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...Macaé, ano I, Nº 26 - 21 a 28 de julho de 2006
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Grades não!

por: Ana Lúcia Rabello
acadêmica do curso de História da UGF - Piedade, Rio de Janeiro.

Uma das coisas que me impressionam no ser humano é a capacidade de transformação. Não posso afirmar que seja de adaptação, porque há coisas na vida que ninguém pode se adaptar. Por exemplo,à violência. Não é admissível fechar os olhos ao que acontece na nossa cidade. Mas é interessante ver como cada um reage a tanta negligência do Estado.

Uma parcelada da sociedade, conformada com a falta de punição e medidas preventivas eficazes por parte do Estado, toma para si a responsabilidade de criar mecanismos de segurança que a muito favorecem aos grupos privados especializados em segurança. As novidades no ramo são muitas: blindagem de carros e janelas de domicílio, guaritas com sofisticados elementos tecnológicos ou... p asmem! c hips sob a pele! Alguns preferem fugir dos grandes centros ou radicalizam, se refugiam em outro país. Afirmam que a vida já não é possível no próprio país. Abandonam o barco!

E os menos favorecidos economicamente? Esses não podem fugir... m as também sofrem transformações no cotidiano. Enjaulam-se! Não com tantos recursos quanto o primeiro grupo, mas tomam suas providências. Muros altos com cacos de vidro, muitas trancas nas portas e janelas com grades, talvez um segurança de rua, evitam os locais identificados como de risco, não saem de casa em determinada hora. Eles obedecem a um toque de recolher implícito pela Ordem.

Essas transformações, ou deformações, dão uma certa angústia porque quem deveria estar atrás das grades são aqueles que praticam delitos e não o cidadão que anda conforme a lei. Grades são a constatação que não existe uma política de segurança pública eficiente. Elas estão presentes nas escolas, nos parques, nos jardins, em torno dos monumentos...

Mas há um forte movimento de reação contrário ao confinamento, de aceitação à política do toque de recolher. Muitas pessoas não deixam os noticiários influírem em suas vidas e não se confinam. Não admitem perder o direito de ir e vir, e, após um dia de trabalho relaxar, jogar conversa fora, fazer piadas com os últimos acontecimentos, filosofar sobre a vida, e mais, trocar energias, experiências! Não interpreto como alienação, porém como uma recarga. O meu coração se enche de alegria quando vejo movimento nas ruas. Pessoas em bares, cadeiras de praia povoando as calçadas, carrocinhas de churrasquinhos lotadas de pessoas conversando. Tenho certeza que existe um alarme interno em cada um de nós, porém não perder o desejo de viver é muito importante. Não é se trancando em casa que vamos mudar esse momento. Virar as costas, fingir que não faz parte desse caos. Uma hora isso vai lhe custar caro! É necessário que todos nós assumamos nossa parcela de responsabilidade nesse processo. Período de eleição chegando e é preciso saber as pessoas que defenderam os nossos interesses. Não os interesses pessoais, mas aqueles que trarão benefícios para todos.


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