68, o ano que pode acabar em 2006
ANDREI BASTOS
As eleições deste ano podem ter um significado muito especial. Além de oferecerem a oportunidade para o eleitorado brasileiro se redimir, botando pra fora da política quem recebeu seus votos e não presta, e particularmente respondendo à grande fraude que foram o PT e Lula, elas podem representar, enfim, o término de 1968, o ano que não acabou.
A necessidade inadiável de se fazer uma faxina ética nos poderes Legislativo e Executivo brasileiros faz uma convocação. Nossa história recente revela a existência de um contingente de combatentes pelo bem comum que ainda não se colocou na linha de frente da política.
Embora muitos dos seus integrantes tenham participado do processo político brasileiro recente, como protagonistas ou coadjuvantes, a maioria dos mais jovens daquele tempo não participou, só atuando nos bastidores ou ficando fora do jogo. Está na hora de entrar em cena.
Está na hora de resgatar a entrega sincera e desinteressada da juventude que foi às ruas em 68, com uniformes secundaristas e bolinhas de gude pra fazer cair os cavalos das tropas da repressão. Está na hora de convocar estes reservistas da nossa força moral para ocupar um merecido espaço no comando do país.
Com o resgate daquela pureza juvenil e sua incorporação à força da tsunami do bem da sociedade civil, que varrerá a indignidade nacional pelo voto nas próximas eleições, os adolescentes das passeatas contra a ditadura poderão fazer uma enorme diferença para o futuro do Brasil, hoje entregue a uma súcia de maus parlamentares e maus governantes.
Do Oiapoque ao Chuí, do PSDB ao PSTU, passando por todos os estados e todos os matizes de centro-esquerda, a palavra de ordem será novamente "quem sabe faz a hora, não espera acontecer".
A geração 68 foi a que mais representou a entrega absoluta aos ideais de transformação do mundo, em todos os países. No Brasil, estes ideais se enriqueceram com a consciência dos problemas de Terceiro Mundo, marcados por uma miséria de dimensões continentais. Naquele tempo, o romantismo das viagens pelo São Francisco, que além das belezas naturais mostrava as mazelas do sertão, se mesclava ao aprendizado do que era a luta de classes e das barreiras ao nosso desenvolvimento econômico.
"Hoje eu vou fugir de casa, vou levar a mala cheia de ilusões" cantava a música dos Mutantes, quase um hino da época, que ainda não parou de tocar nos corações e mentes de quem fez acampamento em Itatiaia e correu da PM entre os automóveis da Avenida Rio Branco. Muitas ilusões acabaram, mas muitas sobreviveram e podem se transformar na realidade que queremos para nossos filhos e netos, pois já estamos virando avós. Os netos começam a nascer e não podemos deixar isso aí pra eles.
Está na hora de acabar com o ano de 1968 e virarmos a folhinha desse calendário feito de uma esperança que não morre nunca, mesmo diante de um terrível engodo como o que vivemos com Lula e o seu PT.
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