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...Macaé, ano I, Nº 21 - 16 a 23 de junho de 2006
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"A vida se tornou um espetáculo"

Ana Lúcia Rabello 
acadêmica do curso História da UGF - Piedade, RJ.
analurabellosilv@bol.com.br

Há muito tempo que a satisfação de olhar o outro ultrapassou as fechaduras das portas, as frestas das janelas. A expressão "olhar a vida alheia" tomou dimensões insólitas, favorecida pelo conjunto dos meios de comunicações de massa. Este seria um elemento estimulante da curiosidade, da avidez pelo cotidiano alheio.

Atente para a transformação do observado, que num primeiro momento era passivo e inconsciente da sua condição, na maioria das vezes - preservando uma áurea de mistério, de proibido -, mas que hoje ele interage, desejando que a exibição gere lucros, notoriedade - assume uma atitude de consentimento lascivo, sem fronteiras de ostentação. Já ouviu falar em "fulano teve os seus minutos de fama?" Pois é... A vida se modifica e com ela os aspectos sociais, que hoje não importam mais.

É a cultura da exposição, muitas vezes gratuita, encontrada nos sites de relacionamentos, dos quais qualquer um tem acesso ao comportamento social do outro, compartilha das relações pessoais. São os realytes show, dos quais se pode ver, ao vivo, os conflitos gerados num ambiente programado para satisfazer as necessidades do observador e do observado - inicialmente distintas, mas que se confundem num processo de causa e efeito, eclodindo na opinião pública, IBOPE.

Não excluindo os programas exploradores da miséria humana; as revistas de fofocas, especializadas também na divulgação do estilo de vida dos famosos. É um verdadeiro banquete voyer e de exibição!É o consumo consumindo vidas!

Essa nova realidade contemporânea não favorece a existência de conteúdos e tampouco se preocupa para que tal se estabeleça. O que de verdade existe é uma máquina perversa criadora de estruturas que fortaleçam o consumo de produtos para atender essa espetacularização da vida - na maioria produtos que se tornaram obsoletos em países desenvolvidos: webcam, computadores, câmeras digitais, celulares com múltiplas funções; que antes atendiam ao serviço de inteligência, informativo. Atendendo à demanda comercial imposta pela globalização.

As situações surgidas desse processo são transitórias, porque há uma indução ao ineditismo, modernismo. Propiciando uma contaminação progressiva a toda sociedade, tornando-a imagem-objeto e finalizando com o surgimento de relações banais, cuja alienação recíproca é a essência e a base da sociedade existente.

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