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...Macaé, ano I, Nº 27 - 28 de julho a 4 de agosto de 2006
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QUERO DE VOLTA O RIO QUE MEUS AVÓS NAVEGAVAM, PESCAVAM LINDOS ROBALOS E ERA LIMPIDO.

Carolina Oliveira
Macaé - 16 anos
mcfanatic@gmail.com

Ninguém coloca no lugar aquilo que tirou. A boa educação e o respeito estão longe de pessoas que só pensam em si mesmo. E não é diferente com a natureza. Pelo contrário, é até mais evidente e maléfico, pois está ligado diretamente a qualquer pessoa, e, por ignorância dos que 'metem a mão', estes e outros sofrerão mais cedo ou mais tarde com as conseqüências.

Arrancar árvores, por exemplo, é fácil, para usar a madeira extraída na construção de casas e estas ficarem lindas. Agora, por que repô-las é tão difícil? Na teoria é normal tagarelar, mas na prática a coisa toda muda.

E o Rio Macaé não está nada longe disso. Aliás, está bem próximo. O rio que nasce na serra de Macaé, no limite entre Macaé e Lumiar (Nova Friburgo), tem grande parte do seu leito navegável. Ele tem a responsabilidade de abastecer a cidade, e, por isso, carrega o peso de ser bem tratado e conservado.

Mas não é bem desse jeito que as coisas têm acontecido. Um dos mais cultuados paraísos naturais do Rio de Janeiro vem sofrendo com a inevitável ocupação humana, que resulta na destruição de grande parte de sua mata ciliar. Isto degrada o local, comprometendo as nascentes e os cursos d'água que são responsáveis pelo abastecimento da população.

Outro grave problema no local é o acúmulo de lixo em certas áreas, principalmente de garrafas PET. Existem várias empresas comunitárias que reciclam essas garrafas plásticas, mas as pessoas não têm a capacidade de fazer um favor a elas mesmas de evitar a poluição num rio que é a fonte da vida de uma cidade.

O grande atrativo dessa região é a natureza dominada pela paisagem com o clima de montanha, o verde da mata, o colorido das flores, as cachoeiras, a possibilidade da prática de esportes de aventura e a tranqüilidade de um meio rural. Então não podemos deixar que essa área de grande potencial turístico seja agredida por desmatamentos, queimadas, loteamentos, urbanização, poluição por esgotos e lixo.

Às vezes parece ser um assunto chato, mas ele é de extrema importância na vida de todos nós. Se usadas as palavras "convívio" e "equilíbrio", talvez possamos falar de ecologia, o que geraria mais compreensão para os que ainda não têm noção ou não vêem que ela é indispensável para a existência do planeta.

Claro que devemos viver o presente, aproveitar tudo o que há de bom em nossas vidas neste momento, já que o passado não volta mais. Mas se quisermos pensar no próximo e na sobrevivência na e da Terra por mais tempo, poderíamos respeitar e aceitar mais as nossas condições de seres dependentes da natureza. Sem ela, não há vida de qualidade, e sem vida, não há futuro. Ou presente digno.


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