Fundado em 16 de abril de 1932

...Macaé, ano I, Nº 29 - 11 a 18 de agosto de 2006
Não perca o Caderno R. Cultura, Educação e Entretenimento. Exclusivo para O Rebate on Line
Colunistas
Adriano Benayon
Almir da Silva Lima
Ana Cristina Gama
Andrei Bastos
Angela Maria
Antonio R. Nóbrega
Carolina Oliveira
Ceci Juruá
Ciro Campelo
Cristina Vieira
Daniel Felipe Matos
Denise Barreto
Denise Calixto
Edson Monteiro
Farduim
Fabiana Madruga
Giulianna Medeiros
José Milbs
Langstain Almeida
Leandro Domingues
Letízia Borges
Lúcio Aguiar
Manoel Barbosa Filho
Marcel Silvano
Mariana Gama Soares
Marly Santiago
Milton Nunes Filho
Moctezuma Pinto
Monique Cruz
Patrick Francisco
Rodrigo Costa
Rui Nogueira
Vanessa Gonçalves
Vera Lúcia Gama
 
Ache seu imóvel!
 

A casa acessível

ANDREI BASTOS

Falar de moradia acessível é falar de uma verdadeira revolução cultural. Não poderia começar por lugar melhor do que o próprio espaço da habitação. Mesmo o desenho industrial e a ergonomia deixam de examinar e incorporar as necessidades especiais, dessas pessoas especiais, e não estabelecem parâmetros que as incluam no uso dos espaços e objetos. Os cursos de arquitetura, engenharia e design, técnicos e universitários, não têm cadeiras dedicadas ou incorporam seus conceitos.

Apenas para demonstrar a natureza cultural da falta de consciência da deficiência, a física, conto uma experiência: ao me locomover com muletas por calçadas ou corredores de shoppings, com freqüência estanco cara a cara com pessoas sem deficiência, muitas vezes jovens, que ficam paralisadas diante de mim como a querer que eu dê a volta, desimpedindo o caminho. Fico parado, encarando com um sorriso, e depois de um tempo de impasse e hesitação, "a ficha cai" e as pessoas dão a volta, às vezes pedindo desculpas.

Isso acontece porque esta é nossa prática desde os tempos primitivos, com o abandono no caminho, para morrer, de idosos, doentes e pessoas com deficiência... Nossos olhos perfeitos não estão educados para ver tais diferenças e considerá-las como parte do nosso universo (certas coisas só acontecem com os outros).

Mas o mundo mudou, estamos vivendo mais tempo e melhor, a medicina está vencendo a maioria das doenças e as pessoas com deficiência estão reagindo. São esses avanços que nos obrigam a refletir sobre as condições de habitação.

Afortunadamente, uma das mais significativas providências para promover essa mudança de comportamento foi a iniciativa do Sinduscon-Rio (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Rio), que resolveu enfrentar o problema dentro de casa: elabora um Guia de Verificação em Acessibilidade, a ser adotado pelas construtoras filiadas.

O maior detalhamento possível, o cuidado necessário para não deixar passar nada, com longas leituras e discussões de itens do Código de Obras, das exigências do Corpo de Bombeiros e da prefeitura, assim como das leis que contemplam a acessibilidade, e o trabalho sem açodamento - tudo isso está sendo possibilitado pela dedicação dos engenheiros que compõem o grupo.

A dica é essa: deve ser aí, no momento da concepção, no caso edificações destinadas à moradia das pessoas (de todas elas), que a preocupação com a acessibilidade precisa ser incorporada. Se a sociedade - especialmente as empresas de ônibus- fizer como os engenheiros que constroem as edificações no Rio e educar os olhos para enxergar a realidade múltipla de cara, incorporando ao seu processo criativo e de construção o atendimento a todas as necessidades humanas de locomoção e manipulação de objetos, especiais ou não, será feita a revolução cultural . Não é difícil, proporciona uma vantajosa relação custo x benefício se integrada ao projeto, e todos saem ganhando. Os engenheiros do Sinduscon-Rio dão um belo exemplo.

ANDREI BASTOS é jornalista.

*Site: www.andrei.bastos.nom.br


Veja outros artigos de Andrei Bastos

Configuração mínima: 800x600. Recomendamos o Mozilla Firefox. Clique aqui para baixar a versão 1.5
Criação e manutenção Artimanha