Morre "Dandão" liderança entre os ferroviários de Macaé

Faleceu às primeiras horas do último dia 11, aos 84 anos, Aldino Moreira de Miranda, o "Dandão" uma das maiores e mais prestigiadas lideranças entre a categoria dos ferroviários de Macaé e região. Nascido em 18 de novembro de 1922, ano coincidentemente de fundação do velho Partido Comunista Brasileiro (PC do B originalmente PCB atual) com o qual "Dandão" mais se identificou enquanto ativista sindical ferroviário; sobretudo no período pré e durante os chamados anos de chumbo (Ditadura Militar).
Na época "Dandão" que se sobressaía graças à sua característica de liderança equilibrada, nem por isso, ele e diversos companheiros ativistas ferroviários deixaram de sofrer perseguições e injustiças da Ditadura Militar. Por sinal, na calada de certa noite, agentes da chamada repressão o levaram preso e encapuzado. Torturado física e psicologicamente "Dandão" teve os direitos civis mais elementares cassados.
Mas, isso não foi o bastante para fazê-lo se curvar, ele mesmo idoso e adoentado, sempre fez questão de participar do cotidiano reivindicatório da entidade associativa de sua categoria profissional; assim como sempre que convidado "Dandão" se fez presente com sua experiência sindical e política, dando contribuição a movimentos reivindicatórios de outras categorias profissionais. Haja vista, o apoio que sempre deu aos acampamentos de sem terras. Morre a liderança, fica o exemplo!
As cotas, o samba do "crioulo" doido e o carnaval fora de época!
*Almir da Silva Lima
Parodiando o bom embora preconceituoso e racista "Samba do Crioulo Doido" de autoria do saudoso compositor-escritor-jornalista Sérgio Porto, o "Stanislaw Ponte-Preta", está ocorrendo uma história de confusão de doidos entre os que advogam a favor do Projeto de Lei (PL) 73/99 de iniciativa da deputada federal Eunice Lobão (PFL-PI) apelidado de cotas universitárias para negros e indígenas. A mesma coisa ocorre entre os que defendem o PL 3198/00 que é a versão do senador Paulo Paim (PT-RS) para o mal-denominado Estatuto da Igualdade Racial, iniciativa do senador José Sarney (PMDB-AP).
Nos referimos ao apoio dado pela Organização das Nações Unidas (ONU), Banco Mundial, fundação multinacional norte-americana Ford, governo do senhor da guerra o do presidente estadunidense Bush e, sobretudo por sua Secretária de Estado, Condolezza Rice que é atualmente o maior símbolo afro-americano das cotas. Eles e ela formam a "Liga Internacional das Escolas de Samba do Imperialismo (Liesi)" patrocinadora oficial desse carnaval fora de época. O pior é que os dois PLs não resolvem o problema do racismo e da discriminação racial que existe contra os negros e os indígenas.
No Brasil, o samba do "crioulo" doido é puxado pelas vozes uníssonas do Movimento Negro Unificado (MNU). Mestres-sala e porta-bandeiras, pela ordem, são: O senador Paulo Paim (o primeiro mestre-sala) e a ex-militante do MNU e cooptada-ministra da Secretaria Especial de Políticas para Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Matilde Ribeiro (a primeira porta-bandeira). O senador Zé Sarney (segundo mestre-sala) e a deputada Eunice Lobão (segunda porta-bandeira). O terceiro mestre-sala é o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) e a senadora Heloisa Helena (PSOL-AL) é terceira porta-bandeira. A comissão de frente é formada pelo presidente Lula, seus ministros e a cúpula nacional do PT.
As alegorias e adereços estão a cargo das metades do PFL e PSDB, carnavalescos partidos políticos que representam a branca e racista disfarçada, burguesia brasileira. A bateria é comandada pela batuta do mestre Frei David diretor-executivo da Educafro, a "insuspeita" não-lucrativa rede de 255 cursinhos pré-vestibular para negros e chamados carentes. Os instrumentistas são outras empresas privadas de educação e diversos tipos de ONGs.
A velha guarda tem como destaques dois negros de raízes, o ex-senador Abdias do Nascimento e o deputado federal gaúcho Alceu Colares (RS), ambos do PDT. Fechando o carnaval fora de época e vestindo fantasia em forma de frente ampla com o imperialismo e a burguesia brasileira, a última a passar pelo "Sambódromo" é a ala das baianas que é composta por grande parte do PT, PC do B, PSB, PDT e PSOL além do PSTU inteirinho.
Sem ser o "dono da verdade" ou um julgador de samba-enredo que vá dar notas de 0 a 10 para pôr fim ao debate, oportunamente opinaremos e apresentaremos as alternativas concretas às idéias de dois militantes negros e anti-racistas que, de uma forma ou de outra, integram a vertente apoiadora dos PLs 73/99 e 3198/00. Isto é, opinaremos sobre o manifesto a favor que foi encabeçado pelo professor Alexandre do Nascimento do MNU e sobre o texto de Wilson H. Silva do PSTU.
*jornalista, militante do Movimento Negro Socialista e candidato a deputado estadual.
As contradições do MNU na defesa das cotas!
*Almir da Silva Lima
Fatos recentes do debate entre as duas vertentes - favorável e contrária - à aprovação pelo Congresso Nacional dos Projetos de Lei (PLs) das chamadas cotas universitárias para negros e indígenas (PL 73/99) e do mal-denominado Estatuto da Igualdade Racial (PL 3198/00), revelam que o posicionamento sectário do Movimento Negro Unificado (MNU) na defesa destes dois PLs não escondem suas contradições. Primeiro, conforme afirmou (sem que seus dirigentes negassem) o coordenador nacional da Federação Independente dos Trabalhadores sobre Trilhos, Roque Ferreira, na audiência pública do Senado dia 03 de agosto passado, o MNU abandonou o combate às cotas que tinha aprovado em um de seus últimos congressos nacionais.
Em segundo lugar, seria mera coincidência tal mudança radical de posicionamento ante estes dois fatos: 01 - As nomeações feitas pelo presidente Lula de diversos militantes do MNU, notadamente Matilde Ribeiro (ministra da SEPPIR-Secretaria Especial de Políticas para Promoção da Igualdade Racial) para cargos no governo federal? 02 - A afinidade política entre a militância do MNU com um alto dirigente de uma empresa privada de educação que inventou a "informação" (na realidade são delitos de calúnia, injúria e difamação) contra o coordenador nacional do Movimento Negro Socialista (MNS), José Carlos Miranda, de que ele seria um funcionário da Agência Brasileira de Informação (ABIN) "infiltrado" nos movimentos negros?
Enviada por E-mail a militantes de movimentos negros esta "informação" inventada, além disso "alertava" que o MNS seria constituído apenas por seu coordenador nacional (Miranda). Quer dizer, o MNS seria um movimento de uma só pessoa, uma enganação! Em termos penais, o conteúdo deste E-mail, embora delituoso, acabou causando gargalhadas na vertente contrária às aprovações dos dois PLs. Ou seja, muita gozação sobre Miranda dos militantes do próprio MNS e dos artistas, sindicalistas e chamados intelectuais, dentre os iniciais 114 signatários (atualmente o número de apoiadores ultrapassou a marca dos 1000) da Carta Pública intitulada "Todos têm direitos iguais na República Democrática" que foi entregue ao Congresso Nacional em 21 de junho passado.
Com relação ao chamado "Manifesto em Favor de Cotas e do Estatuto da Igualdade Racial" de 29 de junho passado, encabeçado pelo professor Alexandre do Nascimento do MNU, entregue ao Congresso Nacional. Objetivamente, apresentamos sem que isso signifique "o caminho, a verdade e a vida", as alternativas concretas das reivindicações decididas na Primeira Reunião Nacional do MNS realizada em São Paulo, dia 13 de maio passado: Na questão internacional (organizar um Comitê para desenvolver a campanha "Haiti, Mãos Sujas de Sangue" destinada ao retorno imediato das tropas brasileiras que comandam a ocupação militar naquele país irmão, como o nosso, de maioria negra, tendo sido o primeiro país da diáspora a abolir a escravidão negra em 1804).
Já na questão nacional, reivindicamos a Soberania do Brasil pelo não pagamento da dívida externa, tendo a finalidade de investimento público já - antes da hipotética reeleição do presidente Lula - em Educação, Saúde, Reforma Agrária, Moradia e Emprego. Isso, em termos amplo, estrutural e geral. Em termos específicos reivindicamos vagas já para todas as crianças (especialmente as negras e indígenas) nas escolas públicas e, creches também já para atendimento do crescente aumento de trabalhadoras no mercado (notadamente as negras e indígenas). Isto é, para atendimento republicano e democrático a todos e todas.
*jornalista, militante do MNS e candidato a deputado estadual.
Apoio às cotas expõe a incoerência do PSTU!
*Almir da Silva Lima
A conhecida falta de reivindicações concretas que se escondem debaixo de sua retórica ultra-esquerdista, está expondo a incoerência do apoio que é dado pelo "trotskista" Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU) à aprovação pelo Congresso Nacional do Projeto de Lei (PL) 73/99 de iniciativa da deputada federal Eunice Lobão (PFL-PI) apelidado de cotas universitárias para negros e indígenas. Haja vista, o texto do membro da Secretaria Nacional de Negros e Negras, Wilson H. Silva.
Já de cara, o discurso ultra-esquerdista de dono da verdade "Na polêmica das cotas, o caminho é luta". Isso, no título. "É preciso desmascarar tanto o ataque das elites às políticas raciais, quanto às manobras do governo". Na introdução. É incrível, nos dois casos, ficaram faltando dizer claramente "Somos o caminho, a verdade e a vida... Quem é contra as cotas... É porque é das elites (burguesia)". Ocorre que na defesa das cotas está justamente grande parte da burguesia, nacional e internacional.
O genial Lênin (1870-1924) nos ensinou que a doença infantil do comunismo (socialismo) é o radicalismo de esquerda. Lênin junto com outro gênio-revolucionário-russo, Trotsky (1879-1940), lideraram a Frente Única (FU) que derrotou o czarismo e organizou a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). É a doença infantil que não tem deixado o PSTU identificar a FU firmada entre o Movimento Negro Socialista (MNS) e os artistas, sindicalistas e chamados intelectuais através da carta pública intitulada "Todos têm direitos iguais na República Democrática" que foi entregue ao Congresso dia 21 de junho passado.
Para a maioria dos militantes do MNS que são operários, o texto em questão é considerado de intelectual, elitista e excessivamente confuso! A seqüência dos subtítulos do texto diz que o PSTU é a favor das cotas, contra a elite (burguesia), contra o sistema (capitalista), contra o governo (do presidente Lula) e seus aliados. A incoerência, inicialmente em termos internacionais, está no fato de não ser mera coincidência que tais "trotskistas" estejam defendendo as cotas junto com o Banco Mundial, a ONU, a fundação multinacional norte-americana Ford, o presidente estadunidense Bush (o senhor da guerra) e sua Secretária de Estado, Condoleezza Rice.
Nacionalmente, por conseqüência de sua já caracterizada doença infantil, o PSTU está se enrolando em suas próprias pernas. Haja vista, a incoerência e o divisionismo das desfiliações da central sindical (CUT) que ajudou a fundar em 1983. Por conta disso, tais "trotskistas" estão isolados uma vez que o seu aparelho (Conlutas), além de não ser central sindical, não tem a pretendida representatividade operária e popular. No caso de seu incoerente apoio ao PL 73/99, o PSTU repete a história de se enrolar duplamente nas próprias pernas. Primeiro, confusamente afirma que embora totalmente paliativas para combater o racismo, as cotas são necessárias. Para tanto, tais "trotskistas" põem o apelido nas cotas de "reparações". Porém, parte da burguesia brasileira e o governo do presidente Lula também dizem a mesma coisa.
Então, o PSTU diz que "o caminho, a verdade e a vida" está na luta da Frente de Esquerda que integra juntamente com o PCB e PSOL cuja candidata a presidente é a senadora Heloisa Helena (PSOL-AL). Este é o segundo e duplo enrolo nas próprias pernas. Afinal, apesar da presidenciável e parte de seu partido político ser a favor das cotas. A outra parte do PSOL, tendo a frente ninguém menos que o candidato à vice-presidente César Benjamin, é contra!
*jornalista, militante do MNS e da corrente interna petista O Trabalho (Maioria) tendência trotskista da Quarta Internacional - candidato a deputado estadual
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