsa-Família, e o aumento irresponsável de alguns
programas populistas. Ele não vai conseguir, e vai ser uma moratória
eleitoral. Já imaginou o Lula reeleito no primeiro turno? Vai ser uma
espécie de anistia ética, e eu me pergunto quanto tempo vai demorar para se
rever a cassação do José Dirceu. Então, eu temo, sim, pelas instituições.
Reeleito no primeiro turno com mais de 50 milhões de votos, Lula chega ao
poder com o Congresso desmoralizado, com um partido pequeno, com prazo de
quatro anos para concluir o mandato. A tentação para passar por cima do
Congresso e para tomar medidas que desrespeitem as regras da democracia
será muito forte.
FOLHA - A sensação da população é que o Lula foi quem criou o
Bolsa-Família, quando foi o sr. quem implantou o então Bolsa-Escola no DF,
que é basicamente a mesma coisa. Como o sr. permitiu essa apropriação?
CRISTOVAM - Eu inventei a Bolsa-Escola e o Poupança-Escola que, aliás, é
outra coisa que o Lula vai se apropriar qualquer dia desses, que é pagar a
criança quando passar de ano, mas depositando numa poupança que ela só tira
depois de concluir o segundo grau. Eu inventei quando estava na
universidade, publiquei em livro e implantei no governo do DF. O Lula se
apropriou de tudo que ele herdou de bom no Brasil. Ele se apropriou da
auto-suficiência do petróleo e do Real. Melhor: ele diz que salvou o Real,
apesar de ter sido contra ele, lembra? Ele se apropriou da Bolsa-Escola,
mudando o nome para ficar mais fácil de se apropriar. Além de ser o criador
de tudo o que havia de bom, ele aparece como salvador de tudo que havia de
ruim.
FOLHA - Como ele conseguiu se apropriar de tudo isso?
CRISTOVAM - Ele tem uma máquina tremenda nas mãos, uma campanha
publicitária imensa, apesar de ser um comportamento muito pouco ético. O
Fernando Henrique poderia ter ter mudado o nome do Bolsa-Escola, quando
ampliou do DF para o resto do país, mas não o fez, mesmo eu sendo
adversário dele. Foi um gesto raro de generosidade política. O Lula, ao
contrário, se apropriou de tudo. Qualquer dia vai dizer que o Real foi obra
dele. O Lula usurpou a Bolsa-Escola, usurpou a política econômica do
Fernando Henrique e usurpou a ética do [Fernando] Collor [de Mello]. Aliás,
talvez por isso mesmo, o Collor vai votar no Lula.
FOLHA - Isso tudo não é mágoa de quem foi demitido e de quem vai perder a
eleição?
CRISTOVAM - Eu não tenho mágoa: eu tenho causa. Mágoa, a gente tem nas
relações pessoais. Nas relações políticas, a gente tem frustrações.
Frustração com o Lula? Ah! Isso eu tenho, e muito. Eu ajudei a eleger o
Lula, e tenho uma enorme frustração de ver a negação de tudo o que a gente
defendeu.
FOLHA - Qual a avaliação da economia no governo Lula?
CRISTOVAM - As bases da política econômica são essas, não há outras para
colocar no lugar. A arena do debate ideológico hoje não é aí, é a política
orçamentária e fiscal. Aí, sim, faço críticas ferozes. Ninguém pode avaliar
bem uma política fiscal que recolhe 40% da renda nacional para impostos. O
que proponho é um pacto entre os três Poderes para, durante três a quatro
anos, não haver nenhum aumento de gastos no setor público.
FOLHA - Não é uma utopia? De que país o sr. está falando?
CRISTOVAM - O Rio Grande do Sul fez, por que não podemos fazer? Ou a gente
faz isso, ou só tem dois jeitos: uma ditadura ou voltar a inflação. Essa
carga fiscal vai gerar um desastre, baixar o juro por decreto gera outro
desastre, voltar a inflação cria também um outro desastre. Então tem que
congelar gastos, jogar o que vier de aumentar de renda em investimentos.
FOLHA - O Lula sabia ou não de todas essas coisas que derrubaram três
ministros e a cúpula do PT?
CRISTOVAM - Isso não é falar de política, é falar de espionagem. Eu não
sei. Agora, se ele não sabia, ele era muito omisso em relação ao que
acontecia ao seu redor.
FOLHA - E se sabia?
CRISTOVAM - Ele foi conivente com atos ilegais e mentiu ao povo brasileiro,
ao dar a impressão de que estava indignado.
FOLHA - O sr. diz que o presidente foi omisso ou conivente, mas, pelas
pesquisas, ele tem chances concretas de se reeleger em primeiro turno. O
que acontece com o povo brasileiro?
CRISTOVAM - Não é com o povo, é com o eleitor brasileiro. O povo é uma
entidade que pensa cem anos na frente, e o eleitor só pensa no hoje na hora
de votar. Está perdendo a crença e achando que todos são iguais.
Antigamente, se dizia "rouba, mas faz". Hoje em dia, é "rouba, mas é um dos
nossos".
FOLHA - O que vai acontecer com o PT, seu ex-partido?
CRISTOVAM - Primeiro, o que já está acontecendo. Virou um partido
acomodado, para não dizer conservador. Em segundo lugar, tudo indica que
diminuirá de tamanho no Congresso.
FOLHA - O seu novo partido, o PDT, corre riscos com a cláusula de barreira.
CRISTOVAM - A gente não sabe direito qual será o tamanho da bancada, mas as
pesquisas dizem que o partido vai passar sem susto pela cláusula de
barreira, que usa o critério de número de votos.
FOLHA - O Lula propõe uma "concertación" das forças políticas em nome do
que "é melhor para o país". É possível?
CRISTOVAM - É uma proposta fora de hora. Teria sido ótima no início do
governo. Não agora. Seria a salvação dele para a história. O segundo
mandato vai condená-lo.
Frases/CRISTOVAM BUARQUE: "O Lula usurpou a Bolsa-Escola, usurpou a
política econômica do Fernando Henrique e usurpou a ética do [Fernando]
Collor. Aliás, talvez por isso mesmo, o Collor vai votar no Lula" ***///***
"Reeleito no 1º turno com mais de 50 milhões de votos, Lula chega ao poder
com o Congresso desmoralizado... A tentação para passar por cima do
Congresso e para tomar medidas que desrespeitem as regras da democracia
será muito forte" ***///*** "Se reeleito, o Lula vai dar calotes nas
promessas, como certos aumentos salariais... Vai ser uma moratória
eleitoral".
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