Vamos invadir essa praia
ANDREI BASTOS*
andrei@ism.com.br
"O preço que os homens de bem pagam pela indiferença aos assuntos políticos é ser governados pelos maus"
(Platão, filósofo grego, 427 a.C. - 347 a.C.)
Estou convencido de que os canais de expressão política tradicionais estão viciados e superados e de que estamos vivendo um momento em que a sociedade civil mais uma vez se prepara para atuar como agente da História e ocupar espaço determinante na Política, invadindo essa praia. Como resposta à profunda decepção com o governo Lula e o PT, nas eleições de 2006 ela promoverá o resgate ético e afirmará o verdadeiro interesse público na Política, como o fez no passado na campanha "O petróleo é nosso!", nas "Diretas já!", no impeachment de Collor e até quando elegeu Luiz Inácio Lula da Silva presidente.
Por que acredito na Política
Ninguém começa uma carreira política aos 54 anos e dizer por que acredito na Política e devemos invadir essa praia é mais do que falar sobre problemas sociais, econômicos e comunitários. É ter a consciência de um dever a cumprir e, antes de tudo, mostrar meus defeitos e virtudes. Não é fácil.
Em primeiro lugar, pergunto se estou sendo vaidoso demais fazendo Política ou falando dela. Realmente, sou vaidoso. Mas reparo que, apesar de gostar de elogio, minha vaidade é intelectual, pois de bonito não tenho nada, e toda vida estive a serviço de interesses coletivos. Ou seja, trabalhei sempre em equipe, do tempo dos grêmios estudantis ao tempo das campanhas políticas que fiz.
Em seguida, pergunto se me considero dono da verdade, com a prepotência e a arrogância tão comuns aos políticos tradicionais. Realmente, defendo com firmeza o que acredito. Mas reparo que, apesar de ficar feliz com as vitórias de minhas opiniões, minha veemência nunca foi além do argumento que convencesse. Ou seja, sempre respeitei opiniões corretas, fazendo autocrítica com a humildade necessária.
Finalmente, outra indagação que se apresenta diz respeito ao que pretendo com a Política. Acaso estou tentando "me arrumar", querendo sobreviver (e bem!) como político? Realmente, sou consumista. Mas reparo que, apesar de me exibir com meus aparelhos eletrônicos, nunca fui um "mauricinho" e sempre me adaptei com facilidade a condições desfavoráveis na vida.
Sou perfeito? Certamente não. Se fosse, não teria dificuldade em assumir qualquer papel. Só se faz tais perguntas quem tem a timidez a vencer. E é devido à timidez de todos nós, resultado da intimidação que os políticos descarados exercem na sociedade, que pouca gente de bem se dispõe a participar da Política. Ora, se temos um Parlamento de corruptos, devemos é participar, entre outras coisas para combatê-los!
Esta participação pode ocorrer de várias maneiras, inclusive com meios gratuitos, ou quase isso, desde que passemos as idéias adiante, como em uma "corrente". Será uma "Política de custo zero".
Como muitos de nós, estou credenciado para esta "Política de custo zero", inclusive me filiando a um partido, porque sempre participei da política brasileira, embora para isso, hoje em dia, baste ser pessoa de bem.
Participei, a partir de 1968, do movimento estudantil, da luta clandestina contra a ditadura, da campanha pelas Diretas, de diversas campanhas eleitorais com minha empresa de Comunicação, do primeiro governo de Brizola no RJ, integrando sua assessoria de Comunicação, e da campanha eleitoral vitoriosa de Georgette Vidor a deputada estadual no RJ, também como assessor de Comunicação.
Amadureci um profundo respeito ao bem comum, e hoje possuo idéias resultantes do que de melhor os políticos com quem trabalhei ou convivi tinham a oferecer. Em 2003, pela primeira vez na vida, me filiei a um partido, o PPS - Partido Popular Socialista, porque acredito que não podemos nos omitir.
Aprendi a sonhar aos 17 anos, lutando pela utopia do socialismo, a sofrer, vendo o sonho adolescente acabar, a não desistir do sonho, com as Diretas, a acreditar na Democracia como o caminho para a sociedade, a colocar a Educação como prioridade e, finalmente, a lutar pela qualidade de vida das pessoas com deficiência, como o destino quis que eu me tornasse, dos idosos e dos menores das comunidades de baixa renda. Hoje, diante da necessidade de recuperar a credibilidade da Política e de contribuir para melhorias reais, tanto no Rio de Janeiro quanto no Brasil, eu me apresento a vocês. Só com a cara e a coragem, pois não sou conhecido e não tenho mandato, dinheiro ou posição social.
Está na hora de ocuparmos nosso espaço na Política, recuperarmos seus valores éticos e defendermos o verdadeiro interesse público. Pela Democracia, por um Brasil decente, pelas pessoas com deficiência!
*Site: www.andrei.bastos.nom.br
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