Carolina Oliveira
Ser de todo mundo e não ser de ninguém seria o mesmo que não ter ninguém também. São só momentos passageiros, beijos empolgados de alguns minutos - que na grande maioria é sem sentimento nenhum -, uma companhia momentânea e com um único aparente prazer de manter a ilusão de que são "solteiros, sim; sozinhos, nunca".
Isso acontece mais com jovens que vão em festas, boates ou micaretas acompanhados de uma boa dose daquilo que, para eles, liberam tudo e se sentem livres. É um engano bastante cometido, e passado o efeito do álcool, essas pessoas caem em si quando chegam em casa e não têm ninguém para dar um beijo de boa noite e deitar abraçado numa noite fria e chuvosa, não têm ninguém para dar carinhos e carícias, e realizam que não há presença nenhuma de interesse das pessoas que elas beijaram na noite ou dia de muita euforia e zoação. Elas vêem o descaso, a rejeição. Percebem que a graça e esperada atitude do dia seguinte, o telefonema da outra pessoa, passa longe da realidade.
Essa histórias se repetem, não mudam, e essas pessoas estão fadadas ao fracasso emocional e à tão temida solidão.
As pessoas têm medo do compromisso e por isso não encaram. Elas só têm em mente o lado negativo e não dão a chance de viver um sentimento. Amar é se permitir a viver um puro, raro e lindo sentimento. É doar e receber. É disponibilizar a alma para surpresas aparecerem. É ter alguém que nos dê atenção, cumplicidade, que nos dê colo para chorar e mão para enxugar as lágrimas. Mas isso não vai ser encontrado na vida de quem tem na cabeça a idéia de que a poesia "tribalista" faz algum sentido.
Beijar, abraçar ou qualquer outra coisa é muito bom, evidentemente, mas encontramos isso numa relação sólida também. Quero dizer, tem e muito, caso seja por algum sentimento verdadeiro que o casal está junto.
A gente pode aprender a amar, se relacionar. Tudo isso vai além de cobranças. Não precisa amar como conceitos ditos antigamente. Somos livres para optarmos.
Tudo tem seu lado bom e ruim, nada é cem por cento. Mas podemos aproveitar tudo o que cabe a nós.
Na verdade, somos todos uns solitários, mas a grande arte de poder amar e ser correspondido, a fim de compartilhar momentos de alegria e tristeza, cuidar um do outro, trocar experiências, afetos, conflitos e sensações é muito bom e nos engrandece.
É bom demais ser livre para beijar e ser autêntico. É muito bom ter alguém para amar.
Carolina Oliveira - 19 anos
Macaé - RJ
E-mail: mcfanatic@gmail.com
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